Por Josier Vilar, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ. Publicado no Diário do Rio
A morte de duas crianças ontem, no desabamento de uma pequena casa em uma comunidade da Ilha do Governador, nos envergonha como sociedade. Ágata e Vitória, duas meninas cheias de vida, morreram soterradas porque viviam em uma moradia precária e insegura. Seus pais, trabalhadores que lutavam diariamente para oferecer dignidade às filhas, agora enfrentam uma perda irreparável.
Se ainda não conseguimos urbanizar as favelas nem garantir moradia digna para todos, é urgente que o poder público ao menos assegure condições mínimas de segurança nessas construções. Uma possível iniciativa seria a criação de escritórios de arquitetura popular, capazes de orientar e oferecer suporte técnico às famílias que vivem em áreas irregulares.
Alguns poderão argumentar que isso significaria “legalizar o ilegal”, mas essa visão ignora a realidade concreta do Brasil profundo. Não podemos continuar fingindo que ela não existe. A tragédia evidencia, mais uma vez, a necessidade de políticas públicas eficazes voltadas à habitação popular. Mais do que construir novas moradias, é essencial garantir que as existentes não coloquem vidas em risco. Programas de assistência técnica gratuita para famílias de baixa renda, já previstos em lei, precisam sair do papel e alcançar quem mais precisa. Engenheiros e arquitetos têm papel fundamental nesse processo, contribuindo para evitar desastres como este.
Além disso, é indispensável investir em fiscalização contínua e em infraestrutura nas comunidades, com acesso a saneamento, drenagem e contenção de encostas. A ausência do Estado nesses territórios perpetua um ciclo de abandono que custa vidas. Não podemos aceitar que crianças continuem morrendo por falta de condições básicas de segurança.
Que a dor pela perda dessas duas meninas sirva, ao menos, para despertar a consciência de quem tem o dever de agir. Que Deus conforte e ampare seus pais neste momento de sofrimento inimaginável. E que o jovem e competente prefeito Eduardo Cavaliere encontre uma solução técnica e rápida para evitar que novas tragédias como essa se repitam.
É profundamente triste. A sociedade brasileira não pode normalizar esse tipo de tragédia.