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O impacto das motocicletas na mobilidade: desafios de infraestrutura, saúde pública e economia

O Conselho Empresarial de Logística e Transporte da ACRJ (CELT) promoveu o seminário “Motocicletas e Mobilidade Urbana: Impactos e Desafios”, dia 16 de abril, provocando um debate sobre o crescimento da frota de duas rodas e as consequências desse fenômeno para a capital fluminense. Especialistas e gestores públicos identificaram gargalos e fizeram sugestões para contribuir com a construção de políticas públicas mais eficazes, especialmente no contexto da nova fiscalização municipal.

Na abertura do encontro, o presidente do CELT, Eduardo Rebuzzi, destacou a necessidade de debater este tema estrutural que afeta a segurança e a circulação na cidade. Ele falou sobre o agravamento da insegurança, a dificuldade em manter a ordem pública e a importância de leis que promovam uma mudança cultural, como ocorreu com a Lei Seca. “O crescimento da circulação de motocicletas é uma realidade que impõe desafios urgentes. É um problema social grave que serve de base para muitas das irregularidades e desafios às autoridades. Precisamos integrar segurança, saúde e economia para criar um ambiente urbano seguro para todos”, destacou Eduardo Rebuzzi.

Eduardo Rebuzzi e a professora Marina Baltar

A professora da Coppe, Marina Baltar, apresentou um estudo do Laboratório OPTGIS da COPPE-UFRJ, que investigou as motivações por trás da escolha da motocicleta como meio de transporte individual na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ). O estudo avaliou a influência do tempo de deslocamento, custo e percepção de segurança na decisão de escolher este meio de transporte.

A pesquisa envolveu 2.616 entrevistas e revelou que o trabalho é a principal motivação para o uso da e moto (60,21%) e que a maioria dos usuários sente insegurança (57,21%), mas opta em usar pela rapidez. Uma das recomendações do estudo incluem a melhoria do transporte público com corredores exclusivos, ampliação de cobertura e horários, e campanhas de valorização da vida no trânsito. Confira aqui a apresentação na íntegra.

O debate abordou ainda a Mobilidade e a Legislação Federal, com a participação do deputado federal Hugo leal, e representantes da CET Rio, Ricardo Lemos, e da Semove, Eunice Horácio. O debate focou nas transformações da dinâmica urbana e na necessidade de atualizações na legislação para acompanhar o novo cenário das vias brasileiras. O Deputado Federal Hugo Leal analisou a crise crescente e estrutural da segurança viária no Brasil, com foco na vulnerabilidade dos motociclistas. Segundo ele, o número de mortes no trânsito aumentou de 2022 para 2023, e para atingir a meta de 2030, é necessária uma redução de 53%. Ele ainda mostrou que a frota de motocicletas apresentou o maior crescimento entre 2011 e 2023, impulsionada pela mobilidade urbana e trabalho. Confira aqui a apresentação na íntegra.

Ricardo Lemos, Eunice Horácio e o deputado Hugo Leal participaram do debate

Eunice Horácio discutiu a crise no transporte público por ônibus, mostrando que entre 2014 e 2025, a frota de ônibus na região metropolitana do Rio diminuiu, assim como o número de viagens. Em 2024, 30% dos 3.117 entrevistados pela Semove deixaram de usar ônibus, migrando principalmente para carro próprio ou serviços por aplicativo. Os principais motivos, de acordo com ela, para o não uso de ônibus incluem falta de conforto, flexibilidade e tempo de viagem elevado. Confira aqui a apresentação na íntegra.

O segundo painel tratou da Segurança Pública e foi moderado pela presidente-executiva do Instituto Todos pelo Rio, Ana Paula Rosa, com a participação do capitão Tiego Wagner, capitão Felipe Esteves G. Viana (esq. na foto), comandante da 4° CIA do CPTran – Comando de Polícia Rodoviária/ Comando de Polícia de Trânsito – PMERJ, e o delegado Gilbert Uzeda (dir. na foto). Eles analisaram como o uso de motocicletas influencia os indicadores de criminalidade e altera o patrulhamento, a fiscalização e as investigações estratégicas. O capitão Viana acrescentou que o crime urbano se adapta à rotina das cidades, utilizando os gargalos de infraestrutura para maximizar a oportunidade e garantir a impunidade. Por isso, de acordo com ele, motocicleta e trânsito lento se tornaram elementos fundamentais para a dinâmica do crime urbano, destacando a eficiência tática dessa combinação para os criminosos.

Painel tratou da Segurança Pública

O capitão Tiego detalhou os resultados operacionais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) entre janeiro e abril de 2026. A unidade é especializada em moto patrulhamento tático e pronta resposta, patrulha urbana de alto risco, controle de distúrbios com motos, escolta e segurança. O Batalhão realizou 302 prisões e apreendeu 15 menores apreendidos; recuperou bens no valor de quase R$ 4 milhões e recuperou 136 veículos no período. Confira a apresentação na íntegra aqui

O delegado Gilbert Uzeda também destacou a agilidade das motos, que se aproveitam dos congestionamentos, paralisam as vítimas e impedem a perseguição policial convencional. “Esse cenário transforma o trânsito parado em uma verdadeira zona de confinamento, onde o motorista imobilizado se torna um alvo estático e exposto, enquanto o criminoso aproveita a facilidade de aproximação e a rota de fuga garantida entre as faixas”, confirmou o delegado.

Encerrando o debate, o painel Saúde Pública e Custos Econômicos, com moderação de Lívia Pereira (Sinergia Estudos), abordou como os acidentes envolvendo motos impactam o sistema de saúde, os processos de reabilitação, além de gerar custos para o Estado, empresas e famílias. Em sua apresentação, o ex-Diretor-Geral do INTO, Marcos Musafir, destacou os riscos associados ao trânsito, especialmente para motociclistas, e mostrou dados sobre acidentes, internações e fatalidades no Brasil. De acordo com ele, os motociclistas são identificados como as maiores vítimas, com 30% dos óbitos e 64% das internações. “É necessário uma maior fiscalização, criação de motovias e campanhas educativas”, sugeriu. Confira aqui a apresentação na íntegra.

Lívia Pereira e Marcos Musafir debateram os impactos na saúde pública