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Balanço da NRF26 mostra que IA não é mais diferencial competitivo, mas elemento estrutural do varejo

Balanço da NRF26 mostra que IA não é mais diferencial competitivo, mas elemento estrutural do varejo

O principal fórum mundial de discussão do varejo, a NRF 2026: Retail’s Big Show, realizada de 11 a 13 de janeiro, em Nova York, promoveu mais uma vez uma discussão sobre os rumos deste segmento. O presidente do Conselho Empresarial de Varejo da ACRJ, Juedir Teixeira, acompanhou tudo de perto e fez um balanço do evento, que reuniu mais de 40 mil participantes de cerca de 100 países. O encontro realizado com casa cheia na ACRJ, dia 30/1, contou com a participação dos conselheiros Bruno Moreira e Nattália Vinhas, que estiveram na edição deste ano da NRF.

Juedir Teixeira: ““Nesta edição, a mensagem foi direta: o futuro é agora”

Durante a apresentação, Juedir Teixeira ressaltou que a edição de 2026 evidenciou uma jornada clara de evolução do varejo nos últimos quatro anos, marcada pela fusão entre o físico e o digital, pelo avanço da experiência do cliente e pela consolidação da inteligência artificial como infraestrutura central dos negócios. As últimas edições, de acordo com ele, os insights reforçaram a relevância da geração de valor por meio da IA generativa, aliada à sustentabilidade, à eficiência operacional e à criação de experiências relevantes, em um cenário no qual a tecnologia passa a atuar de forma integrada, tanto no ambiente digital quanto nas lojas físicas, transformadas em verdadeiros palcos interativos de relacionamento com o cliente.

“Nesta edição, a mensagem foi direta: o futuro é agora. A inteligência artificial deixou de ser diferencial competitivo para se tornar elemento estrutural do varejo. O grande destaque foi o avanço do chamado Agentic Commerce, modelos de IA capazes não apenas de analisar dados, mas de tomar decisões e executar ações de forma autônoma em nome de empresas e consumidores”, destacou o presidente do Conselho, que disponibilizou o e-book com o resumo de tudo o que aconteceu na feira. Acesse aqui.

Gigantes como Google, Walmart, Microsoft e Amazon apresentaram soluções que reforçam essa virada de chave. Uma delas veio do Google com o anúncio do Universal Commerce Protocol (UCP), por exemplo, mostrando que em breve assistentes de IA vão conectar consumidores a varejistas de forma global e integrada e recomendações em tempo real, entre outras funções. Confira aqui a apresentação na íntegra.

O conselheiro Bruno Moreira, CEO da empresa de tecnologia Global IA, que participou da feira, explicou que o varejo ganha com o UCP um “idioma universal”, um momento muito parecido à criação do protocolo IP (Internet Protocol), que permitiu a troca de informações na internet. “Assim como a internet só se tornou o que é hoje porque diferentes fabricantes aceitaram uma regra comum para trocar informações, o varejo agora ganha o seu “idioma universal””, disse.

Segundo Bruno Moreira, o UCP vai definir a regra do jogo no Varejo

Mas o que é, na prática, o Universal Commerce Protocol (UCP)? Ele explicou que o protocolo foi desenvolvido pelo Google em colaboração com mais de 40 gigantes do setor, como Visa, Mastercard, Shopify e Walmart, e não é apenas uma ferramenta, mas “algo que definirá a regra do jogo a partir de agora. Será um processo, como foi com os marketplaces, mas acontecerá, isso é um fato. O UCP definiu uma linguagem padrão permitindo que lojas físicas, e-commerces, sistemas de pagamento, negociações de diferentes empresas se comuniquem perfeitamente através de agentes de IA. Com ele, o ecossistema se torna unido, permitindo que a IA de um fornecedor “converse” com a IA de um varejista, por exemplo”, explicou. Confira aqui a apresentação na íntegra.

Nattalia Vinhas, da NMV Consultoria, trouxe uma leitura prática e aplicada do que já está acontecendo no varejo brasileiro, a partir de sua experiência na área de marketing com empresas de diferentes portes e segmentos. Um dos principais pontos abordados por ela foi o avanço dos sistemas de recomendação, que já impactam diretamente a jornada do consumidor e o papel da confiança e da atenção no novo consumo.

Juedir Teixeira e Nattália Vinhas, especialista em marketing

“A recomendação passou a ter mais peso do que a conversão em si, pois quando bem-feita, gera confiança, conhecimento profundo da marca e taxas de conversão próximas do total. Esse movimento exige que empresas revisem conteúdos, dados e presença digital, já que agentes de IA já influenciam decisões de compra e indicação de serviços”, disse.

Ela acrescentou que as marcas precisam estar permanentemente atentas aos movimentos das redes sociais, por exemplo, pois plataformas como o TikTok ilustram bem esse cenário. “O consumidor muitas vezes confia mais em pessoas da sua própria bolha do que na comunicação institucional das marcas. O desejo é despertado rapidamente e a compra acontece com poucos cliques, integrando conteúdo, influência e meios de pagamento”, disse. Para ela, a inteligência artificial não vem para substituir o ser humano, mas para empoderá-lo. Quando usada de forma transparente, a IA potencializa aquilo que as pessoas fazem de melhor, reforçando o papel humano como elemento-chave para gerar valor, confiança e inovação nos negócios”, completou.