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Conselheiros da ACRJ visitam restauro de murais no Teatro João Caetano

O Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ visitou, dia 23/11, o trabalho de restauro dos murais Samba e Carnaval, de Di Cavalcanti, que estão instalados no foyer do segundo piso do Teatro João Caetano. Este é um dos espaços da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro – Funarj.

A apresentação foi realizada pelo professor Edson Motta Júnior, que está liderando a equipe de profissionais responsáveis pela execução do restauro. Segundo o presidente do Conselho, Douglas Fasolato, que é coordenador de Museu da Funarj, trata-se dos primeiros murais modernistas brasileiros, pintados entre 1929 e 1930. “Esta visita se integra a programação do Conselho para as comemorações da Semana de Arte Moderna”, completou.

Para realizar o Projeto Di Cavalcanti foi formada uma equipe de 16 pessoas, sendo 10 restauradores e quatro estagiários, da Escola de Belas Artes da UFRJ. O projeto de restauro também conta com a colaboração de três cientistas/professores da Universidade, especializados em análises de obras de arte: Márcia Rizzo, Milena Barbosa Barreto e Daniel Lima Marques Aguiar. Seus achados contribuíram para o bom andamento do restauro, que deverá estar pronto no final de dezembro.

Sobre os murais “Samba” e “Carnaval”

O Teatro João Caetano foi inaugurado em 13 de outubro de 1813, por Dom João VI, com o nome de Real Theatro de São João. É a casa de espetáculos mais antiga do Rio de Janeiro e recebeu o atual nome, a partir de 1923. Entre 1929 e 1930, Di Cavalcanti pintou os referenciais murais “Samba” e “Carnaval”. Eles são compostos por duas pinturas de 5,5 metros de altura por 4,5 de largura sobre argamassa, em superfície total de 49,75 metros quadrados.

Os murais foram encomendados pela prefeitura do Distrito Federal para a inauguração do novo edifício do Teatro João Caetano, em 1930, e durante 72 anos ficaram restritos ao público que frequenta o espaço. As duas pinturas de Di Cavalcanti tiveram seu tombamento em 1966.

Informações técnicas sobre as obras, de acordo com o professor Edson Motta Júnior:

1. Trata-se de uma pintura mural executada com tintas a óleo.

2. A temática é popular – samba e carnaval – o que não era usual à época.

3. As figuras são representadas de forma a criar a ilusão de que estão dentro do foyer, convivendo no espaço, dançando e cantando com o visitante. Esta forma de situar as figuras é extremamente avançada para a época e é, certamente, um reflexo da pintura francesa do período que Di Cavalcanti havia visto alguns anos antes.

4. As tintas são intensas e puras. As sombras são coloridas e nelas não há mistura de tinta preta o que levaria, inevitavelmente, ao empobrecimento do vigor cromático.

5. Merece atenção o uso de tintas vermelhas translúcidas, as veladuras, de longa tradição na arte de pintar. Di Cavalcanti as utiliza sem parcimônia e com rara sabedoria. Estas notas intensas de cor contrastam com as azuis e verdes e reforçam a iconografia festiva e dançante do tema.

Explicações do professor Edson Motta Júnior

Fotos dos murais: Paulo Cavassani/Divulgação