Conselhos Empresariais
Camila Nogueira, Soraia Cals, Vera Tostes, Paola Domingues e Robson Souza

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Especialistas debatem o setor de leilões e a conexão entre cultura, negócios e experiência

O Seminário Leilões – Lugar de Cultura, Negócios e Paixão, promovido pelo Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ, reuniu, dia 9 de setembro, especialistas para debater o papel dos leilões sob a ótica dos negócios, da regulamentação, da arte e da paixão. O encontro contou com a participação dos presidentes da ACRJ, Josier Vilar; do Conselho Superior, Ruy Barreto Filho; e do Conselho de Cultura, Sérgio Costa e Silva.

Com moderação da conselheira e leiloeira Vera Tostes, o evento provocou reflexões sobre o consumo movido por emoções e como a cultura se conecta com o desenvolvimento econômico. “A experiência de compra vai além da simples transação comercial, pois envolve sentimentos que motivam o consumidor antes, durante e depois da compra”, disse.

No primeiro painel, focado em governança e no papel da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), a presidente Paola Domingues e o diretor Robson Souza apresentaram atualizações normativas relevantes para os leilões. Ela destacou a modernização da legislação dos Armazéns Gerais e da Lei dos Leiloeiros, além da Deliberação 173 da Jucerja que desburocratizou este segmento ao reduzir a exigência de livros obrigatórios de sete para apenas três. A presidente da Jucerja também mencionou o recadastramento anual obrigatório dos leiloeiros, gratuito se realizado no prazo de janeiro e março, a regularização da caução no valor de R$ 90 mil e o lançamento de carteiras profissionais com primeira via gratuita. “A Jucerja vai emitir novas carteiras profissionais rígidas, no estilo cartão de crédito, para leiloeiros e tradutores públicos. A primeira via é gratuita e custeada pela Junta Comercial”, adiantou.

Robson Souza, representante da Jucerja na área de controle e fiscalização dos agentes auxiliares do comércio, relembrou a evolução dos leilões desde a antiguidade, passando pela regulamentação no Brasil em 1932, até a recente transformação digital. Ele alertou que a tecnologia deve trazer eficiência e escala, “sem jamais ocultar a responsabilidade pessoal do leiloeiro, elemento essencial na prevenção de fraudes. A transição do martelo presencial para as telas de computadores e celulares, ampliou o alcance, a velocidade e a participação, porém a responsabilidade e a identificação de quem conduz o ato devem permanecer claras e transparentes”, afirmou. Robson ainda ressaltou o papel econômico e estratégico dos leilões na recolocação de bens e ativos em circulação e o alinhamento das arrematações com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e defendeu a necessidade de mecanismos que garantam a confiança verificável dos cidadãos.

O segundo painel tratou dos leilões judiciais com a leiloeira Camila Nogueira, que detalhou a dinâmica de execuções originadas de dívidas, em grande parte de condomínios. Ela explicou o funcionamento das praças, a emissão da carta de arrematação e o panorama de um mercado com mais de 2 milhões de processos em tramitação no país, a maioria realizados em plataformas virtuais. Para ter sucesso, ela aconselhou estratégias como definir o objetivo da compra, seja para moradia, revenda ou renda, calcular todos os custos adicionais e fixar um teto de lance rigoroso para evitar decisões emotivas. “Embora existam riscos a serem mitigados, como a checagem de gravames, custos operacionais e a necessidade de assessoria jurídica especializada, o setor oferece segurança e alto potencial de rentabilidade quando abordado com profissionalismo e estratégia”, explicou Camila. E concluiu sua fala afirmando que o leilão judicial é um investimento seguro quando bem analisado e reiterou que “o mercado exige profissionalismo em vez de amadorismo”.

A empresária Soraia Cals compartilhou com o público um pouco de suas quatro décadas de trajetória no mercado de arte brasileiro, iniciado em 1988 com o programa “Arte e Investimento”. Ao longo dos anos, atuou com artistas renomados, catalogou a obra completa do designer Sérgio Rodrigues e organizou exposições marcantes, como “Viva o Povo Brasileiro”. Soraia explicou como inovou no setor de leilões ao introduzir a arte popular no circuito e ao criar catálogos ilustrados com fotos e autenticidade para as obras. Por fim, a empresária conceituou o mercado artístico como um ecossistema integrado por cinco engrenagens fundamentais: “a obra de arte, o artista, o mercado de leilões, a crítica, a curadoria e as instituições, que juntas preservam, legitimam e fazem circular a produção cultural”.