O vice-presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transportes (CELT) da ACRJ, Delmo Pinho, fez uma apresentação sobre as “Prioridades para o RJ na Renovação da Concessão da FCA – Ferrovia Centro-Atlântica”, durante a reunião mensal do Conselho, dia 18 de junho, abordando as principais diretrizes logísticas contidas no Plano Estratégico de Logística e Cargas do Estado do Rio de Janeiro (PELC RJ 2045) e os desdobramentos das recentes decisões regulatórias federais sobre o transporte ferroviário fluminense. Ele contextualizou os projetos de âncoras logísticas estaduais e detalhou as ações coordenadas junto a órgãos federais e territoriais para potencializar o escoamento multimodal em eixos de integração com Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.
Os dados apresentados pelo vice-presidente mostram um cenário de encolhimento da malha da FCA: dos mais de 834 quilômetros concedidos pela União em 1996, o Rio de Janeiro conta hoje com apenas 5% de trecho operacional ativo (cerca de 40,6 km concentrados na ligação Barra Mansa – Engenheiro Bhering), enquanto 18% da malha já foi devolvida e expressivos 77% (640,9 km) encontram-se em processo de devolução no atual contrato de prorrogação antecipada da FCA.

De acordo com ele, isso faz com que mais de 60% da área do estado fluminense não tenha acesso ferroviário de cargas. Em termos nacionais, a renovação da concessão aprovada pela ANTT estende a administração da empresa VLI Logística sobre a FCA até 2056. O acordo prevê que a concessionária devolva cerca de 3,1 mil quilômetros de linhas ociosas para a União, mantendo 4,1 mil quilômetros sob sua gestão, mediante o pagamento de uma indenização de R$ 4,2 bilhões e o compromisso de investir R$ 28 bilhões ao longo do contrato.
Ele disse ainda que entre os investimentos pleiteados nas audiências públicas estão a estruturação do Corredor Ferroviário do Café e do Calcário, que visa otimizar a rota logística entre o polo industrial e de agronegócio de Varginha e Arcos (MG) e os complexos portuários fluminenses — como o Terminal Portuário de Angra dos Reis (TPAR), o Porto de Itaguaí e o Porto do Rio.
Delmo Pinho também falou sobre o planejamento da Ferrovia EF-118 (Rio–Vitória), cuja concessão está com leilão remarcado pelo Ministério dos Transportes para setembro de 2026. O projeto prevê um aporte de R$ 4,1 bilhões em subsídios governamentais derivados de outras outorgas ferroviárias. Confira aqui a apresentação na íntegra.