O Conselho Empresarial de Desenvolvimento Humano e Educação Corporativa da ACRJ promoveu um debate essencial sobre as transformações que moldam o setor varejista. O encontro, realizado dia 26/2, reuniu especialistas para diagnosticar os desafios internos da gestão de pessoas e as demandas externas de um consumidor cada vez mais digital.
O evento contou com a participação de Antonio Lucio (LinkedIn Top Voice e especialista em Varejo), Juedir Teixeira (VP dos Conselhos Empresariais e presidente do Conselho de Varejo da ACRJ), Larissa Linden Mafra (gerente de RH do Supermercados Zona Sul) e Marco Antonio Bouhid (CEO da Hire Now Company), sob a mediação de Roberto Godinho e Maíra Pimentel.
O consenso entre os palestrantes é de que o varejo precisa de uma adaptação cultural profunda que harmonize a valorização profissional, com planos de carreira claros e ambientes tecnologicamente estimulantes, e a integração entre físico e digital como forma de manter a relevância para um consumidor cujos hábitos mudam em ciclos cada vez mais curtos.
A primeira parte do debate focou no chamado “apagão” de mão de obra no varejo, tema levantado pelo presidente do Conselho, Roberto Godinho, que segundo ele já uma realidade nas empresas. Larissa Mafra destacou que o setor em que atua enfrenta uma crise de engajamento no varejo físico, intensificada pela mudança na relação das pessoas com o trabalho após a pandemia, o que dificulta a atração para funções operacionais.

Juedir Teixiera e Antonio Lucio
Para Marco Antonio Bouhid, o problema também está na falha de conexão entre as expectativas das novas gerações e o modelo tradicional do varejo. Ele apontou que, globalmente, a solução tem passado por grandes investimentos em tecnologia e automação para suprir essa escassez.
Antonio Lucio ressaltou que a rigidez do arcabouço jurídico brasileiro é outra questão a ser discutida e que impede modelos de trabalho mais flexíveis. Ele ainda pontuou que a competição atual é pelo “tempo de atenção” do cliente e que práticas de sustentabilidade e governança (ESG) tornaram-se requisitos básicos para o varejo.
Os participantes também enfatizaram que a tecnologia não é mais um diferencial, mas a base da competitividade e sobrevivência das empresas atualmente. A vice do Conselho, Maíra Pimentel, destacou que um dos grandes desafios atuais é aprimorar a comunicação e a escuta ativa com a nova geração que ingressa no mercado de trabalho. De acordo com ela, esse público, que frequentemente vê no varejo sua primeira oportunidade profissional, não se adapta mais aos modelos tradicionais, como a escala 6×1, por exemplo. “É fundamental que o varejo se atualize e compreenda as mudanças comportamentais para manter sua atratividade e seu papel social relevante”, ressaltou.
Juedir Teixeira falou sobre sua participação e os insights da maior feira de Varejo do mundo, a NFR, realizada em janeiro deste ano em Nova Iorque, e lembrou a importância do uso inteligente da estratégia de negócios focada no cliente para antecipar desejos e personalizar ofertas. “Não basta ter os dados; é preciso gerar insights que antecipem o desejo do cliente. A eficiência operacional hoje passa obrigatoriamente pela digitalização dos processos internos”, enfatizou.
Ao encerrar o debate, Roberto Godinho destacou a importância de abordar este tema ao unir a análise das “dores” internas (gestão de talentos) com as “dores” externas (experiência do cliente). “Com esta discussão, nosso Conselho reafirma seu compromisso em guiar o empresariado através das complexidades do futuro do trabalho”, finalizou.
