O presidente do Conselho Empresarial de Governança, Compliance e Diversidade da ACRJ, Humberto Mota Filho, abriu o seminário “Compliance Estratégico: Liderança, Governança e Transformação Organizacional”, dia 6/11, destacando a importância da visão estratégica de líderes dos setores público e privado para avançar com a agenda de compliance, especialmente em temas que envolvem diversidade, novos desafios e oportunidades. “Este tema que vamos abordar hoje, fundamental para as organizações, nasceu a partir de um convite que eu recebi para estruturar um curso no FGV, quando convidei sete executivos para falar sobre suas vivências”, explicou.
Iniciando o debate a diretora da Firjan, Gisele Gadelha, ressaltou que a integridade e a cultura de conformidade não devem ser tratadas de forma isolada, mas integradas à governança e aos negócios, diferenciando o que é conjuntural do que é estrutural. Ela também pontuou os grandes desafios enfrentados por empresas e instituições de classe ao implementar programas de integridade, governança, proteção de dados e parcerias, ressaltando o papel fundamental dos líderes na construção de uma cultura sólida de integridade.

Em seguida, Leandro Martins, consultor chefe da Lema Consultoria, contou um pouco sobre sua trajetória no setor público, desde os anos 1990 e os desafios enfrentados em diversos momentos de sua carreira, trazendo algumas reflexões sobre a necessidade de separar o conjuntural do estrutural nas empresas. Ele destacou que, diante de crises e desafios fiscais, tributários ou regulatórios, as organizações frequentemente correm o risco de se tornarem somente produtoras de dados ou reféns de sistemas, caso o compliance e a governança não estejam atrelados à estratégia central do negócio. Segundo ele, o compliance estratégico deve atuar como um parceiro e um gerador de dados relevantes, auxiliando na mitigação de riscos e na tomada de decisões gerenciais, mesmo em cenários complexos.

Encerrando o debate, Cristiana Aguiar, sócia-fundadora da Jeito Certo Consultoria e especialista em gestão empresarial e de pessoas, compartilhou sua experiência profissional e abordou o compliance estratégico sob a ótica da transformação organizacional e da liderança. Ela abordou questões como insegurança psicológica e cultura do medo, presente em algumas corporações ainda hoje, e o sucesso do compliance. Cristiana reforçou, contudo, que o compliance deve ser visto não como um entrave burocrático, mas como um facilitador estratégico que apoia a inovação e o crescimento sustentável das organizações. Segundo ela, a governança e a conformidade exigem um alinhamento profundo com os objetivos de longo prazo das empresas, permitindo que os líderes enfrentem transformações e crises estruturais com segurança e eficácia.


