Por Reinaldo Paes Barreto, vice-presidente do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ
No dia 12 passado, tivemos a celebração de N. Sra. (Conceição) Aparecida e a última aparição de N. Sra. de Fátima, para os humanos. Os celebrantes rezaram centenas de missas e benzeram e consagraram os “vinhos de missa”.
Mas afinal o que é vinho de missa, ou canônico? E qual a diferença para um vinho “normal”?
Resumidamente, o vinho de mesa (normal) é produzido basicamente pela fermentação dos bagos das uvas, o que acelera a evolução das leveduras existentes na fruta, que se transformam em álcool etílico. A esse mosto, os enólogos acrescentam, às vezes, um pouco de açúcar, e adicionam alguns componentes químicos, como o sulfito. No movimento seguinte, as cascas liberam o tanino, e outros componentes. Daí começa a vinificação.
Já o chamado ”vinho de missa”, em geral tinto (*), tem o mesmo começo dos vinhos “ateus”, mas leva muito mais açúcar (os secos não podem passar de 5%) e a adição de aguardente de cana, ou de uva, para cortar a fermentação e o vinho deixar de envelhecer. O que resulta num vinho mais licoroso e mais longevo. E com uma graduação alcoólica mais elevada: cerca de 16º a 18º por litro.
E por que essa diferença para os vinhos de mesa? Porque os vinhos de missa precisam durar mais e resistir às precárias condições em que em geral são guardados na maioria das sacristias: em velhas cômodas (em vez de adegas refrigeradas), junto com velas, incenso e mirra, batinas, etc.
No Brasil, algumas empresas gaúchas abastecem esse mercado: Salton, Aliança e Chesini, são as de maior volume e produzem igualmente os vinhos de garrafão, cuja maior procura é para fins religiosos, mas há consumidores que buscam o vinho para beber com a sobremesa, ou mesmo como aperitivo, provavelmente por conta do preço.
(*) De uns anos para cá, o Vaticano passou a permitir que se consagrasse o vinho branco, também, atendendo às solicitações de paróquias cujos titulares têm alergia ou outra indisposição com o tinto, e/ou porque o tinto mancha as toalhas, e o branco não. E por uma questão de economia com as lavanderias…
Saúde e amém!
Reinaldo Paes Barreto é assessor da presidência do INPI