Conselhos Empresariais
Roberto Godinho na abertura do encontro

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Especialistas debatem o novo cenário de contratações e a mudança nas relações de trabalho

Para debater os talentos em transformação e o novo cenário das contratações no Rio de Janeiro, o Conselho Empresarial de Desenvolvimento Humano e Educação Corporativa da ACRJ reuniu, dia 27/8, os especialistas Gustavo Coimbra, diretor de Recrutamento Brasil da LHH; Marco Bouhid, CEO da Hire Now; Veronika Souza, associate manager da Michael Page; e Bruno Aguiar, gerente de Educação Profissional da Firjan. Eles falaram sobre a falta de mão de obra qualificada, contratações temporárias e as diferenças desta modalidade no Brasil e em países da Europa.

O presidente do Conselho, Roberto Godinho, iniciou a discussão destacando o momento econômico desafiador para as empresas e a necessidade de mapear as competências que estão em alta. Ele ressaltou a dinâmica acelerada das transformações no trabalho, impulsionada pelo avanço tecnológico e pela chegada de novas demandas do mercado.

Gustavo Coimbra mencionou a falta generalizada de profissionais qualificados no Brasil, afetando cerca de 81% das empresas em setores como indústria, tecnologia e serviços. No Rio de Janeiro, de acordo com ele, a concentração em setores específicos, como petróleo e gás, e percepções sobre segurança dificultam a atração de talentos de outras regiões para certas posições. Ele disse ainda que a decisão de profissionais qualificados, atualmente, não se baseia somente no salário, mas em fatores como reputação das lideranças, cultura organizacional, benefícios e oportunidades de desenvolvimento.

Gustavo Coimbra

Além do petróleo e gás, Bruno Aguiar apontou áreas como eletricidade, automotiva, tecnologia e automação industrial que tem apresentado alta demanda no estado. “A formação técnica transita da indústria 1.0 para a 4.0, exigindo competências em mecatrônica, energias renováveis e tecnologia embarcada, ao passo que funções operacionais mais tradicionais enfrentam falta de interesse do público jovem”, disse.

Bruno Aguiar

Ao falar sobre o trabalho temporário, Veronika Souza mencionou que, antes restrito ao varejo e a picos sazonais de demanda, esta modalidade está mudando devido às novas dinâmicas sociais. “Fatores como a busca por flexibilidade, qualidade de vida e a preocupação com a saúde mental, independentemente de classe social, redefinem a relação com o trabalho. E devemos nos perguntar se a sazonalidade ainda é o forte do modelo temporário ou se novos tempos abrem espaço para novas oportunidades”, destacou.

Veronika Sousa

A vice-presidente do Conselho, Maíra Pimentel, fez uma reflexão sobre a diminuição do preconceito e da resistência dos candidatos em relação a contratos de trabalho temporários ou terceirizados. Ela observou que há uma maior receptividade dos profissionais, que enxergam nesses projetos uma oportunidade de demonstrar desempenho, evoluir e, potencialmente, migrar para contratações definitivas. Ela questionou a eficácia do modelo tradicional de 40 horas semanais diante da rápida mudança nas matrizes de competências exigidas pelo mercado e acredita que a tecnologia poderia ajudar na contratação fracionada para resolver desafios específicos das empresas. “Precisamos quebrar preconceitos estruturados para transformar esses novos desafios em oportunidades de reinvenção no ambiente de negócios”, afirmou.

Maíra Pimentel

Marcos Bouhid também falou sobre o cenário e as transformações do mercado de trabalho temporário no Brasil, comparando-o com o contexto internacional e destacando suas diferentes aplicações estratégicas. Segundo ele, o trabalho temporário no Brasil ainda é visto majoritariamente como uma porta de entrada para vagas operacionais e de baixa qualificação. Já na Europa, de acordo com ele, a distribuição entre profissionais operacionais e especialistas/analistas no trabalho temporário é meio a meio. “Países europeus costumam utilizar executivos e CEOs temporários de acordo com o momento da empresa, seja em momentos de crise, estabilidade ou expansão, ou para contornar legislações trabalhistas rígidas”, explicou.

O painel foi encerrado com os participantes olhando para o futuro e concluindo que o mercado de trabalho não está eliminando oportunidades, mas as transformando, como observou Maíra Pimentel. “O grande desafio é fazer com que as pessoas, empresas, instituições de educação consigam acompanhar essa transformação nessa mesma velocidade, com a capacidade de se adaptar e de se transformar à luz do que o mundo contemporâneo tem nos provocado”, finalizou.

Marco Bouhid