A ACRJ reuniu, nesta 6ª feira (21/8), especialistas de diferentes áreas para discutir os riscos e reflexos do avanço das apostas online e seus efeitos no corpo, na mente e no bolso da população brasileira. O debate “O impacto das bets na saúde física, mental e financeira dos brasileiros” foi moderado pelo presidente da ACRJ, Josier Vilar, que recebeu Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP; Felipe Mussalem, CEO da Casas Pedro; Filipe Rodrigues, fundador da Associação Jogo Positivo; Nísia Trindade, pesquisadora da Fiocruz; e Renata Filardi, presidente da Associação Brasileira de RH – ABRH-RJ.
Ao abrir o evento, Josier Vilar, comparou o impacto dos jogos eletrônicos e das apostas virtuais (bets) na sociedade brasileira com a evolução do combate ao tabagismo no país. E destacou como a restrição rigorosa e a proibição da publicidade de cigarros foram cruciais para conscientizar a população e reduzir a incidência de doenças graves e incapacitantes. Ele sugeriu uma postura preventiva semelhante no enfrentamento aos males causados pelas apostas e jogos.

Nísia Trindade também afirmou ser contra a publicidade das apostas online e ressaltou os impactos na saúde pública e mental dos apostadores, explicando que o vício em apostas é abordado como uma questão séria de saúde pública. Segundo ela, estima-se que 72 milhões de pessoas no mundo enfrentem problemas ligados às apostas. “O vício afeta não apenas o apostador, mas cerca de seis familiares diretos, aumentando casos de depressão, ansiedade, conflitos”, disse.

Além dos transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, que, segundo o psiquiatra Antônio Geraldo, estão entre as principais causas de afastamento do trabalho e gastos do INSS, ele ainda ressaltou que funcionários viciados em apostas enfrentam distração constante, inclusive operando máquinas ou dirigindo, além de pedir demissão prematuramente para sacar o FGTS e quitar dívidas de jogo.
O comércio varejista já observa perda de produtividade e distração de funcionários que fazem aposta online, de acordo com Felipe Mussalem, da Casas Pedro. Ele acrescentou que já é perceptível uma redução do consumo, já que a renda famílias destinada a bens de consumo, como alimentos, roupas, lazer, está sendo desviada para as apostas. Felipe disse ainda que há casos de fraudes, onde empresas relatam prejuízos internos e desfalques praticados por funcionários endividados em jogos.

Renata Filardi, da ABRH, destacou o endividamento dos funcionários das empresas, que está cada vez maior, assim como o fenômeno do presenteísmo, quando o profissional está fisicamente presente, ou conectado, no caso do home office, no local de trabalho, mas mentalmente e produtivamente ausente. Ela citou o exemplo de uma empresa que de janeiro a maio registrou um aumento de 40% no endividamento de seus funcionários.
O advogado Filipe Rodrigues, fundador da Associação Jogo Positivo abordou a questão da regulação das apostas online, que só aconteceu em 2024 no Brasil, mas que desde 2018 já eram divulgadas para a população. Ele defendeu a educação, especialmente de jovens e crianças sobre as apostas online, e a proibição da publicidade dos jogos.
O debate na íntegra está disponível no Canal ACRJ Divulga. Acesse aqui



