O presidente do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ, Sergio Costa e Silva, abriu a reunião mensal, dia 12 de agosto, com uma homenagem póstuma do Conselho ao cineasta Luiz Carlos Barreto, destacando seu papel como uma das maiores expressões da cultura e do cinema brasileiro, além de prestar condolências e solidariedade à sua família. Durante o encontro, a conselheira Lucy Barreto agradeceu a homenagem e compartilhou com os demais membros que ele vinha enfrentando complicações de saúde há cerca de dois anos e meio em decorrência de uma queda. “Agradeço o carinho de todos vocês e, apesar do momento de dor, ele pôde descansar” disse.
Lucy Barreto também comentou sobre a produção cinematográfica brasileira e destacou a política cultural identitária, que considera equivocada. “Precisamos fortalecer os grandes polos estruturados no Rio de Janeiro e em São Paulo, ao invés de privilegiar alguns “nichos””, disse. Ela ressaltou que órgãos, como a Secretaria do Audiovisual, já haviam mapeado essas necessidades na época da criação da Ancine, afirmando que a atual gestão demonstra desconhecer o funcionamento da indústria cultural.

No item da pauta sobre “África, Experiências e Perspectivas com Foco Cultural, os conselheiros Ana Cristina Carvalho e Riccardo Giovanni falaram sobre suas experiências em países africanos. Ana Cristina relatou sua experiência de três anos na presidência da Câmara África-América Latina e Caribe, quando passou a enxergar o continente não apenas como um espaço de oportunidades comerciais, mas como o berço cultural da humanidade. “São 54 países, uma população superior a 1,3 bilhão de habitantes e grande diversidade de línguas e culturas, além de riquezas minerais e laços históricos e naturais relevantes com o Brasil”, disse.
Ela destacou a percepção que os países africanos têm do Brasil como um parceiro estruturado e mencionou a retomada das relações bilaterais promovida pelo governo brasileiro por meio de acordos comerciais, culturais e no setor audiovisual. Por fim, Ana Cristina fez uma breve análise sobre a dinâmica geopolítica e econômica na África, abordando a influência histórica dos Estados Unidos e o avanço da China com investimentos em infraestrutura e produtos acessíveis.

Riccardo Giovanni, por sua vez, deu um depoimento sobre sua vivência em Nairóbi e o convívio com uma tribo local em áreas isoladas. Embora já tenha viajado por diversas partes do mundo, ele disse que nunca havia se aproximado da África. Sendo fotógrafo, ele passou dias ensinando técnicas de fotografia com celular e ficou impressionado com a rapidez e a capacidade de absorção de conhecimento deles. “Foi uma experiência reveladora e muito enriquecedora para mim e que me trouxe reflexões profundas de um estrangeiro sobre suas impressões a respeito do continente africano. Viajar pela África não se tratou apenas de turismo convencional ou de buscar lucros financeiros, mas de vivenciar a cultura local, testar a sociedade e compreender o que realmente é possível fazer na região”, disse.
Na sequência da reunião, a conselheira Vera Tostes falou sobre o seminário que vai contemplar as diferentes vertentes do setor de leilões, reunindo vertentes regulatórias, jurídicas e artísticas em um único debate. O evento, que será amplamente divulgado, acontecerá dia 9 de setembro, na ACRJ, com a presença de Paola Domingues Jacob, presidente da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro; Camila Nogueira Lima, da Camila Leilões; da empresária Soraia Cals; e mediação da própria Vera Tostes.

Em assuntos gerais, Sergio Costa e Silva adiantou a Visita guiada e reunião na Casa Cor, em outubro, e o tradicional almoço de confraternização, em dezembro. Também mencionou a programação musical da versão latino-americana do XXI RioHarpfestival, dia 16 de setembro, e os 30 concertos em espaços como CCBB, Museu de Justiça, Museu da Marinha, Centro Cultural da Justiça Federal, Igreja Santa Cruz dos Militares, Palácio Tiradentes, Museu Naval, entre outros. Enquanto os conselheiros Steve Solot fez uma atualização do projeto “Meu Primeiro Filme” e Sueli Voltarelli mencionou a exposição de Vik Muniz, prorrogada até outubro, de exposições atuais e futuras.
