Artigos de Opinião

O Acordo UE-Mercosul e o papel do Ensino Superior e de instituições como a ACRJ

Marcelo Henriques com os alunos no IBMEC (dir.)
Marcelo Henriques com os alunos no IBMEC (dir.)

O Acordo UE-Mercosul e o papel do Ensino Superior e de instituições como a ACRJ

Por Marcelo Henriques de Brito, membro do Conselho Diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro

Em fevereiro deste ano, tive o privilégio de palestrar no Conselho Empresarial de Comércio Exterior da ACRJ sobre a evolução do Acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Naquele momento, os desdobramentos eram ainda incertos e até imprevisíveis, embora houvesse evidências e expectativas de implementação daquele ambicioso acordo, cujas negociações iniciaram-se no final do século XX, com o desafio de lidar com interesses convergentes, distintos ou conflitantes — o que, por vezes, travou as negociações por períodos bastante longos. 

Minha intenção na ACRJ foi contribuir diretamente para a missão da Casa: traduzir a complexidade geopolítica e sinalizar tendências que impactam o dia a dia do mercado. O que não sabíamos era o quão rápido o cenário mudaria. A repercussão do evento foi imediata e, possivelmente, contribuiu para o desenvolvimento de muitas estratégias empresariais. Em meados de março, veio o anúncio que a aplicação provisória da parte comercial do acordo começaria já em 1º de maio de 2026.

O impacto direto dessas decisões na formulação de estratégias de negócios me motivaram a ir além da palestra. Junto com o professor Fernando Filardi, decidi transformar essa dinâmica viva em conhecimento prático. Escrevemos um caso para ensino que juntou a história da relação UE-Mercosul, os reflexos de outros acordos internacionais e o papel da bicentenária ACRJ. O objetivo foi estimular o debate entre estudantes sobre como eventos geopolíticos podem, de forma repentina e difusa, mexer com o mundo corporativo.

Recentemente, tivemos a oportunidade de testar e validar esse material como atividade de fechamento de uma disciplina em inglês no IBMEC Rio, que contou com a participação de estudantes europeus em intercâmbio. A experiência foi extremamente rica. Trata-se de um modelo educacional inovador e pronto para escala internacional, mostrando como as instituições de ensino superior podem — e devem — interagir com a realidade de mercado, gerando debates úteis para as carreiras e relevantes para a sociedade.

Por fim, porém não menos relevante, há uma reflexão que considero importante. Em tempos de uso crescente de inteligência artificial, o caso para ensino tem a intenção de estimular o pensamento crítico-analítico e, consequentemente, desenvolver habilidades com o uso diferenciado da inteligência humana.

Descrição do caso de ensino disponível em SSRN: http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.6960859

Marcelo Henriques de Brito é professor do Ibmec-Rio