Por Reinaldo Paes Barreto, vice-presidente do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ
O “Malbec Day” é um evento do governo argentino, tão relevante em termos de disseminação da imagem do país e do seu icônico vinho, que o convite é assinado pela respectiva representação diplomática (consulado ou embaixada) de cada um dos mais de 70 países com os quais a Argentina tem intercâmbios comerciais. Via de regra consiste em um simpático encontro de apreciadores e formadores de opinião de cada localidade, para a degustação dos cerca de 15 ou mais produtores de diferentes Malbecs e, também de outras vinícolas argentinas com presença no mercado internacional.
Curiosidade: vocês sabiam que além do rosé se produz Malbec branco?
Um gole de história
A uva Malbec é originária do sudoeste da França, da região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. Quando a praga filoxera devastou os parreirais europeus na metade do século XIX, ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino, que contratou o enólogo francês Michel Aimé Pouget (1853) para transformá-la na “marca símbolo” de Mendoza. Aliás, foi também determinante o apoio do então presidente da Argentina Faustino Sarmiento ((1868-1874, intelectual, escritor e gourmet , que possibilitou vencer todas as dificuldades burocráticas e até diplomáticas entre os dois países.
Mas só em 1996, quando o legendário vitivinicultor Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu o mundo enológico. A safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. E desde 2012 este casta vendo sendo (re)eleita o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados, e outras publicações congêneres, tendo recebido sempre notas perto de 100.
A coloração do vinho Malbec tinto é intensa, puxando para o encarnado escuro e o violeta. E o aroma apresenta aromas que lembram frutas vermelhas, ameixas maduras e até madeira. Combina bem com carnes, sobretudo a bovina e a de cordeiro; caça; e vai bem também com matambre, com todos os embutidos, e com queijos fortes. Só não casai com “dulce de leche”.
Mas é o melhor marido de “las empanadas, ché”.

Gabinete da presidência do INPI
e colunista de gastronomia e vinhos