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Governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, Luiz Césio Caetano (Firjan), Antonio Florencio de Queiroz Junior (Fecomércio RJ) e Josier Vilar (ACRJ) - Foto Vinicius Magalhães / Firjan

Manifesto Público – Em defesa do Rio de Janeiro e do Pacto Federativo

Os presidentes da ACRJ, Josier Vilar; da Firjan, Luiz Césio Caetano; e da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, se reuniram com o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, nesta terça-feira, dia 14, para falar sobre o impacto que a mudança na redistribuição dos royalties do petróleo e do gás natural pode trazer para o estado e os municípios produtores. Os três dirigentes entregaram ao governador um manifesto em defesa do Rio.

Manifesto na íntegra

A ACRJ, a FECOMÉRCIO-RJ e a FIRJAN, legítimas representantes do ecossistema empresarial do Estado do Rio de Janeiro, vêm a público alertar o Brasil para a gravidade do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, da ADI 4917, prevista para o próximo dia 6 de maio.

Não se trata de uma disputa jurídica.

Trata-se de uma decisão que pode impor ao Estado do Rio de Janeiro e aos municipios que contribuem para o ciclo produtivo do petróleo, uma das mais severas perdas econômicas de sua história — um impacto estimado em R$ 7 bilhões por ano, ou R$ 70 bilhões em uma década.

Uma decisão dessa magnitude não atinge apenas números.

Atinge hospitais, escolas, segurança pública, investimentos e, sobretudo, a vida de milhões de brasileiros.

A Lei nº 12.734/2012, ao promover a redistribuição dos royalties do petróleo, afronta de forma inequívoca o art. 20, § 1º, da Constituição Federal, que garante aos estados produtores o direito à compensação financeira pela exploração de recursos naturais em seus territórios e na plataforma continental.

Essa compensação não é privilégio.

É indenização.

Indenização pelos riscos ambientais, pelos impactos sociais e pela pressão estrutural que a indústria do petróleo impõe aos municípios que participam dessa cadeia produtiva.

Foi exatamente esse entendimento que levou a Ministra Cármen Lúcia, em 2013, a suspender os efeitos da referida lei por meio de decisão liminar — decisão essa que permanece atual, justa e necessária.

Nada mudou desde então.

Ao contrário: o cenário fiscal do Estado do Rio de Janeiro tornou-se ainda mais sensível.

E há um agravante incontornável:

Desde a Constituição de 1988, o Rio de Janeiro já sofre uma distorção estrutural ao não arrecadar o ICMS na origem sobre combustíveis, mesmo sendo o maior produtor nacional.

Ou seja, o Estado já contribui, há décadas, de forma desproporcional para o equilíbrio federativo.

Retirar agora os royalties do Estado e dos municipios fluminenses é ultrapassar o limite do razoável.

É romper o pacto federativo.

É punir quem produz.

É desorganizar financeiramente um estado estratégico para o Brasil.

As consequências serão graves, previsíveis e evitáveis.

Menos investimento.
Menos serviços públicos.
Mais instabilidade.
Mais desigualdade.

O Brasil não pode avançar à custa do colapso de um de seus principais estados.

Por isso, fazemos um apelo claro, direto e responsável aos Ministros do Supremo Tribunal Federal:

Que reafirmem a Constituição.
Que preservem o pacto federativo.
Que reconheçam, de forma definitiva, a inconstitucionalidade da Lei nº 12.734/2012.

Mais do que isso: que enfrentem o tema de forma estruturante, considerando as perdas históricas de ICMS pelo Estado do Rio de Janeiro.

O que está em jogo não é apenas o Rio de Janeiro.

É o respeito às regras do jogo.
É a segurança jurídica.
É a credibilidade institucional do país.

Sem pacto federativo, não há Nação forte.

JUSTIÇA, é o que o RIO DE JANEIRO espera.

Rio de Janeiro, Abril de 2026

Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ
Federação do Comércio, Turismo e Serviços do RJ – FECOMÉRCIO – RJ
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro – FIRJAN