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A corrupção que destrói o Brasil moral e economicamente

Foto: Reprodução Diário do Rio
Foto: Reprodução Diário do Rio

A corrupção que destrói o Brasil moral e economicamente

Por Josier Vilar – Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ. Artigo publicado no Diário do Rio

Ano após ano, o Brasil reaparece mal posicionado nos rankings internacionais de percepção da corrupção, como o Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International. A cada novo relatório repete-se o mesmo ciclo: indignação momentânea, discursos contundentes e promessas de mudança. Mas, na prática, pouco se transforma.

Escândalos se sucedem, operações policiais ocupam manchetes e CPIs são instauradas. Ainda assim, a pergunta permanece incômoda: se a maioria dos brasileiros afirma repudiar a corrupção, por que o país continua prisioneiro desse fenômeno?

A resposta exige abandonar o moralismo superficial e enfrentar o problema em sua dimensão estrutural. A corrupção sistêmica não nasce apenas de indivíduos desonestos. Ela prospera quando o próprio sistema cria incentivos perversos: burocracias que criam dificuldades para vender facilidades, legislações quase impossíveis de cumprir integralmente, instituições frágeis e uma cultura política historicamente indulgente com pequenos desvios.

O modelo político-eleitoral brasileiro também alimenta esse ambiente. Campanhas caras e um número excessivo de partidos, todos dependentes de recursos públicos e pouco conectados à sociedade, transformam a governabilidade em permanente barganha por cargos, verbas e influência.

O loteamento do Estado deixa de ser exceção e passa a fazer parte do “status quo”.

Some-se a isso a complexidade do próprio Estado brasileiro. Ao longo de décadas, construiu-se uma máquina pública pesada, marcada por regulação redundante e burocracia excessiva.

Onde há excesso de normas e interpretações, surgem intermediários, atalhos e desvios éticos.
A morosidade do sistema judicial agrava o problema. O Brasil não sofre por falta de leis, mas pela lentidão e imprevisibilidade na aplicação delas. Quando a punição demora ou se torna incerta, o efeito pedagógico desaparece e a sensação de impunidade se instala.

As consequências desse ambiente vão muito além da dimensão moral.

A corrupção também empobrece o ambiente de negócios e o país economicamente. Ela amplia o chamado Custo Brasil, reduz a competitividade, deteriora a reputação internacional e afugenta investimentos. Empreender torna-se mais arriscado. Investir torna-se mais incerto. Crescer torna-se mais difícil.

Romper esse ciclo exige coragem política e reformas estruturais.

Quatro mudanças são particularmente urgentes:
a) uma profunda reforma administrativa, capaz de instituir critérios de mérito e eficiência na máquina pública;
b) um Judiciário mais célere, que assegure decisões rápidas e previsíveis;
c) a redução do excessivo número de partidos políticos, que hoje fragmenta a representação e estimula a barganha permanente;
d) uma ampla simplificação da burocracia estatal, com maior transparência e digitalização dos processos públicos.

O Brasil não está condenado à corrupção. Está sim, aprisionado a um conjunto de regras e incentivos que favorecem a distorção e penalizam a produtividade.

Diagnósticos não faltam. Propostas também não. O que falta é decisão.

Cabe às lideranças políticas assumir o custo das reformas , e à sociedade civil exigir que elas aconteçam.

A cidadania plena e o desenvolvimento econômico e institucional do Brasil dependem disso.

Publicado originalmente no Diário do Rio