Mulheres que movem negócios, carreiras, vida pessoal. Esse foi o mote do encontro “Mulheres que movem o Brasil” promovido pelo Conselho Empresarial da Mulher no Ambiente de Negócios da ACRJ, dia 31 de março, que reuniu três grandes lideranças em seus setores: Luana Duffé, da Technip FMC; Luciana Abreu, S.C. Johnson e Coca-Cola, atualmente Global Leader Mars; e Valeria Soska, que atuou recentemente na Rede Globo. Um evento voltado para o protagonismo feminino, conduzido pela presidente do Conselho, Michelle Novaes, com mediação das conselheiras Rafaella Corti e Tatiana Cavalcante.

As convidadas compartilharam suas trajetórias, tanto profissional, quanto pessoal, mostrando como a vida familiar pode e deve ser conciliada com carreiras de sucesso. O evento contou ainda com a participação do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Leandro Pinheiro, e da subsecretária de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Carla Monnerat; do presidente do Conselho Superior a ACRJ, Ruy Barreto Filho, e da vice, Marta Arakaki; e da vice de Comunicação e Relações Institucionais da ACRJ, Jacyra Lucas.
Valéria Soskan, formada em matemática, detalhou sua transição da área de tecnologia para o setor comercial da TV Globo, destacando a importância de ser autêntica e de construir sistemas gerenciais e relacionamentos de confiança. A mudança, de acordo com ela, foi o momento mais desafiador de sua carreira, do ponto de vista emocional. “Saí de um ambiente de tecnologia para a área de publicidade, com um orçamento de mais de 12 milhões de reais e uma equipe de 250 pessoas”, disse.
Ao final de sua trajetória na Rede Globo, Valéria foi eleita uma força em um movimento do mercado publicitário que reconhece mulheres que conseguem entrar no mercado. Ela acredita que seu método de “não esmorecer” e seu sistema gerencial funcionaram, indicando que seu impacto se deu pela resiliência e capacidade de gestão em ambientes desafiadores. Recém-saída da Globo, Valéria é, desde 2021, membro do conselho consultivo da Edtech brasileira de inclusão digital, impacto social e diversidade, através da educação tecnológica.

Luciana Abreu falou sua experiência internacional de mais de duas décadas em grandes empresas multinacionais e a oportunidade de trabalhar em seis países diferentes. A virada de chave, segundo ela, foi “parar de tomar decisões baseadas em expectativas alheias e focar na minha autenticidade”. Ela contou que em seu primeiro ano na Johnson, “tentou ser quem não era para atender às expectativas de diferentes pessoas”, o que a deixou frustrada. Luciana enfatizou que “todas as mulheres movem o Brasil, independente da posição que elas ocupam”, e que não são apenas as mulheres em grandes espaços, mas principalmente aquelas que abrem espaço para outras.
Luana Duffé destacou sua jornada como engenheira civil e arquiteta, formada na Federal da Paraíba, sua paixão por engenharia mecânica, as experiências no Japão e Coreia, e o convite, há três anos, para assumir a área de energias renováveis na Technip FMC, um negócio que ainda não existia na companhia. Ela mencionou alguns desafios ao longo de sua carreira, como atuar em um mercado “extremamente masculino”, como de óleo e gás, e sua primeira viagem internacional para o Japão, sozinha e sem conhecer o idioma, e para a Coreia, onde trabalhou em um estaleiro. “As experiências me deram a segurança de que posso sobreviver em qualquer lugar”, afirmou. Ela atribui seu sucesso à sua criação e a escolha de um parceiro que a apoia. “Minha mãe e minha avó, me ensinaram a buscar conhecimento e a me ver de igual para igual com os homens”, afirmou.

O evento contou ainda com a participação da vice-presidente do Conselho Superior, Marta Arakaki, que compartilha suas experiências e visões sobre o empoderamento feminino, violência contra a mulher e a necessidade de mais mulheres na política. Sua história também é inspiradora, defendendo que mulheres com oportunidades devem ajudar outras, especialmente chefes de família. Ela criticou a percepção de que mulheres poderosas não chegaram lá por competência e aponta a necessidade de mudar a forma como homens são criados para respeitar mulheres.

A reunião foi encerrada com a diplomação de algumas conselheiras e uma confraternização entre as conselheiras e convidados. Confira alguns momentos do encontro.



Fotos: Adolfo Castro