O Conselho Empresarial de Segurança da ACRJ recebeu, dia 24 de março, três oficiais do Corpo de Fuzileiros Navais para falar sobre a modernização do treinamento tático da segurança diante dos desafios contemporâneos. Participaram do encontro o 1º Tenente Almir Chiarini, Capitão de Fragata Michel Melo e o Suboficial Ralph Thompson Jr. A reunião também contou com a presença da vice-presidente de Comunicação da ACRJ, Jacyra Lucas.
O presidente do Conselho, Vinícius Cavalcante, abriu o encontro ressaltando a importância das novas tecnologias no treinamento e seu papel fundamental para a defesa do país. “As exigências de treinamento de alto nível dos Fuzileiros Navais não se limitam ao contexto militar, podendo ser aplicadas com bastante eficácia na segurança pública e privada”, afirmou. Segundo ele, o país, e o estado do Rio de Janeiro em particular, vive uma “época adversa, onde a criminalidade atingiu níveis inéditos de ousadia, qualificação e sofisticação de equipamentos, onde as forças de segurança enfrentam uma autêntica estrutura de narcoguerrilha”.
O encontro marcou uma discussão de alto nível técnico, focada em como as forças de segurança estão se adaptando às novas ameaças de âmbito interno e externo. O primeiro palestrante foi o Comandante Michel Melo, que fez um breve resumo sobre a atuação do Batalhão de Polícia de Fuzileiros Navais e apresentou um balanço de suas atividades, destacando-se como a segunda organização militar que mais ministra cursos no Comando do Pessoal do Corpo de Fuzileiros Navais.

Como exemplo do trabalho, o oficial disse que no ano passado, o Batalhão alcançou a marca de 2.250 militares capacitados, operando em um regime intensivo de 348 dias letivos. “Através da criação de treinamentos específicos em Segurança e Proteção, bem como em Tecnologias Não Letais, a unidade expandiu sua atuação para órgãos externos, totalizando 410 civis e agentes de segurança treinados no último ano”, completou.
Ele abordou os desafios atuais enfrentados pelo treinamento do Batalhão, que refletem a complexidade das operações modernas, onde os conflitos cada vez mais urbanos exigem que a tropa atue com precisão cirúrgica em áreas densamente povoadas, respeitando infraestruturas críticas como escolas e hospitais. E mencionou a posição do Brasil como protagonista na globalização, ao sediar eventos de magnitude internacional como o G20 e reuniões da COP 30, “impondo uma camada adicional de responsabilidade e prontidão estratégica para o Batalhão dos Fuzileiros, consolidando a necessidade de um treinamento adaptável, ético e tecnologicamente avançado”.
Em seguida, o 1º Tenente Almir Chiarini acrescentou que o Corpo de Fuzileiros Navais vem consolidando parcerias estratégicas que unem o conhecimento dos setores público e privado para elevar o nível de seus treinamentos e operações. Uma das frentes de destaque, de acordo com ele, é a cooperação com o Comando de Proteção e Defesa, que atua no treinamento para lidar com ameaças nucleares, biológicas, químicas e radiológicas. “Embora muitas vezes associada a cenários de guerra externa, essa expertise é aplicada em contextos urbanos e industriais cotidianos, como na evacuação de instalações civis. O objetivo central é que o treinamento seja o mais fiel possível à realidade para evitar surpresas durante a atuação efetiva da tropa”, explicou.
O Suboficial Ralph Thompson Jr apresentou as áreas de capacitação e tecnologia para operadores de segurança e detalhou o uso de tecnologias não letais e letais, enfatizando a importância do treinamento contínuo. Ele mostrou a tecnologia “Blue Gun”, uma ferramenta para treinamento de repetição e manutenção de habilidades motoras, reduzindo custos com munição e desgaste de armas reais.
“O principal objetivo da capacitação no uso da força é proporcionar ao operador as habilidades e tecnologias necessárias para conduzir e explorar ao máximo o equipamento, garantindo que seja aplicado de forma necessária e proporcional, de acordo com a legislação vigente. A arma de fogo, por exemplo, deve ser sempre o último recurso de que se deve lançar mão, e nunca o primeiro”, afirmou.

Ele falou também sobre uma plataforma de treinamento militar desenvolvida que utiliza inteligência artificial para analisar a execução de movimentos dos operadores, comparando-os com padrões pré-definidos, e um projeto de simulador acessível de tiro, desenvolvido por um oficial fuzileiro, que permite treinamento com armas reais equipadas com munição laser.
Foi mencionada ainda a construção do primeiro Centro de Segurança Física Nuclear da América Latina, fruto de uma parceria com o Instituto de Engenharia Nuclear na Ilha do Fundão. Com previsão de conclusão para 2028, o complexo contará com laboratórios, simuladores e salas multifuncionais destinados ao planejamento de exercícios complexos e gestão de crises, incluindo cenários de terrorismo e guerra híbrida.
Encerrando as apresentações o Capitão de Fragata Michel Melo disse que o comando do Batalhão reiterou que a excelência em segurança é fruto de um trabalho colaborativo. “O objetivo contínuo é buscar novas parcerias que gerem um modelo de “ganha-ganha”, permitindo que a unidade compartilhe sua expertise enquanto absorve novas perspectivas de outras instituições de referência. Ninguém faz nada grande sozinho. O Batalhão de Polícia é hoje uma referência em segurança, mas estamos sempre abertos a novos caminhos e colaborações que possam contribuir para o setor”, concluiu.
