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Cosme Overney, senador Carlos Portinho, Ruy Barreto Filho, Marcos Ferreira e Luciano Carvalho

Representantes do setor de café do Rio debatem desafios, perspectivas e oportunidades

Produtores de café do Rio de Janeiro, representantes de Associações de classe e do poder público se reuniram, dia 16 de março, na sede da ACRJ, para um debate sobre os desafios, perspectivas e oportunidades para o setor cafeeiro do Rio de Janeiro em 2026 e como buscar financiamento público para novos projetos através do Funcafé, o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, uma iniciativa pública federal que financia toda a cadeia produtiva do café.

A reunião foi coordenada pelo presidente do Conselho Superior da ACRJ, Ruy Barreto Filho, que atua no setor há muitos anos, e contou com a participação do senador Carlos Portinho; do vice-prefeito de Santa Maria Madalena, Cosme Overney; do supervisor Regional Serrano da Emater, Marcos Ferreira; do secretário municipal de Desenvolvimento da Cafeicultura de Porciúncula, Luciano Carvalho, além de representantes das associações de classe do setor no Rio de Janeiro. O encontro teve o apoio da Sociedade Nacional de Agricultura – SNA.

Carlos Portinho e Ruy Barreto Filho

Em seu discurso de abertura, Ruy Barreto Filho enfatizou a importância da retomada da cafeicultura no estado do Rio de Janeiro como um motor de desenvolvimento econômico e social. Na oportunidade, ele lançou Movimento #VOLTACAFÉ, uma iniciativa conjunta dos produtores e associações ligadas ao café no estado, com o objetivo de resgatar o protagonismo do Rio na produção cafeeira.

“O principal objetivo do movimento é a geração de empregos, visando devolver dignidade às famílias fluminenses através do agronegócio”, disse Ruy Barreto Filho. Ele acrescentou que o movimento também vai buscar promover o café do Rio em restaurantes locais, focar em gestão, sustentabilidade e recuperar o orgulho do produtor. “O café é produzido majoritariamente por pequenos produtores, sendo uma das atividades que melhor remunera e distribui riqueza no campo”, disse.

Ele chamou a atenção para a baixa participação do Rio no Funcafé e defendeu que o crescimento do setor depende de incentivos públicos, citando exemplos de sucesso como Minas Gerais, Vietnã e Colômbia. De acordo com ele, a cafeicultura na região Noroeste do Rio emprega mais de três mil famílias, cerca de 12 mil pessoas. “No Brasil, a cadeia do café gera mais de quatro milhões de empregos”, acrescentou.

O discurso do senador Carlos Portinho focou na revitalização do setor agrícola do Rio de Janeiro. “Este encontro é uma “faísca” necessária para transformar o potencial do estado em uma chama de desenvolvimento econômico”, afirmou. Ele destacou a importância de municípios produtores como Cordeiro e Duas Barras, ressaltando que o estado possui ativos valiosos que precisam ser mais bem aproveitados para gerar emprego e renda. “Tenho buscado incentivar essas potencialidades por meio de emendas parlamentares e parcerias com a UERJ e a Emater”, explicou o senador.

Senador Portinho destacou a a importância de municípios produtores do Rio

“Precisamos aumentar a visibilidade do agronegócio fluminense em Brasília. O estado vende mal sua imagem, e é preciso mostrar que o modelo agrícola local, baseado em pequenos produtores e similar ao de Santa Catarina, merece uma fatia maior dos recursos do Plano Safra”, acrescentou.

Portinho sugeriu que os produtores elaborem uma proposta objetiva, focada em aspectos fiscais, geração de emprego e capacitação, inspirada em um “plano Safra estadual”, a ser entregue aos candidatos ao governo estadual. Ele também mencionou a necessidade de infraestrutura para beneficiamento de café em pelo menos três regiões do estado, visando processar e vender o produto regionalmente com exclusividade. “É necessário criar pelo menos três centros de beneficiamento no estado para que o café seja produzido, colhido, processado localmente e vendido com alguma exclusividade ao mercado consumidor do Rio de Janeiro”, completou.