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O Galeão como motor do desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro

Foto: Divulgação/RIOgaleão
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O Galeão como motor do desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro

Por Josier Vilar, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Artigo publicado no Diário do Rio

O anúncio de que o Rio de Janeiro poderá se consolidar como hub nacional e internacional da GOL representa uma excelente notícia para a economia da cidade e do estado. Trata-se de uma decisão estratégica que pode recolocar o Aeroporto Internacional do Galeão no centro da dinâmica econômica do país.

Mas, para que essa oportunidade se transforme, de fato, em um ciclo virtuoso de desenvolvimento, é fundamental que o Governo do Estado do Rio de Janeiro dê agora o próximo passo.

Diversos estados brasileiros já compreenderam que a aviação é um poderoso motor econômico e, mesmo com a reforma tributária em andamento, adotaram políticas de redução do ICMS sobre o querosene de aviação. Essa medida tem se mostrado decisiva para atrair voos, ampliar malhas aéreas e fortalecer aeroportos como hubs logísticos e turísticos.

Se o Estado do Rio avançar nessa direção, poderá acelerar significativamente o crescimento do Galeão e consolidar a cidade como uma das principais portas de entrada do Brasil para o mundo.

Outro passo importante seria estimular a utilização das antigas instalações da Varig, no entorno do aeroporto. Ali funcionou um dos mais avançados centros de treinamento de pilotos da América Latina. Transformar esse espaço no centro de simulação da GOL, além de ampliar a base de manutenção aeronáutica existente na região, representaria um movimento estratégico de grande impacto.

Com esses elementos combinados — hub aéreo, centro de treinamento, manutenção aeronáutica e ampliação da malha internacional — o entorno do Galeão teria todas as condições para evoluir para o conceito de Airport Free Zone.

A chamada free zone, ou aerotrópolis, é um modelo urbano e econômico no qual através de incentivos públicos, o aeroporto deixa de ser apenas um terminal de embarque e desembarque e passa a atuar como um grande motor de desenvolvimento da cidade.

Nesse modelo, diversas atividades se organizam ao redor da infraestrutura aeroportuária: centros logísticos globais, comércio internacional, turismo, centros de convenções, organizações tecnológicas e de saúde, além de hotelaria e serviços empresariais. O aeroporto passa a ser o núcleo de um verdadeiro ecossistema econômico.

Diversas cidades globais prosperaram a partir dessa lógica. Um dos exemplos mais emblemáticos é Amsterdã, cujo aeroporto se tornou um dos principais vetores de desenvolvimento econômico da região.

O Rio de Janeiro reúne todas as condições para trilhar esse caminho. Localização estratégica, forte vocação turística, grande mercado consumidor e uma infraestrutura aeroportuária robusta são ativos que poucas cidades do mundo possuem de forma tão integrada.

O que se exige agora é coordenação entre poder público e iniciativa privada, visão estratégica e decisões que priorizem o desenvolvimento econômico da cidade.

Nesse contexto, é justo reconhecer o esforço da Prefeitura do Rio de Janeiro e da GOL ao dar esse primeiro grande e importante passo nessa direção.

Se soubermos aproveitar essa oportunidade, o Galeão poderá voltar a ser não apenas um grande aeroporto, mas um dos principais motores da nova economia do Rio de Janeiro.

E, mais uma vez, a cidade poderá mostrar ao Brasil e ao mundo sua capacidade de se reinventar.

Publicado originalmente no Diário do Rio

Foto: Divulgação RIOGaleão