O Conselho Empresarial de Governança, Compliance e Diversidade da ACRJ recebeu, dia 6/3, Carlos Roberto Osorio, (Comitê Organizador do Panamericano de 2007), Alexandre Techima, Luiz Rodolfo Ryff e Sidney Levy (todos participaram do Comitê Rio 2016) para o debate sobre “Governança em grandes eventos: uma estrutura integrada para o desenvolvimento do Rio de Janeiro”.

A reunião foi coordenada pelo presidente do Conselho, Humberto Mota Filho, e contou com a presença do presidente da ACRJ, Josier Vilar; do ex-presidente da ACRJ, Grande Benemérito Humberto Mota; e do presidente do Conselho Superior, Ruy Barreto Filho.

Os convidados focaram em um tema estratégico para a cidade: como a governança e o compliance transformam grandes eventos em motores de desenvolvimento sustentável e ético. O debate girou em torno da profissionalização da gestão pública e privada, utilizando as lições aprendidas nos Jogos Olímpicos e no Pan-Americano para moldar a promoção de eventos futuros no Rio.
Sidney Levy, que foi CEO do Comitê Olímpico Rio 2016, abriu o debate falando sobre os investimentos necessários para realizar grandes eventos e contando como chegar a algumas soluções para impasses logísticos e operacionais. Ele deu o exemplo da realização das competições de vela na Baía de Guanabara e o fechamento do aeroporto Santos Dumont, cuja melhor solução encontrada na época foi sugerida por um funcionário público.
“Dentro da máquina pública brasileira existe gente que sabe resolver todos os problemas, mas eles estão escondidos atrás de cargos políticos. O papel do líder e da sociedade organizada não é brigar com a máquina pública, mas ter a habilidade de “garimpar” e dialogar com esses técnicos competentes que detêm a solução prática, permitindo que o capital e a operação fluam”, disse.

Em seguida, Carlos Roberto Osorio, secretário-geral do Comitê organizador do Pan-Americano Rio 2007, fez um breve resumo sobre os bastidores e desafios da trajetória do Rio de Janeiro até se tornar sede dos Jogos em 2007, cuja jornada começou ainda na década de 1990, com uma candidatura inicial de Brasília para os Jogos Olímpicos de 2000 e depois em 2004 que não se concretizaram.
“Após sucessivas derrotas, o Brasil compreendeu que precisava provar sua capacidade de entrega. Em vez de insistir diretamente nas Olimpíadas, o foco mudou para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Este evento serviu como teste de fogo necessário para ganhar a confiança internacional e alinhar as esferas federal, estadual e municipal. O sucesso foi fruto de um aprendizado contínuo sobre governança e articulação entre governo e sociedade”, afirmou.

O ex-diretor de Integração e Infraestrutura da Rio 2016, Alexandre Techima, fez uma apresentação sobre como a governança estratégica e o planejamento urbano permitiram que o Rio de Janeiro executasse um dos projetos olímpicos mais eficientes financeiramente, alinhando as necessidades do evento às carências reais da cidade. “A estratégia foi baseada na divisão da cidade em quatro zonas com necessidades distintas, permitindo que os Jogos servissem como motor de revitalização específico para cada uma”, explicou.
Um dos pilares do sucesso, segundo ele, foi a criação de um comitê especial pós-Pan que reuniu 28 secretarias municipais e estaduais. “A chave foi o consenso e o respeito absoluto à competência de cada ente público, evitando conflitos de hierarquia”, acrescentou. E enfatizou que o “segredo” do custo-benefício do evento foi a otimização do capital privado. “Grandes estruturas caras, como o Parque Olímpico, Vilas, Centro de Mídia e Centro de Transmissão foram financiadas majoritariamente por entes privados. O investimento público foi concentrado no que era essencial e deixaria legado direto para a população”, explicou.

Luiz Rodolfo Ryff, ex-diretor Jurídico da Rio 2016, abordou as questões jurídicas, burocráticas e operacionais da preparação para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, destacando que o legado não foi apenas físico. “O sistema de monitoramento de obras e planilhas de controle desenvolvido na época tornou-se um modelo de gestão de recursos e mobilidade que ainda serve como referência para projetos públicos atuais”, ressaltou.
No início, segundo ele, o Comitê Organizador era uma estrutura mínima, com cerca 24 pessoas, sem processos, cultura ou governança definida. “No auge, chegou a quase 600 colaboradores”. Luiz Ryff foi responsável por implementar políticas de compliance, códigos de ética, fluxos de viagem e auditorias, com apoio de consultorias, para profissionalizar a gestão e responder aos órgãos de controle. Ryff também enfatizou que um dos maiores ganhos foi a formação de profissionais brasileiros altamente qualificados em grandes eventos, com o conhecimento adquirido nos Jogos de 2016.

Depois de agradecer a presença de todos no encontro, Humberto Filho finalizou o encontro destacando o bom momento para este debate, já que o Rio busca reafirmar sua posição como hub global de negócios. Ele chamou a atenção para a presença de integrantes dos Comitês Rio 2016 e Rio 2007, dois grandes momentos para a cidade do Rio. “A presença de vocês nos proporcionou uma análise crítica sobre o que a cidade fez certo, os erros cometidos e como aplicar esse manual de sobrevivência aos novos desafios da cidade”, disse.
