Conselhos Empresariais
Capitão Daniel Ferreira de Souza durante palestra no Conselho de Segurança da ACRJ

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A evolução das organizações criminosas no Rio é tema de debate no Conselho de Segurança

O diretor de Ensino e Pesquisa da Subsecretaria de Inteligência da PMERJ, capitão Daniel Ferreira de Souza, foi o convidado da reunião mensal do Conselho Empresarial de Segurança da ACRJ, realizada dia 5 de fevereiro. Ele fez uma análise sobre o crime organizado e suas facções, baseada em seu livro “Guerras, Líderes e Símbolos: a história das facções e milícias do Rio de Janeiro”. Abertura do encontro contou com as participações do vice-presidente dos Conselhos Empresariais, Juedir Teixeira, e do presidente do Conselho, Vinicius Cavalcante.

Juedir Teixeira e Vinicius Cavalcante

Em sua trajetória na área de inteligência da Polícia Militar do Rio, o capitão Daniel de Souza teve acesso ao banco de dados da inteligência desde os anos 1960, quando começou sua pesquisa sobre a formação das facções no Rio de Janeiro. “Eu vi que havia uma lacuna muito grande na literatura brasileira sobre esse tema. Existem muitos livros que falam sobre o crime organizado, mas que não trazem uma estruturação de conteúdo, uma visão de quem está lá dentro, de quem conhece a máquina por dentro”, ressaltou ele, ao explicar a ideia de escrever o livro.

Uma das revelações em sua obra é a conexão entre a contravenção e o tráfico. Daniel afirma que a cúpula do Jogo do Bicho ajudou a estruturar o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, fornecendo o “know-how” e a base logística que hoje sustenta facções que operam em nível nacional. “Hoje o que nós vemos é uma disputa territorial intensa”, disse.

Capitão Daniel de Souza atua na área de Inteligência da PMRJ

Ele fez um estudo comparativo atualizado entre as duas maiores facções do país, o Comando Vermelho (CV), que possui uma presença territorial maior que a do PCC. “Hoje o CV está presente em quase todos os estados brasileiros (exceto o Distrito Federal). Sua força reside no territorialismo e no enfrentamento direto ao Estado com armas de guerra”, explicou. De acordo com o capitão, após rachas internos, a facção paulista tem focado mais no tráfico internacional de drogas, perdendo espaço em disputas territoriais internas para o CV, especialmente em estados como o Ceará.

Vinicius Cavalcante, acrescentou que o convidado “é um dos poucos pesquisadores no Brasil que mergulhou fundo na gênese do crime organizado no Rio de Janeiro”. E destacou que seu trabalho de pesquisa é algo inédito, porque ele teve acesso a documentos do setor de inteligência que poucas pessoas tiveram. “Ele consegue fazer um fio condutor, mostrando como a Falange Vermelha (que deu origem ao Comando Vermelho), a Falange Jacaré e o Terceiro Comando foram se estruturando e como a omissão do Estado, em muitos momentos, permitiu que essas organizações se transformassem no que são hoje”, afirmou.

Vinicius Cavalcante encerrou o encontro destacando que “a segurança pública é um problema multifacetado que não aceita soluções simples, exigindo que o Estado pare de ignorar técnicas de combate contra-insurrecionais modernas para enfrentar o modus operandi terrorista do crime atual”, concluiu.

Vinicius Cavalcante (d.) entregou um diploma de
participação ao capitão Daniel de Souza