O debate sobre políticas públicas para o desenvolvimento do esporte, realizado dia 21 de março, na sede da ACRJ, contou com participação do senador Carlos Portinho, do deputado federal Luiz Lima, e do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Marco La Porta. O encontro, uma iniciativa do Conselho Empresarial de Esporte, Lazer e Desenvolvimento Social da ACRJ, contou com a participação do presidente da ACRJ, Josier Vilar, e foi conduzido pela presidente do Conselho, Fabiana Bentes.
Josier Vilar destacou que o desenvolvimento econômico do Rio de Janeiro passa, necessariamente, pelo fortalecimento do esporte como um setor produtivo estratégico. De acordo com ele, mais do que a comercialização de ingressos para eventos esportivos ou a realização de competições, é fundamental enxergar o esporte como uma poderosa cadeia produtiva que pode ser um complexo industrial capaz de gerar emprego, fomentar a indústria e transformar a cidade em uma referência latino-americana na área.

Carlos Portinho, Ruy Barreto Filho e Luiz Lima
“A pergunta central que devemos nos fazer é: como essa movimentação esportiva pode gerar impacto direto na economia, na geração de empregos e na ampliação da capacidade produtiva da cidade? O Rio de Janeiro tem potencial para ser um polo esportivo de excelência, não apenas pelos eventos que recebe, mas pela estruturação de um ecossistema que envolve desde o turismo esportivo até a indústria de materiais e equipamentos, passando pela capacitação profissional, inovação tecnológica e investimentos em infraestrutura”, ressaltou.
Fabiana Bentes lembrou sobre a proposta do Conselho para este ano de realizar um Fórum de Secretários Municipais de Esporte com o objetivo de contribuir para a capacitação dos gestores dos municípios a fim de promover políticas públicas que, por meio do esporte, ajudem o desenvolvimento social e econômico do interior do estado do Rio. “O papel do Conselho de Esporte da ACRJ será atuar como um filtro inicial para avaliar propostas de eventos e direcioná-las de forma eficiente aos municípios, alinhadas com suas necessidades e potencialidades. Prefeitos que compreendem a importância dos eventos para o desenvolvimento regional tornam-se aliados essenciais nessa estratégia. A ideia é mapear as cidades que possuem infraestrutura e interesse em receber os eventos, criando um banco de dados robusto para facilitar essa interlocução”, explicou.
Um dos pilares dessa iniciativa, segundo ela, é o fortalecimento do uso das leis de incentivo ao esporte. “Esse modelo já é amplamente utilizado em projetos bem-sucedidos e pode ser um diferencial na captação de novos eventos para o estado, garantindo que os incentivos fiscais sejam otimizados para fomentar ainda mais o setor”, disse.
O apoio ao esporte, assim como a tributação sobre materiais esportivos foram temas levantados pelo presidente do COB. Segundo Marco La Porta, essas são questões estratégicas que precisam ser debatidas no Congresso. “Uma das primeiras ações que tomamos ao entrar no Comitê foi aprofundar nossos estudos sobre o assunto. A partir disso, implementamos medidas concretas, que já estão sendo aplicadas nos Jogos da Juventude, em parceria com a Vale. Criamos uma área específica dentro do Comitê Olímpico para viabilizar o uso desse recurso, porque entendemos que o investimento no esporte é uma aposta segura para as empresas” disse. Ele falou também sobre a candidatura do Rio e de Niterói para sediar os Jogos Pan e Parapan-Americanos. Nossa preocupação fundamental é que os Jogos não deixem uma dívida para as cidades, mas sim um legado esportivo”, disse.

E destacou que muitas vezes as empresas encontram dificuldades para realizar aportes diretos em patrocínios. “A lei de Incentivo ao Esporte foi criada justamente para facilitar essa conexão entre o setor privado e o esporte. Nosso objetivo é garantir que o Comitê Olímpico esteja sempre alinhado às necessidades dos atletas e ao desenvolvimento do esporte no Brasil. A defesa dessas políticas é essencial para alavancar investimentos. Não há resultado expressivo sem recursos adequados. Para alcançar excelência esportiva, é fundamental ampliar as possibilidades de financiamento e incentivar mais investimentos no setor”, garantiu.
O deputado Luiz Lima complementou que o cenário esportivo no Rio de Janeiro carece de investimentos, tanto no município quanto no Estado. “O apoio às modalidades esportivas ainda é insuficiente, e os clubes, que são a base da formação esportiva no Brasil, precisam de mais incentivos e parcerias para desempenhar esse papel fundamental. É essencial que o poder público crie oportunidades para os clubes de diferentes portes, por meio de incentivos fiscais, como isenção de impostos (IPTU, ISS, entre outros). Além disso, é estratégico estabelecer parcerias entre clubes e escolas, otimizando o uso de estruturas já existentes para fomentar o esporte desde a base”, afirmou.

Encerrando o debate, o senador Carlos Portinho falou sobre a ideia de um sistema esportivo escolar que poderá aproveitar a estrutura que o município do Rio já possui para desenvolver atividades esportivas. “Existe um sistema, e esse sistema foi implementado como uma política pública que continuará, mesmo com a mudança nos Governos. O município do Rio, por exemplo, possui uma ampla estrutura esportiva com vilas olímpicas, equipamentos nas escolas, arenas olímpicas e outros espaços. No entanto, há uma grande perda de oportunidade, pois não estruturamos um sistema esportivo escolar durante as Olimpíadas, quando havia recursos para isso. Hoje, esses equipamentos existem, mas as crianças, tanto da comunidade quanto das escolas, não têm acesso. O município e o Estado precisam garantir esse acesso e integrar esses espaços às políticas esportivas”, afirmou.
Ele finalizou chamando a atenção para um tema controverso: a proposta do Governo do Estado de transformar o Complexo Lagoon, na Lagoa, em um centro se convenções. Segundo ele, é preciso rever esta decisão e encontrar um solução voltada para esporte, como a criação no local de um parque náutico de Remo, “um projeto, inclusive, que já existe da própria Secretaria Estadual de Esporte” completou.

do parque náutico de remo
Por Cláudia Moreira