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Uma boa gestão é fundamental para a preservação dos patrimônios culturais, diz especialista

Em sua palestra sobre preservação do patrimônio cultural, a arquiteta urbanista e consultora na área de patrimônio e gestão urbana, Jurema Machado, destacou os atributos de um bom projeto de preservação, que inclui o uso e a apropriação social do bem; a consistência técnica, a viabilidade legal; estratégias de gestão e governança pós-intervenção; avaliação e monitoramento, entre outras ações. Ela contextualizou a trajetória da proteção do patrimônio, com ênfase nos bens materiais, desde o final da década de 1930 e disse que o sentido do patrimônio está em “refletir criticamente sobre o passado, para interferir nas possibilidades do presente e do futuro”, afirmou.
Jurema, que foi presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de 2012 a 2016, foi a convidada da reunião virtual do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ, dia 11/5. Ela fez a palestra Desafios da Preservação, da Gestão e do Uso do Patrimônio Cultural Brasileiro. Especificamente falando sobre o Rio de Janeiro, a arquiteta informou que há atualmente 135 processos de tombamento na cidade sob a responsabilidade do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e mais 150 no Iphan.
Ela também mencionou a restauração do prédio do Palácio do Itamaraty, na região central da cidade, que conta com sua participação. Tombado pelo Iphan em 1938, o Itamaraty, construção de 1855, é uma das primeiras edificações a receberem tal reconhecimento no país e foi encomendado pelo Barão do Rio Branco. “A restauração do Itamaraty envolve uma complexidade muito grande porque precisávamos que o projeto oferecesse as condições físicas necessárias para manter e preservar todo seu acervo. Isso é o mais importante e o foco de todo nosso trabalho”, explicou. Segundo ela, já são três anos de execução do projeto, com previsão em torno de mais cinco anos para sua implantação.
A arquiteta ainda falou sobre o caso de Brasília, cujo conjunto urbanístico-arquitetônico foi tombado pelo Iphan em 1990. “Sem ele, certamente a capital federal não estaria tão preservada como se vê hoje”, afirmou.
Finalizando sua apresentação, Jurema listou onde ainda é preciso avançar na questão da preservação dos patrimônios culturais. “Principalmente, no planejamento e nos sistemas de gestão da cultura, dos museus e do patrimônio que integrem os três níveis de governo e inclua o setor privado e a sociedade. Legislação nós temos, mas o grande estrangulamento está nesta interação dos governos federal com os entes estaduais e municipais”, ressaltou.
O presidente do Conselho, Douglas Fasolato, destacou a importância da gestão do nosso patrimônio. “O patrimônio cultural precisa de sensibilização, é um trabalho constante. E sua palestra nos mostrou como a preservação é fundamental”, finalizou.

A palestra na íntegra está disponível no canal ACRJ Divulga.
Acesse aqui: https://youtu.be/j0-kPjmSu_