Por Juedir Teixeira, vice-presidente e presidente do Conselho Empresarial de Varejo da ACRJ
No dia 16 de julho, o Brasil celebra o Dia do Comerciante, uma data que vai muito além de uma homenagem a quem compra e vende produtos. É o reconhecimento daqueles que, diariamente, assumem riscos, geram empregos, movimentam a economia e, acima de tudo, servem pessoas.
A escolha da data não foi por acaso. O dia 16 de julho faz referência ao nascimento de José Maria da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, considerado o patrono do comércio brasileiro. Economista, jurista e um dos principais defensores da liberdade econômica, foi um dos grandes responsáveis por influenciar a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, em 1808, medida que marcou o início da modernização do comércio nacional e abriu caminho para o desenvolvimento econômico do país.
Mais de dois séculos depois, o comércio continua sendo uma das principais forças da economia brasileira. São milhões de empresas, formais e informais, que diariamente atendem consumidores, distribuem produtos, prestam serviços e fazem a riqueza circular por todas as regiões do país.
Mas reduzir o comerciante a alguém que vende mercadorias é não compreender a verdadeira essência da atividade.
Ao longo de minha trajetória como empresário, professor, consultor e estudioso da gestão empresarial, aprendi que o comércio é, antes de tudo, uma atividade profundamente humana.
Costumo dizer que uma empresa é formada por pessoas para servir pessoas.
O cliente é uma pessoa.
O colaborador é uma pessoa.
O fornecedor é uma pessoa.
O empresário é uma pessoa.
E a sociedade, que recebe os impactos positivos das empresas, também é formada por pessoas.
Por trás de cada loja existe uma história de coragem, trabalho, perseverança e esperança. Existe alguém que acorda cedo para abrir as portas, que enfrenta oscilações da economia, mudanças no comportamento do consumidor, aumento de custos, concorrência cada vez mais intensa e inúmeros desafios regulatórios.
Apesar de tudo isso, continua acreditando no empreendedorismo como instrumento de transformação.
O comerciante é um dos maiores investidores sociais do país.
É ele quem oferece o primeiro emprego para milhares de jovens.
Quem gera renda para famílias.
Quem paga impostos que financiam políticas públicas.
Quem patrocina projetos culturais, esportivos e sociais em sua comunidade.
Quem conhece seus clientes pelo nome e participa da vida do bairro onde está inserido.
No varejo, essa relação humana é ainda mais evidente.
Durante décadas vivendo intensamente esse setor, tive o privilégio de conhecer empresários extraordinários. Pessoas que começaram pequenas, muitas vezes atrás de um balcão, e construíram empresas sólidas sem jamais perder a proximidade com seus clientes.
Aprendi também que o verdadeiro patrimônio de uma empresa não está apenas em seus estoques, equipamentos ou instalações. Seu maior patrimônio são as pessoas e os relacionamentos construídos ao longo do tempo.
Vivemos hoje uma época marcada pela transformação digital, pela inteligência artificial, pelo comércio eletrônico e por consumidores cada vez mais exigentes.
A tecnologia continuará mudando a forma de vender. Mas dificilmente substituirá aquilo que faz um comerciante ser lembrado: a confiança, o relacionamento, a credibilidade e a capacidade de compreender as necessidades das pessoas.
Tecnologia é ferramenta.
Relacionamento é diferencial competitivo.
Essa visão sempre orientou minha atuação no varejo e também minha atividade como consultor. Antes de analisar números, indicadores ou processos, procuro compreender as pessoas que fazem parte do negócio.
Porque empresas bem administradas não existem apenas para gerar lucro. Existem para criar valor para clientes, colaboradores, fornecedores, acionistas e para toda a sociedade.
Neste Dia do Comerciante, minha homenagem vai para cada empreendedor que, mesmo diante das dificuldades, continua acreditando no Brasil.
Para quem abre sua loja todos os dias com esperança.
Para quem gera oportunidades.
Para quem inova.
Para quem serve.
Para quem transforma desafios em crescimento.
O comércio não movimenta apenas mercadorias.
Movimenta sonhos.
Movimenta famílias.
Movimenta cidades.
Movimenta o país.
Que o Dia do Comerciante seja também um convite para valorizarmos aqueles que fazem da atividade empresarial um verdadeiro compromisso com o desenvolvimento econômico e social.
Porque, no final das contas, o maior produto que um comerciante entrega não é aquilo que está na prateleira. É confiança, prosperidade e um futuro melhor para todos.
Foto ilustrativa: Magnific