Por Josier Vilar – presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Artigo publicado no Jornal O Dia
Poucos lugares no mundo são tão imediatamente reconhecíveis quanto Copacabana. Sua praia emblemática, seu calçadão icônico, sua história cultural e a vocação cosmopolita transformaram o bairro em uma vitrine internacional do Rio de Janeiro.
Justamente por isso, Copacabana não pode se permitir conviver com soluções urbanas improvisadas ou intermitentes.
O desafio é claro e urgente: transformar Copacabana em um bairro inteligente, funcional e seguro, capaz de operar plenamente 24 horas por dia, sete dias por semana, à altura de sua relevância global, e ser objeto de desejo para se viver e visitar.
Copacabana reúne características singulares. É um dos bairros mais densamente povoados do país, com uma expressiva população de idosos que depende de acessibilidade, serviços públicos eficientes e sensação permanente de segurança.
Ao mesmo tempo, recebe milhões de turistas todos os anos, que circulam pelo bairro em horários diversos, movimentando comércio, serviços, lazer e mobilidade urbana.
Essa combinação exige um novo paradigma de gestão. Um bairro com essa complexidade não pode “funcionar” apenas em horários comerciais ou depender de ações esporádicas do poder público. Precisa de planejamento, presença contínua do Estado e uso inteligente da tecnologia.
A mobilidade deve ser orientada pela acessibilidade: sinalização clara, placas trilíngues, sinais de trânsito inteligentes, tempos semafóricos ajustados ao fluxo real de veículos e pedestres, travessias seguras e calçadas niveladas, bem iluminadas e desobstruídas.
Em um bairro de intenso fluxo de pessoas, a calçada é tão estratégica quanto a rua.
Calçadas degradadas ou ocupadas de forma desordenada afastam moradores, inibem turistas e enfraquecem o comércio local. Não são detalhes urbanos: são fatores decisivos de qualidade de vida, segurança, desenvolvimento econômico e cidadania.
Um bairro global não pode conviver com serviços públicos intermitentes. Iluminação, limpeza urbana, ordenamento do espaço, transporte e atendimento ao cidadão precisam operar de maneira contínua.
Copacabana não fecha à noite — o poder público também não pode se ausentar.
Não há vitalidade urbana sem sensação de segurança. Mais do que ações pontuais, o bairro precisa de presença permanente, visível e integrada das forças de segurança, associada ao enfrentamento firme da desordem urbana. Isso cria confiança, atrai investimentos e devolve o espaço público aos cidadãos.
Quando a cidade funciona, o comércio reage. Lojas permanecem abertas, serviços se instalam, bares e restaurantes se qualificam, atividades culturais e financeiras florescem.
O resultado é emprego, renda, movimento e mais segurança natural nas ruas.
Transformar Copacabana em um bairro inteligente é, acima de tudo, uma escolha de futuro: um futuro em que moradores se sintam protegidos, idosos respeitados, turistas bem recebidos, investidores e jovens empreendedores estimulados e que o espaço público volte a ser sinônimo de convivência, vitalidade e orgulho carioca.