Conselhos Empresariais
O economista Márcio Sette com a presidente do Conselho, Célia Regina

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Especialistas debatem comércio internacional e situação da Venezuela

O economista Márcio Sette Fortes foi o convidado da reunião do Conselho Empresarial de Comércio Exterior da ACRJ, dia 22 de janeiro, dedicada à análise de temas centrais da agenda econômica e do comércio exterior brasileiro. Durante a palestra “As perspectivas econômicas e política da Venezuela no comércio internacional”, Márcio Sette fez uma análise estratégica sobre acordos internacionais, financiamento ao comércio e o contexto econômico regional.

Ele mencionou sobre a mudança na política de preços da Petrobras, que em 2023 suspendeu a Paridade de Preços de Importação (PPI). “Apesar de reduzir a dependência direta da cotação internacional do barril Brent, o Brasil continua sensível aos preços globais, especialmente no diesel”, explicou.

O economista ressaltou que o parque industrial de petróleo da Venezuela está sucateado após 20 anos de falta de investimento, o que impede um aumento imediato da produção, mesmo que o país possua as maiores reservas do mundo. Sobre os impactos para o Estado do Rio de Janeiro, a maior preocupação, de acordo com ele, está no impacto de uma possível saturação de petróleo no mercado global caso a produção venezuelana seja retomada sob controle norte-americano. “O petróleo representa 40% do PIB total e 80% do PIB industrial do Rio de Janeiro, por esta razão, uma queda acentuada nos preços internacionais reduziria drasticamente as receitas de exportação da Petrobras e, consequentemente, a arrecadação e a economia fluminense”, completou.

Ele falou ainda sobre o Acordo de Complementação Econômica nº 59 (ACE 59) e o Acordo Mercosul–União Europeia e a suspensão temporária (já revogada) do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que autoriza a entrada de produtos brasileiros na Venezuela com tarifa zero, mediante certificação de origem.

O encontro também contou com uma análise política, feita pelo vice-presidente do Conselho, Pedro Rafael, sobre a crise na Venezuela, mesclando fatos históricos e as recentes mudanças políticas e econômicas. “A Venezuela vive hoje uma extrema insegurança jurídica, onde a sobrevivência econômica depende de uma abertura ao mercado internacional e do pagamento de dívidas do passado, e onde é urgente a reconstrução econômica e política do país”, afirmou.

Pedro Rafael fez uma análise histórica da situação da Venezuela