Conselhos Empresariais

Especialista fala sobre oportunidades e desafios do setor elétrico no Brasil

O diretor Geral da Wartsila, Jorge Alcaide, foi o convidado da reunião do Conselho Empresarial de Energia e Transição Energética da ACRJ, realizada dia 28 de março. A reunião foi conduzida pela vice-presidente do Conselho, Kátia Repsold. A Wartsila, com sede na Finlândia, está no Brasil desde 1990 e já projetou e construiu 31 usinas no país. É líder global em tecnologias inovadoras e soluções de ciclo de vida para os mercados marítimo e de energia.

Jorge Alacaide falou sobre oportunidades e desafios do setor elétrico, a interação com o mercado de gás, biogás e outras fontes de energia. Segundo ele, o Brasil está vivendo uma experiência inédita na geração de energia elétrica. Pela segunda vez, e com ainda mais força este ano, de acordo com ele, terá um leilão de capacidade de energia. “Isso reflete a necessidade de garantir potência instalada para atender à demanda, mesmo que essa energia não esteja em uso constante”, disse.

Kátia Repsold e Jorge Alcaide

Ele explicou que esse modelo já é amplamente adotado em mercados maduros, como nos Estados Unidos, especialmente no Texas, onde usinas flexíveis são ativadas apenas quando necessário. “Um exemplo disso é uma usina em Dallas, que já foi ligada e desligada 400 vezes só nos primeiros três meses do ano. Esse tipo de flexibilidade é essencial para lidar com a intermitência das fontes renováveis. Afinal, não há vento e sol disponíveis o tempo todo, e ainda não conseguimos armazenar energia de maneira eficiente”, completou.

Para ele, o grande desafio do Brasil é viabilizar essa flexibilidade, especialmente quando se trata do fornecimento de gás. “Para se ter uma ideia, uma usina pequena consome mais gás do que toda a Zona Sul do Rio de Janeiro, enquanto uma usina de grande pode demandar mais do que o consumo residencial de todo o estado. No entanto, os fornecedores de gás não aceitam contratos flexíveis, pois exigem investimentos robustos e previsibilidade de compra”, ressaltou.

Diante desse cenário, ele mostrou que há uma alternativa inovadora: o etanol. “Por que não gerar energia com etanol? O etanol já é amplamente utilizado em motores de combustão interna no Brasil e seu uso em geração pode trazer maior autonomia e flexibilidade ao setor elétrico. Ele se apresenta como uma solução viável para geração de energia, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Este é o momento de repensar as bases do nosso sistema energético e buscar soluções que garantam segurança e eficiência na matriz elétrica do país”, acrescentou.