{"id":9728,"date":"2021-11-16T13:08:00","date_gmt":"2021-11-16T16:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=9728"},"modified":"2021-11-16T15:50:50","modified_gmt":"2021-11-16T18:50:50","slug":"a-longevidade-das-empresas-familiares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2021\/11\/16\/a-longevidade-das-empresas-familiares\/","title":{"rendered":"A Longevidade das Empresas Familiares"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Renata Barbieri Coutinho(*)<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a uma certa confus\u00e3o de entendimento, as empresas familiares podem ser percebidas apenas como um pequeno ou m\u00e9dio neg\u00f3cio n\u00e3o profissionalizado, o que n\u00e3o necessariamente \u00e9 verdade. Quando consideramos a defini\u00e7\u00e3o como companhias com controle pertencente a pelo menos uma fam\u00edlia empres\u00e1ria, estamos falando da grande maioria das organiza\u00e7\u00f5es no Brasil e no mundo. E, de acordo com a lista das maiores empresas pelo \u00edndice Global 500 da Brand Finance 2019, encontramos exemplos como a Samsung, BMW, Tata Group, Walmart, Ita\u00fa, Danone e Lego<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas familiares tendem tamb\u00e9m a ter uma melhor performance no longo prazo. H\u00e1 diversos estudos que confirmam o desempenho superior, al\u00e9m de uma maior resili\u00eancia em per\u00edodos de crise, como a que vivemos recentemente na pandemia.<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos se surpreendem ao saber que as empresas mais antigas do mundo s\u00e3o familiares. S\u00e3o companhias milenares que incrivelmente permanecem nas m\u00e3os da mesma fam\u00edlia desde sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje. Alguns exemplos s\u00e3o museus, vin\u00edcolas, produtoras de azeite e hot\u00e9is no Jap\u00e3o e na Europa.<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 extremamente dif\u00edcil fazer com que neg\u00f3cios, familiares ou n\u00e3o, durem muito tempo. No caso do Brasil h\u00e1 poucas empresas centen\u00e1rias. Mesmo considerando a composi\u00e7\u00e3o do Ibovespa nos anos 70 comparado \u00e0 composi\u00e7\u00e3o atual, s\u00e3o poucas as empresas (somente o Ita\u00fa e mais 3 outras) que permanecem no \u00edndice, muitas simplesmente deixaram de existir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao inv\u00e9s de olhar para a sobreviv\u00eancia das empresas em si, o professor do MIT John Davis liderou um estudo interessante. O foco foi na trajet\u00f3ria de patrim\u00f4nio das fam\u00edlias empres\u00e1rias ao longo do tempo, considerando todos seus bens, inclusive os investimentos diretos em empresas<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como no famoso ditado \u201cPai rico, filho nobre e neto pobre\u201d, apenas 15% das fam\u00edlias empres\u00e1rias conseguiram sobreviver como grupo empresarial e entrar numa trajet\u00f3ria de crescimento de patrim\u00f4nio a partir da 3\u00aa gera\u00e7\u00e3o. O principal motivo da longevidade foi o desenvolvimento de forma equilibrada de 3 pilares:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crescimento<\/strong> do patrim\u00f4nio da fam\u00edlia como um todo vis a vis seus gastos,<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uni\u00e3o<\/strong> dos familiares como grupo de s\u00f3cios\/acionistas num prop\u00f3sito maior,<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desenvolvimento de Talentos <\/strong>familiares (principalmente como s\u00f3cio\/acionista) e membros n\u00e3o familiares (profissionais atuantes nos neg\u00f3cios de fora da fam\u00edlia).<\/p>\n\n\n\n<p>Os neg\u00f3cios familiares de sucesso, possivelmente atrav\u00e9s de gest\u00e3o e governan\u00e7a, conseguiram desenvolver e equilibrar esses 3 pilares ao longo do tempo. De acordo com a pesquisa, a tr\u00edade se retroalimenta positivamente. &nbsp;Por outro lado, a falta de um ou dois pilares por muito tempo acaba levando os neg\u00f3cios a ca\u00edrem na `regra\u00b4 das 3 gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande dificuldade das fam\u00edlias empres\u00e1rias \u00e9 compreender que o mais importante \u00e9 formar bons s\u00f3cios, n\u00e3o necessariamente bons gestores. A gest\u00e3o do neg\u00f3cio, ao contr\u00e1rio das responsabilidades associadas a propriedade, pode ser mais facilmente delegada a outros profissionais. No Rio de Janeiro temos o exemplo da Mills j\u00e1 na 3\u00aa gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possui qualquer membro da fam\u00edlia controladora em cargo executivo, mas os acionistas familiares participam ativamente de cargos de governan\u00e7a no sistema familiar (modelo dos 3 c\u00edrculos, fam\u00edlia, empresa e propriedade).<\/p>\n\n\n\n<p>O essencial \u00e9 que os herdeiros como grupo estejam unidos num prop\u00f3sito comum e tenham preparo e capacidade de tomar decis\u00f5es em conjunto. A Apsa, outra empresa carioca, al\u00e9m de profissionais familiares na gest\u00e3o, vem investindo nos \u00faltimos anos fortemente em governan\u00e7a no sistema familiar. Esse processo tem facilitado a transi\u00e7\u00e3o do comando da 2\u00aa gera\u00e7\u00e3o para 3\u00aa gera\u00e7\u00e3o. A 4\u00aa gera\u00e7\u00e3o embora ainda muito jovem j\u00e1 est\u00e1 sendo preparada como futuro grupo de s\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao olharmos para o atual ambiente VUCA ou BANI, com o ciclo de vida dos neg\u00f3cios cada vez mais curto, h\u00e1 possivelmente menos tempo para ajustar os desequil\u00edbrios no sistema familiar. Por outro lado, o desenvolvimento dos 3 pilares citados exige um certo esfor\u00e7o de tempo, planejamento e amadurecimento dos membros familiares. A import\u00e2ncia da fam\u00edlia se alinhar como grupo de s\u00f3cios e se preparar para tomar decis\u00f5es complexas pode fazer muita diferen\u00e7a num futuro cada vez mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas familiares milenares provavelmente adequaram sua governan\u00e7a e gest\u00e3o de maneira a garantir sua sobreviv\u00eancia, mas quantas deixaram de existir? Hoje sabemos que com estruturas de governan\u00e7a apropriadas para os desafios de cada neg\u00f3cio e cada fam\u00edlia as chances de entrar na trajet\u00f3ria de longevidade aumentam muito. O esfor\u00e7o hoje tende a tornar a vida no futuro bem mais f\u00e1cil, n\u00e3o s\u00f3 para a fam\u00edlia empres\u00e1ria, mas para todos os stakeholders envolvidos e a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>(*) Renata Barbieri Coutinho &#8211; Empres\u00e1ria, professora do IAG\/ PUC\/RJ, membro do Conselho Empresarial de Governan\u00e7a e Compliance da ACRJ e consultora associada da Cambridge Family Enterprise Group<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/brandirectory.com\/rankings\/global-500-2019\/\">https:\/\/brandirectory.com\/rankings\/global-500-2019\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.credit-suisse.com\/corporate\/en\/articles\/news-and-expertise\/the-family-business-premium-201809.html\">https:\/\/www.credit-suisse.com\/corporate\/en\/articles\/news-and-expertise\/the-family-business-premium-201809.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.worldatlas.com\/articles\/the-oldest-companies-still-operating-today.html\">https:\/\/www.worldatlas.com\/articles\/the-oldest-companies-still-operating-today.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Davis, J and&nbsp; Cambridge Family Enterprise Group (2018)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renata Barbieri (*)<br \/>\nDevido a uma certa confus\u00e3o de entendimento, as empresas familiares podem ser percebidas apenas como um pequeno ou m\u00e9dio neg\u00f3cio<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":9737,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-9728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9728\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}