{"id":6312,"date":"2020-11-24T16:00:28","date_gmt":"2020-11-24T19:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=6312"},"modified":"2020-11-24T14:20:59","modified_gmt":"2020-11-24T17:20:59","slug":"politica-pesa-mais-que-racionalidade-em-investimento-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2020\/11\/24\/politica-pesa-mais-que-racionalidade-em-investimento-publico\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica pesa mais que Racionalidade em Investimento P\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p>Artigo do conselheiro Fernando Cariola Travassos (*)<\/p>\n\n\n\n<p>Temos grande dificuldade em priorizar gastos em geral e investimentos em particular. Quando os recursos t\u00eam dono, a tarefa \u00e9 mais f\u00e1cil, mas n\u00e3o quando se trata de recursos de 212 milh\u00f5es de \u201cacionistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal problema tem sido encarado h\u00e1 muito tempo, desde 1870, atrav\u00e9s de estudos desenvolvidos pelos americanos Arthur Mellen Wellington, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/John_Charles_Lounsbury_Fish\">John Charles Lounsbury Fish<\/a>&nbsp;e Eugene L. Grant, que deram base ao que \u00e9 intitulado, desde 1930, Engenharia Econ\u00f4mica ( Engineering Economy). Trata-se de priorizar investimentos de forma a otimizar a repercuss\u00e3o para a sociedade em que est\u00e3o inseridos, levando-se em conta o tempo e a taxa de juros. Em outras palavras, considera-se o custo do tempo (oportunidade), para elevar o bem estar da sociedade o mais rapidamente poss\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os conceitos de Valor Presente, Taxa de Retorno e C\u00e1lculo de Custos e Benef\u00edcios Sociais foram reunidos no Brasil num livro cl\u00e1ssico dos autores Abelardo Puccini, Geraldo Hess, Jos\u00e9 Luiz de Moura Marques e Luiz Carlos da Rocha Paes, sob o t\u00edtulo Engenharia Econ\u00f4mica, em 1969.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, em geral, os investimentos p\u00fablicos n\u00e3o passam pelo crivo desses instrumentos. O que manda \u00e9 a geografia pol\u00edtica, a ideologia, o DNA partid\u00e1rio, s\u00e3o as emendas parlamentares com todos os seus v\u00edcios, gerando-se gastos exagerados, obras fara\u00f4nicas a serem inauguradas num futuro remoto. Resultado: recursos financeiros, m\u00e3o de obra, mat\u00e9rias-primas e, principalmente, tempo, mal utilizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos de aplica\u00e7\u00e3o de tais conceitos n\u00e3o faltam: um investimento em saneamento trar\u00e1 o benef\u00edcio de menos gastos com interna\u00e7\u00f5es nos hospitais, menos aus\u00eancias ao trabalho e \u00e0s escolas, maior produtividade e bem estar da popula\u00e7\u00e3o. Com o mesmo custo, a constru\u00e7\u00e3o de uma pra\u00e7a de lazer, embora mais eleitoreira, deveria ter menor prioridade, pois sua rela\u00e7\u00e3o entre benef\u00edcios e custos seria menor. Da mesma forma, gastos (\u201ccustos\u201d) com manuten\u00e7\u00e3o de encostas, limpeza de galerias pluviais e dragagem de calhas de rios&nbsp; reduzem (\u201cbenef\u00edcios\u201d) os danos&nbsp; materiais e humanos decorrentes de inunda\u00e7\u00f5es nos per\u00edodos de chuvas. Investimentos em educa\u00e7\u00e3o aumentam a produtividade do trabalho, bem como reduzem custos decorrentes de acidentes, aumentam a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade pessoal etc. <strong>Manuten\u00e7\u00e3o<\/strong> de patrim\u00f4nio p\u00fablico economiza gastos de sucateamento e reconstru\u00e7\u00e3o, embora nossos pol\u00edticos gostem mais da palavra <strong>Inaugura\u00e7\u00e3o<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo pode ser razoavelmente quantific\u00e1vel, possibilitando uma ordem de prioridade, embora a tenta\u00e7\u00e3o eleitoreira e a corrup\u00e7\u00e3o sempre afastem a op\u00e7\u00e3o mais eficiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas subcontrata\u00e7\u00f5es para execu\u00e7\u00e3o das obras, bem como nas concess\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos, as taxas de retorno das firmas privadas (\u201clucro\/investimento\u201d) ser\u00e3o as requeridas pelos empres\u00e1rios e n\u00e3o as decorrentes de concorr\u00eancias vencidas pelo crit\u00e9rio do \u201cpre\u00e7o m\u00ednimo\u201d. A autoridade p\u00fablica deve levar tal fator em considera\u00e7\u00e3o, pois um empres\u00e1rio aventureiro, ap\u00f3s vencer um certame sob esse crit\u00e9rio, buscar\u00e1 sua taxa de retorno de qualquer jeito, atrav\u00e9s de aditivos, \u201clobby\u201d e decr\u00e9scimo de qualidade que poder\u00e1 acarretar acidentes e interrup\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sociedade que utiliza tais princ\u00edpios em seus investimentos, principalmente os p\u00fablicos, tem maiores chances de se desenvolver economicamente em menor tempo, evitando desperd\u00edcios, duplicidades, enfim, utilizando da melhor forma seus recursos dispon\u00edveis. E tais crit\u00e9rios tem sido utilizados pelos pa\u00edses mais desenvolvidos h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>(*) Artigo publicado pelo membro do Conselho Empresarial de Pol\u00edticas Econ\u00f4micas da ACRJ, Fernando Cariola Travassos, originalmente no jornal <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/11\/politica-pesa-mais-que-racionalidade-em-investimentos-publicos.shtml\">A Folha de SP<\/a>, dia 23\/11\/2020<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernando Cariola Travassos (*)<br \/>\nTemos grande dificuldade em priorizar gastos em geral e investimentos em particular. <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5754,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-6312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}