{"id":47889,"date":"2026-10-22T16:21:42","date_gmt":"2026-10-22T19:21:42","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=47889"},"modified":"2026-10-22T19:21:08","modified_gmt":"2026-10-22T22:21:08","slug":"os-desafios-da-saude-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2026\/10\/22\/os-desafios-da-saude-brasileira\/","title":{"rendered":"Os desafios da sa\u00fade brasileira"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"47889\" class=\"elementor elementor-47889\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-55c38abb elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"55c38abb\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-77c335a8\" data-id=\"77c335a8\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-588dce8a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"588dce8a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Josier Vilar, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro e fundador da Iniciativa FIS. Publicado no <strong><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/opiniao\/2026\/10\/22\/os-desafios-da-saude-brasileira.html#goog_rewarded\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Di\u00e1rio do Rio<\/a><\/strong><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A qualidade de vida e a sa\u00fade de uma popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o determinadas por diversos fatores, entre os quais podemos destacar quatro grandes dimens\u00f5es: os h\u00e1bitos de vida, a heran\u00e7a gen\u00e9tica, as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e o acesso no momento certo a servi\u00e7os m\u00e9dico-assistenciais de qualidade.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora todos sejam relevantes, a garantia de acesso ao diagn\u00f3stico e ao tratamento no momento correto representa um dos maiores desafios da sa\u00fade brasileira.<br \/>Vivemos em um pa\u00eds que possui um modelo h\u00edbrido de assist\u00eancia, no qual convivem o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), financiado por recursos p\u00fablicos, e a sa\u00fade suplementar, representada principalmente pelos planos privados de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O SUS, um dos maiores sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade do mundo, foi concebido pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 com base em tr\u00eas princ\u00edpios fundamentais: universalidade, integralidade e equidade.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, existe uma dist\u00e2ncia preocupante entre o direito constitucionalmente assegurado e a realidade enfrentada diariamente por milh\u00f5es de brasileiros. Mais de 160 milh\u00f5es de pessoas dependem exclusivamente ou predominantemente do SUS para receber assist\u00eancia m\u00e9dica. Para uma parcela significativa dessa popula\u00e7\u00e3o, conseguir uma consulta especializada, realizar um exame diagn\u00f3stico ou iniciar um tratamento no tempo correto continua sendo um enorme desafio.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, em sa\u00fade, o tempo n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o administrativa. O tempo pode representar a diferen\u00e7a entre a cura e a incapacidade, entre a recupera\u00e7\u00e3o e o agravamento da doen\u00e7a, entre a vida e a morte.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o podemos considerar moralmente aceit\u00e1vel que mulheres com diagn\u00f3stico confirmado de c\u00e2ncer de mama ou homens com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata permane\u00e7am em longas filas de espera para iniciar tratamentos que, em determinadas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, deveriam ser realizados com urg\u00eancia.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo ocorre com pacientes que necessitam de cirurgias cardiovasculares, procedimentos ortop\u00e9dicos, exames de alta complexidade ou acompanhamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas que, quando negligenciadas, evoluem para complica\u00e7\u00f5es graves e frequentemente irrevers\u00edveis. O problema n\u00e3o se resume \u00e0 insufici\u00eancia de recursos financeiros. Envolve tamb\u00e9m a fragmenta\u00e7\u00e3o do sistema, a distribui\u00e7\u00e3o desigual da capacidade assistencial, a baixa integra\u00e7\u00e3o entre os prestadores e a aus\u00eancia de eficiente e eficaz gest\u00e3o do acesso.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos deixar de apenas administrar filas de espera e come\u00e7ar a administrar o tempo necess\u00e1rio para o adequado cuidar das pessoas.<br \/>O primeiro passo para enfrentar esse desafio seria realizar um amplo mapeamento nacional da capacidade diagn\u00f3stica e terap\u00eautica instalada, abrangendo as redes p\u00fablica, filantr\u00f3pica e privada.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos conhecer, com precis\u00e3o, onde est\u00e3o os equipamentos, os profissionais, os servi\u00e7os especializados, os centros cir\u00fargicos, os leitos e, principalmente, qual \u00e9 a capacidade efetivamente dispon\u00edvel para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o basta saber quantos tom\u00f3grafos, aparelhos de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica ou centros cir\u00fargicos existem no pa\u00eds. \u00c9 fundamental conhecer sua localiza\u00e7\u00e3o, produtividade, capacidade ociosa e disponibilidade operacional.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir desse levantamento, poder\u00edamos aperfei\u00e7oar a organiza\u00e7\u00e3o territorial da assist\u00eancia, por meio de distritos ou regi\u00f5es sanit\u00e1rias integradas, capazes de reunir prestadores p\u00fablicos e privados em redes colaborativas, respeitando as compet\u00eancias dos estados, munic\u00edpios e da Uni\u00e3o.<br \/>Nessas redes, a capacidade instalada deveria ser utilizada de maneira racional e complementar, mediante crit\u00e9rios transparentes de contrata\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o, qualidade e remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cidad\u00e3o n\u00e3o deveria precisar compreender a complexidade administrativa do sistema para conseguir atendimento. Caberia ao pr\u00f3prio sistema identificar onde existe capacidade dispon\u00edvel e garantir o encaminhamento adequado, considerando a gravidade cl\u00ednica e o tempo m\u00e1ximo recomendado para cada procedimento.<br \/>\u00c9 indispens\u00e1vel substituir a l\u00f3gica da oferta isolada pela l\u00f3gica da necessidade do paciente.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo passo seria promover uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es em sa\u00fade. O Brasil precisa avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura nacional integrada de dados de sa\u00fade, apoiada na Rede Nacional de Dados em Sa\u00fade (RNDS), sob a coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, com participa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do DATASUS.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa estrutura poderia incorporar tecnologias de data lake, interoperabilidade e intelig\u00eancia artificial, permitindo a integra\u00e7\u00e3o segura das informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e assistenciais dos pacientes, independentemente de onde tenham sido atendidos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso, evidentemente, com rigorosa observ\u00e2ncia da Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD), especialmente quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, \u00e0 seguran\u00e7a cibern\u00e9tica e ao controle de acesso.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A integra\u00e7\u00e3o dos dados permitiria acompanhar a trajet\u00f3ria assistencial dos pacientes, evitar a repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de exames, identificar gargalos, reduzir desperd\u00edcios e orientar a distribui\u00e7\u00e3o dos recursos de maneira mais eficiente.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais importante ainda: possibilitaria estabelecer mecanismos inteligentes de regula\u00e7\u00e3o, capazes de identificar prioridades cl\u00ednicas e localizar, em tempo real, servi\u00e7os dispon\u00edveis para atender \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A intelig\u00eancia artificial, nesse contexto, deve funcionar como instrumento de apoio aos profissionais e gestores, jamais como substituta da responsabilidade humana pelas decis\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, nenhuma transforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sustent\u00e1vel sem indicadores objetivos, metas p\u00fablicas e mecanismos permanentes de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos medir n\u00e3o apenas quantas consultas, exames e cirurgias s\u00e3o realizados, mas principalmente quanto tempo cada paciente espera entre a suspeita diagn\u00f3stica, a confirma\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e o in\u00edcio do tratamento.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses indicadores deveriam ser p\u00fablicos, regionalizados e acompanhados permanentemente pelos gestores e pela sociedade.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desempenho do sistema n\u00e3o pode continuar sendo avaliado exclusivamente pelo volume de recursos aplicados ou pela quantidade de procedimentos realizados.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O verdadeiro indicador de efici\u00eancia deve ser sua capacidade de produzir melhores resultados em sa\u00fade, no tempo adequado, com qualidade, seguran\u00e7a e uso respons\u00e1vel dos recursos dispon\u00edveis.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfrentar esse desafio exige mais do que novas tecnologias ou investimentos adicionais. Exige uma mudan\u00e7a de mentalidade.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Precisamos superar a vis\u00e3o de que os setores p\u00fablico e privado devem atuar como sistemas isolados ou concorrentes, quando, na realidade, possuem capacidades que podem ser articuladas em benef\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sa\u00fade suplementar n\u00e3o substitui o SUS, assim como o SUS n\u00e3o deve abrir m\u00e3o da possibilidade de utilizar, mediante regula\u00e7\u00e3o e contrata\u00e7\u00e3o adequadas, a capacidade instalada de prestadores privados para ampliar o acesso.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa integra\u00e7\u00e3o deve preservar o car\u00e1ter p\u00fablico, universal e equitativo do sistema, garantindo transpar\u00eancia, sustentabilidade financeira e responsabilidade na utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil possui profissionais qualificados, institui\u00e7\u00f5es de excel\u00eancia, capacidade tecnol\u00f3gica e uma rede assistencial de enorme dimens\u00e3o.<br \/>O que nos falta \u00e9 transformar essa estrutura em um sistema efetivamente integrado, inteligente, colaborativo e comprometido com resultados.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande transforma\u00e7\u00e3o da sa\u00fade brasileira n\u00e3o ser\u00e1 medida apenas pela constru\u00e7\u00e3o de novos hospitais ou pela aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos sofisticados, mas pela capacidade de garantir que cada brasileiro tenha acesso ao cuidado de que necessita, no lugar certo e no tempo certo.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Urge portanto, a imediata constru\u00e7\u00e3o de um pacto nacional pela garantia de acesso \u00e0 saude para toda popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Josier Vilar, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro e fundador da Iniciativa FIS. 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