{"id":46987,"date":"2026-09-14T16:09:59","date_gmt":"2026-09-14T19:09:59","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=46987"},"modified":"2026-09-14T16:15:18","modified_gmt":"2026-09-14T19:15:18","slug":"a-cachaca-e-verde-e-amarela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2026\/09\/14\/a-cachaca-e-verde-e-amarela\/","title":{"rendered":"A Cacha\u00e7a \u00e9 verde e amarela"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Reinaldo Paes Barreto, vice-presidente do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Treze de setembro \u00e9 o Dia Nacional da Cacha\u00e7a. Com mais de 500 anos de hist\u00f3ria, pois como disse Gilberto Freyre, \u201cela vem dos mais velhos dias do Brasil,\u201d a Cacha\u00e7a \u00e9 &nbsp;contempor\u00e2nea da Civiliza\u00e7\u00e3o do A\u00e7\u00facar e dos Ciclos do Ouro e do Caf\u00e9. Ou seja, transitou da Senzala \u00e0 Casa-Grande, no s\u00e9culo XIX, tendo passado ao longo de sua trajet\u00f3ria por \u201crel\u00e2mpagos de sucesso\u201d e longos per\u00edodos de m\u00e1 fama. No primeiro caso, ela foi quase benta durante a Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817 (o \u00faltimo movimento separatista de car\u00e1ter republicano do per\u00edodo colonial), quando missas foram rezadas&nbsp; utilizando-se a cacha\u00e7a e a mandioca como representa\u00e7\u00f5es do corpo e do sangue de Cristo, uma provoca\u00e7\u00e3o ao reino de Portugal, obediente \u00e0 liturgia do Vaticano. O segundo, foi durante a Semana de Arte Moderna de 22, quando os \u201cmodernistas\u201d M\u00e1rio e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, e as pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, bebiam cacha\u00e7a em <em>flutes<\/em> de champanhe nos sal\u00f5es chiques da Av Paulista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na outra ponta, ela peregrinou quase quatro s\u00e9culos pelos botequins e biroscas mais r\u00fasticos do nosso territ\u00f3rio, como a bebida do escravo, do negro, do pingu\u00e7o, funcionando como o consolo e a catarse dos desassistidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, de uns trinta anos para c\u00e1, a Cacha\u00e7a subiu ao p\u00f3dio do produto nacional associado \u00e0 identidade brasileira. Haja vista, que existem atualmente mais de 1,5 mil alambiques no pa\u00eds e a produ\u00e7\u00e3o em 2025 ultrapassou 200 milh\u00f5es de litros por ano. Al\u00e9m de ser o destilado mais consumido nas Am\u00e9ricas e o voc\u00e1bulo com mais sin\u00f4nimos em nosso idioma. Ant\u00f4nio Houaiss calculou entre 3 mil e 5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, desde 2001, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), concedeu Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica \u00e0 \u201cCacha\u00e7a do Brasil\u201d. Mas, aten\u00e7\u00e3o: este registro determina que se trata de \u201cdenomina\u00e7\u00e3o t\u00edpica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica de 38% a 48% em volume, a 20\u00ba (graus Celsius) e obtida pela destila\u00e7\u00e3o do mosto fermentado de cana-de-a\u00e7\u00facar, com caracter\u00edsticas sensoriais peculiares, podendo ser adicionada at\u00e9 seis gramas de a\u00e7ucares por litro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E al\u00e9m de ser servida \u201cin natura\u201d, ela transferiu o seu DNA para um dos drinques mais consumidos aqui, e l\u00e1 fora: a caipirinha(*), tamb\u00e9m declarada genuinamente brasileira pelo decreto 6.871, de 2009. Mas tamb\u00e9m tem que ser com cacha\u00e7a, lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar, n\u00e3o permitindo a utiliza\u00e7\u00e3o de outra fruta nem de outro \u00e1lcool.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, no entanto, mix\u00f3logos e bartenders t\u00eam incrementado a caipirinha tanto no mosto das frutas (manga, morango e wasabi, maracuj\u00e1, lim\u00e3o siciliano e manjeric\u00e3o, caju, gengibre e mel), quanto no \u00e1lcool-base, que pode ser substitu\u00eddo pela vodka, rum, tequila e at\u00e9 pelo Vinho do Porto, branco, seco, como eu costumo preparar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(*) Reza a lenda que a caipirinha \u00e9 paulista, porque foi elaborada a partir da velha batida de lim\u00e3o, \u201crem\u00e9dio\u201d para a garganta dos \u201cseresteiros da garoa\u201d, no Braz e na Mooca, nos anos 1930-1940.\u00a0\u00a0 \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da presid\u00eancia do INPI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, vice-presidente do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":46988,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_customify_content_layout":"","_customify_sidebar":"","_customify_page_header_display":"","_customify_disable_header":"","_customify_disable_header_top":"","_customify_disable_header_main":"","_customify_disable_header_bottom":"","_customify_disable_page_title":"","_customify_disable_content_vertical_padding":"","_customify_disable_footer_top":"","_customify_disable_footer_main":"","_customify_disable_footer_bottom":"","_customify_breadcrumb_display":"","_customify_header_transparent_display":"","footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-46987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46987"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46993,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46987\/revisions\/46993"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}