{"id":43007,"date":"2026-05-04T11:45:50","date_gmt":"2026-05-04T14:45:50","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=43007"},"modified":"2026-05-04T11:54:29","modified_gmt":"2026-05-04T14:54:29","slug":"o-rio-espera-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2026\/05\/04\/o-rio-espera-justica\/","title":{"rendered":"O Rio espera justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Josier Vilar &#8211; presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro &#8211; ACRJ. Publicado no <strong><a href=\"https:\/\/diariodorio.com\/o-rio-espera-justica\/\">Di\u00e1rio do Rio<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo dia 6 de maio, o Supremo Tribunal Federal julgar\u00e1 uma mat\u00e9ria que transcende o campo jur\u00eddico e se projeta diretamente sobre o futuro do Estado do Rio de Janeiro. N\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que se trata de um dos julgamentos mais decisivos de sua hist\u00f3ria recente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em an\u00e1lise, est\u00e1 a constitucionalidade de uma lei que, na pr\u00e1tica, retira do Rio de Janeiro \u2014 maior produtor de petr\u00f3leo do pa\u00eds \u2014 os royalties que lhe s\u00e3o devidos, redistribuindo-os para outros estados. \u00c0 primeira vista, o tema pode parecer t\u00e9cnico. N\u00e3o \u00e9. Trata-se de uma quest\u00e3o estrutural, que toca o cora\u00e7\u00e3o do pacto federativo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os royalties do petr\u00f3leo n\u00e3o s\u00e3o um privil\u00e9gio concedido ao Rio de Janeiro. S\u00e3o, antes de tudo, uma compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica leg\u00edtima. Compensa\u00e7\u00e3o por externalidades, por impactos diretos da atividade petrol\u00edfera e, sobretudo, por uma perda j\u00e1 consolidada: a mudan\u00e7a na sistem\u00e1tica do ICMS, que transferiu a arrecada\u00e7\u00e3o do local da produ\u00e7\u00e3o para o destino do consumo. Essa altera\u00e7\u00e3o, ao longo dos anos, j\u00e1 subtraiu bilh\u00f5es de reais das finan\u00e7as fluminenses.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ora se prop\u00f5e, portanto, n\u00e3o \u00e9 uma simples redistribui\u00e7\u00e3o de receitas. \u00c9 a consolida\u00e7\u00e3o de uma distor\u00e7\u00e3o. Caso essa interpreta\u00e7\u00e3o prevale\u00e7a, o Rio de Janeiro sofrer\u00e1 uma dupla penaliza\u00e7\u00e3o: perder\u00e1 aquilo que j\u00e1 perdeu \u2014 o ICMS na origem \u2014 e ver\u00e1 esvaziada a compensa\u00e7\u00e3o que lhe restava, os royalties.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que se compreenda a gravidade do precedente, basta imaginar situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas. Seria como retirar de Minas Gerais os tributos relacionados \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio de ferro e redistribu\u00ed-los a estados que n\u00e3o produzem esse recurso. Ou como suprimir dos estados do Cerrado o ICMS incidente sobre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, base de sua economia, para distribu\u00ed-lo a unidades da federa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o participam desse ciclo produtivo. Em qualquer desses cen\u00e1rios, a rea\u00e7\u00e3o seria imediata, pois se trataria de evidente ruptura das regras de equil\u00edbrio federativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto \u00e9 concreto e alarmante. Estima-se uma perda anual da ordem de R$ 20 bilh\u00f5es. N\u00e3o se trata de um n\u00famero abstrato. S\u00e3o recursos que sustentam pol\u00edticas p\u00fablicas essenciais como a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e viabilizam investimentos indispens\u00e1veis ao desenvolvimento do estado. Retir\u00e1-los \u00e9 impor um estrangulamento financeiro de grandes propor\u00e7\u00f5es, com efeitos diretos sobre a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma quest\u00e3o fiscal, est\u00e1 em jogo o respeito \u00e0s bases que organizam a federa\u00e7\u00e3o brasileira. O pacto federativo pressup\u00f5e equil\u00edbrio, previsibilidade e justi\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e receitas. Romp\u00ea-lo, sobretudo por meio de decis\u00f5es que desconsiderem especificidades hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas, fragiliza n\u00e3o apenas um estado, mas a pr\u00f3pria l\u00f3gica federativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio de Janeiro j\u00e1 enfrenta desafios profundos. Penaliz\u00e1-lo adicionalmente, sem considerar o conjunto de perdas acumuladas, \u00e9 desproporcional e injusto. O pa\u00eds precisa compreender que enfraquecer o Rio n\u00e3o fortalece os demais entes federativos. Ao contr\u00e1rio, compromete um dos seus principais polos econ\u00f4micos, energ\u00e9ticos e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um tema restrito a especialistas ou aos gabinetes de Bras\u00edlia. \u00c9 uma pauta que deve mobilizar a sociedade. \u00c9 fundamental ampliar o debate, esclarecer a opini\u00e3o p\u00fablica e dar a dimens\u00e3o exata do que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se espera do Supremo Tribunal Federal \u00e9 mais do que uma decis\u00e3o t\u00e9cnica. Espera-se sensibilidade institucional, compromisso com a Constitui\u00e7\u00e3o e respeito ao equil\u00edbrio federativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio de Janeiro n\u00e3o pleiteia privil\u00e9gios.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio de Janeiro espera justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Josier Vilar<\/em><\/strong><br>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro- ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Josier Vilar &#8211; presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro &#8211; ACRJ. Publicado no Di\u00e1rio do Rio.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":40060,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,96,79],"tags":[],"class_list":["post-43007","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_presidente","category-fala_presidente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43007","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43007"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43007\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43011,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43007\/revisions\/43011"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}