{"id":4020,"date":"2020-04-16T10:17:31","date_gmt":"2020-04-16T13:17:31","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj.org.br\/?p=4020"},"modified":"2020-04-16T10:17:32","modified_gmt":"2020-04-16T13:17:32","slug":"credito-para-quem-precisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2020\/04\/16\/credito-para-quem-precisa\/","title":{"rendered":"Cr\u00e9dito para quem precisa"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Artigo da\u00a0presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro,\u00a0Angela Costa, publicado originalmente em\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/artigo-credito-para-quem-precisa-24371612\">O Globo<\/a>, em 16 de abril.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A economia mundial sofrer\u00e1 um impacto violento com a pandemia do coronav\u00edrus. Estima-se uma recess\u00e3o jamais vista. Segundo dados da &#8220;The Economist&#8221;, de 26\/3\/2020, a economia do G20 dever\u00e1 se contrair 2,2% em 2020, ante uma previs\u00e3o anterior de crescimento de 2,3%. Ou seja, uma redu\u00e7\u00e3o de 5,5% na atividade econ\u00f4mica. Com o com\u00e9rcio e o setor de servi\u00e7os completamente paralisados, a crise econ\u00f4mica global dever\u00e1 ser pior do que a Grande Depress\u00e3o de 1929 e a das grandes guerras mundiais do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o foge \u00e0 regra. O estudo acima aponta uma queda na atividade da economia brasileira de 7,9% (de um crescimento projetado do PIB de 2,4% para uma recess\u00e3o de 5,5%). Independentemente de previs\u00f5es, \u00e9 fato que a economia parou e a recess\u00e3o ser\u00e1 inevit\u00e1vel. Diante do quadro negativo, as autoridades respons\u00e1veis pela pol\u00edtica econ\u00f4mica t\u00eam tomado medidas de emerg\u00eancia. Concordaram em adiar o recolhimento de alguns impostos e decidiram liberar cr\u00e9dito para a folha de pagamentos de empresas com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 10 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso, por\u00e9m, resolve o problema de capital de giro das micro, pequenas e m\u00e9dias empresas, atingidas de frente pela necess\u00e1ria pol\u00edtica de isolamento social. Essas empresas viram, da noite para o dia, cair a zero o faturamento de seus produtos e servi\u00e7os. E, ainda, convivem com devolu\u00e7\u00f5es e inadimpl\u00eancia nas vendas a prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem consumidores, as vendas do com\u00e9rcio varejista do Rio de Janeiro, por exemplo, ca\u00edram 70%, segundo dados do Instituto Fecom\u00e9rcio de Pesquisas e An\u00e1lises. Muitas empresas, al\u00e9m de n\u00e3o conseguirem vender suas mercadorias, foram obrigadas a doar ou jogar fora seus estoques por se tratar de produtos perec\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Sofrem as empresas e sofrem os trabalhadores. Os pequenos neg\u00f3cios s\u00e3o respons\u00e1veis pela gera\u00e7\u00e3o de renda de 70% dos brasileiros ocupados no setor privado. As micro e pequenas empresas responderam pela maioria dos empregos de carteira assinada gerados em todo o pa\u00eds. Elas s\u00e3o vitais para a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tempo de preservar vidas. Mas h\u00e1 que pensar tamb\u00e9m na preserva\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas que garantem os postos de trabalho. H\u00e1 que manter vivas as micro, pequenas e m\u00e9dias empresas. O governo n\u00e3o est\u00e1 alheio ao problema. Segundo Paulo Guedes, \u201cse tiver que injetar mais para aliviar o sofrimento dos mais vulner\u00e1veis e permitir que as pequenas e m\u00e9dias empresas sobrevivam, acho razo\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o cr\u00e9dito at\u00e9 agora n\u00e3o chegou aos que precisam. Apesar da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, os bancos comerciais n\u00e3o alteraram suas rotinas. Fazem as mesmas exig\u00eancias de sempre e pedem as mesmas garantias. Para se habilitar, as empresas t\u00eam de apresentar certid\u00e3o negativa de d\u00e9bito previdenci\u00e1rio, o que elimina um ter\u00e7o delas. Em alguns casos, exigem at\u00e9 mesmo licen\u00e7a ambiental. Um verdadeiro desprop\u00f3sito. D\u00edvidas j\u00e1 assumidas tamb\u00e9m eliminam qualquer chance de obter novos financiamentos. E, ainda, o fato de que mais de 50% das micro e pequenas empresas ou seus s\u00f3cios contam com restri\u00e7\u00f5es cadastrais, que as deixam afastadas do cr\u00e9dito tradicional. Enfim, o cr\u00e9dito se torna inacess\u00edvel, retido por entraves descabidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio ministro da Economia j\u00e1 concluiu que n\u00e3o adianta apenas reduzir o dep\u00f3sito compuls\u00f3rio para que as institui\u00e7\u00f5es financeiras ampliem a oferta de cr\u00e9dito. \u201cN\u00f3s aprendemos que liberar compuls\u00f3rio n\u00e3o basta. Empo\u00e7a mesmo\u201d, disse em videoconfer\u00eancia. A continuar assim, pouqu\u00edssimas empresas v\u00e3o sobreviver \u00e0 crise provocada pela epidemia de coronav\u00edrus. Isso vale para todos os setores: com\u00e9rcio, servi\u00e7os e ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo tem mostrado boa vontade, mas o cr\u00e9dito n\u00e3o est\u00e1 chegando \u00e0 ponta. O dinheiro tem de ser liberado mais r\u00e1pido para as empresas. \u00c9 necess\u00e1rio um olhar diferente neste momento de crise. Vivemos dias excepcionais, e os bancos tamb\u00e9m t\u00eam que dar sua colabora\u00e7\u00e3o. Sem isso, n\u00e3o vamos a lugar algum. Vamos, sim, assistir \u00e0 morte de empresas no com\u00e9rcio, nos servi\u00e7os e na ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Basta de burocracia, basta de certid\u00f5es negativas. \u00c9 preciso flexibilizar as exig\u00eancias e agilizar o acesso ao cr\u00e9dito. Essa \u00e9, sem d\u00favida, a estrat\u00e9gia capaz de garantir a sobreviv\u00eancia das micro, pequenas e m\u00e9dias empresas. S\u00f3 assim, a economia brasileira, mais \u00e0 frente, ter\u00e1 for\u00e7as para se recuperar da crise do coronav\u00edrus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo da\u00a0presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro,\u00a0Angela Costa, publicado originalmente em\u00a0O Globo, em 16 de abril. 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