{"id":3925,"date":"2020-04-08T12:06:47","date_gmt":"2020-04-08T15:06:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj.org.br\/?p=3925"},"modified":"2024-07-12T16:36:35","modified_gmt":"2024-07-12T19:36:35","slug":"crise-pesadelo-e-oportunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2020\/04\/08\/crise-pesadelo-e-oportunidade\/","title":{"rendered":"Crise: Pesadelo e Oportunidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Artigo do <em>presidente do Conselho Empresarial de Pol\u00edticas Econ\u00f4micas da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio<\/em>, <em>Marc\u00edlio Marques Moreira<\/em>, publicado originalmente em&nbsp;<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/opiniao\/crise-pesadelo-oportunidade-1-24357586\">O Globo<\/a>, em 8 de abril.<\/em> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembra mestre Gabeira: \u201cn\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil escrever artigos em tempos de pandemia. Os fatos s\u00e3o din\u00e2micos, nos ultrapassam. S\u00e3o graves e tornam irrelevantes os nossos crit\u00e9rios de import\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao descrever nosso estado de coisas e seu impacto sobre a prioridade de pol\u00edticas p\u00fablicas, Gabeira nos encoraja a explorar experi\u00eancias passadas, sobretudo para identificar na medida em que momentos de preocupa\u00e7\u00e3o foram aproveitados, ou n\u00e3o, para repensar rumos e prioridades que comunidades, pa\u00edses e regi\u00f5es adotaram n\u00e3o s\u00f3 para enfrentar emerg\u00eancias, mas para criar ambientes mais conducentes ao crescimento econ\u00f4mico. E para corrigir gritantes injusti\u00e7as, assegurando, assim, melhores condi\u00e7\u00f5es a seus habitantes no p\u00f3s-crise. Prepara\u00e7\u00e3o para quando o amanh\u00e3 chegar!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00edderes mundiais t\u00eam lembrado que seus pa\u00edses n\u00e3o haviam testemunhado desafios t\u00e3o severos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o das respectivas popula\u00e7\u00f5es, hoje n\u00e3o para lutar contra inimigos conhecidos, mas ironicamente para que permane\u00e7am im\u00f3veis em quarentena em suas casas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando rumores de Guerra ainda imaturos surgiram, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, a mais s\u00e9ria crise econ\u00f4mica do s\u00e9culo passado j\u00e1 havia se revelado no Crash da Bolsa de Nova York em 1929, ano, ali\u00e1s, em que Freud redigiu <em>O Mal Estar da Civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1933, dois marcos de nova era em que crise econ\u00f4mica e boatos de Guerra se aproximam. Os Estados Unidos, epicentro do <em>crash<\/em>, elegem Roosevelt presidente, enquanto Hitler assume como primeiro-ministro da combalida \u201cRep\u00fablica de Weimar\u201d, na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu discurso de posse, Roosevelt arrolou as ingentes dificuldades que assolavam o pa\u00eds, apontando para a contra\u00e7\u00e3o de valor de todos ativos, a queda nas receitas fiscais, a deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de troca, o desmonte de poupan\u00e7as e o alto desemprego, dificuldades que hoje tamb\u00e9m enfrentamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao encarar a triste realidade de insolente v\u00edrus gerando v\u00edtimas, muitas indefesas, e acarretando severa desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que nos conduzir\u00e1, sem d\u00favida, \u00e0 recess\u00e3o econ\u00f4mica, justamente quando nos prepar\u00e1vamos para significativa recupera\u00e7\u00e3o, s\u00f3 ignorada por aqueles que n\u00e3o querem enxergar derrotas e vit\u00f3rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o tem sentido, hoje, dada a coincid\u00eancia de tantas incertezas quanto ao percurso mundial da Covid-19 e a gera\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos econ\u00f4micos, sociais e psicol\u00f3gicos, procurar projetar o montante do estrago: PIB de 0%, ou de 5% negativos?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que importa \u00e9 n\u00e3o procurar julgar a crise apenas pelos muitos preju\u00edzos que acarretar\u00e1, mas, tamb\u00e9m, como in\u00e9dita oportunidade para sanar velhos legados como os do patrimonialismo luso-brasileiro, que se revela ainda hoje pela captura de pol\u00edticas p\u00fablicas em benef\u00edcio de pessoas ou grupos nos setores p\u00fablico e privado, em vez da esperada busca do \u201cinteresse geral ou do Bem P\u00fablico\u201d. E, ainda, para acelerar a incorpora\u00e7\u00e3o pelo Estado e pelo setor privado das inova\u00e7\u00f5es avan\u00e7ando entre n\u00f3s, mas \u00e0 velocidade insatisfat\u00f3ria, como a economia digital e a intelig\u00eancia artificial. Podemos, tamb\u00e9m, revisitar a s\u00e9rio m\u00faltiplas possibilidades de descentraliza\u00e7\u00e3o espacial e temporal de atividades p\u00fablicas e privadas, aglomeradas em capitais ou cidades maiores. A pr\u00e1tica de <em>home office<\/em> e de comunica\u00e7\u00f5es, cada vez mais eficazes, permitem \u00e0s empresas se desconcentrarem, o que al\u00e9m de enormes economias para as empresas, possibilitam melhores condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e transporte para seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que resposta un\u00edssona \u00e0s crises prevale\u00e7a, h\u00e1 que refor\u00e7ar lideran\u00e7as p\u00fablicas e privadas, fortalecer o senso de converg\u00eancia em torno de objetivos comuns, de solidariedade, coopera\u00e7\u00e3o e harmonia, e alargar a paix\u00e3o pelos pobres,&nbsp; revendo, inclusive, o preconceito \u00e0s favelas quando vistas como mal a ser exterminado em vez de local a ser reinventado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do presidente do Conselho Empresarial de Pol\u00edticas Econ\u00f4micas da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio, Marc\u00edlio Marques Moreira, publicado originalmente em&nbsp;O Globo, em 8 de abril.&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2934,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3925\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}