{"id":36927,"date":"2025-06-26T16:44:07","date_gmt":"2025-06-26T19:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=36927"},"modified":"2025-07-24T11:09:13","modified_gmt":"2025-07-24T14:09:13","slug":"festas-juninas-uma-releitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2025\/06\/26\/festas-juninas-uma-releitura\/","title":{"rendered":"Festas juninas: uma releitura"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>As Festas Juninas desembarcaram no Brasil trazidas pelos colonizadores portugueses no s\u00e9culo XVI. No in\u00edcio, eram restritas \u00e0s elites e tamb\u00e9m carregavam um forte vi\u00e9s religioso, como a organiza\u00e7\u00e3o de missas e prociss\u00f5es. O DNA dessa celebra\u00e7\u00e3o, no entanto, vem de uma festa rural, tel\u00farica: o fim da escurid\u00e3o do inverno e a alegria do solst\u00edcio de ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o tempo foi rolando e essas festas foram adquirindo um formato popular e, claro, extremamente festivo, at\u00e9 porque no nordeste brasileiro elas coincidem com o in\u00edcio das chuvas e a safra do milho: tudo de bom! Tanto que em cidades como Caruaru e Petrolina, em Pernambuco, e Campina Grande, na Para\u00edba, rivalizam em p\u00fablico e anima\u00e7\u00e3o com o Natal, o R\u00e9veillon e o Carnaval.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a \u201craz\u00e3o de ser\u201d desses megaencontros, no entanto, vem passando por uma reconstru\u00e7\u00e3o dos seus conte\u00fados e formatos, como resposta \u00e0s exig\u00eancias sociais e ambientais dos nossos tempos. \u00c9 cada vez mais frequente, por exemplo, que se observem e pratiquem procedimentos mais corretos, como os que se seguem:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Desconstru\u00e7\u00e3o dos estere\u00f3tipos do caipira e da saloia, como personagens simpl\u00f3rios (o jeca) com trajes, sotaques e adere\u00e7os caricatos;<\/li>\n\n\n\n<li>Respeito \u00e0 novas redes da diversidade de g\u00eaneros e ra\u00e7a: presen\u00e7a de grupos LGBT e drag queens quanto \u00e0s op\u00e7\u00f5es sexuais; na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, sobretudo nas comunidades ribeirinhas, prociss\u00f5es fluviais, dan\u00e7as \u00e0 beira dos igarap\u00e9s e at\u00e9 comidas da floresta;<\/li>\n\n\n\n<li>Responsabilidade ambiental: em vez de fogueiras reais, fogueiras cenogr\u00e1ficas, com proje\u00e7\u00f5es luminosas; lixo recicl\u00e1vel; utiliza\u00e7\u00e3o de materiais biodegrad\u00e1veis e, sobretudo, presen\u00e7a de uma culin\u00e1ria produzida por pequenos cozinheiros e doceiras da vizinhan\u00e7a, com produtos naturais\/org\u00e2nicos;<\/li>\n\n\n\n<li>Resgate dos valores regionais\/ancestrais: prefer\u00eancia pelos produtos da safra agr\u00edcola de cada regi\u00e3o; novas vers\u00f5es de m\u00fasica e dan\u00e7as: j\u00e1 h\u00e1 jovens DJs mixando o cl\u00e1ssico forr\u00f3 com bai\u00e3o e xote; quadrilhas com novos ritmos e movimentos, inclusive com figurinos modernizados e enredos tem\u00e1ticos;<\/li>\n\n\n\n<li>Finamente, festas juninas virtuais \u2013 uma heran\u00e7a da pandemia \u2013 em locais com dif\u00edcil acesso, ou agregando enfermos e pessoas com problemas de locomo\u00e7\u00e3o, como idosos e outros PCDs.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Ou seja, tamb\u00e9m no cap\u00edtulo do entretenimento tem\u00e1tico, como s\u00e3o essas festas, h\u00e1 um bonito esfor\u00e7o da sociedade para fazer da diverg\u00eancia a converg\u00eancia em torno de um novo Brasil que d\u00e1 certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da Diretoria Executiva do INPI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":36928,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-36927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36927\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}