{"id":3569,"date":"2020-03-10T20:13:00","date_gmt":"2020-03-10T23:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3569"},"modified":"2020-03-23T10:38:36","modified_gmt":"2020-03-23T13:38:36","slug":"a-vinha-a-uva-a-garrafa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2020\/03\/10\/a-vinha-a-uva-a-garrafa\/","title":{"rendered":"A vinha, a uva, a garrafa&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> <em>Artigo do vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ, Reinaldo Paes Barreto<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os substantivos do vinho s\u00e3o femininos: a vinha, a vindima, a uva, a colheita, a safra, a adega, a garrafa, a ta\u00e7a \u2026 a exce\u00e7\u00e3o ficou para o substantivo que designa o produto final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma premoni\u00e7\u00e3o de Baco para celebrar o 8 de mar\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez. O que n\u00e3o deveria surpreender o planeta masculino se este tivesse em mente \u2013 sempre &#8211; que toda mulher veio ao mundo para \u201ccumprir\u201d um mantra: &nbsp;<strong><em>n\u00e3o me ensine que eu aprendo.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E aprenderam &#8212; com os homens! Haja vista que as quatro mulheres que se tonaram refer\u00eancia mundial nos s\u00e9culos passados no mundo do vinho, foram vi\u00favas de &#8230;vinhateiros. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira, na segunda metade do s\u00e9culo 18, foi a Veuve Clicquot, uma jovem francesa do interior cujo marido morreu quando ela tinha 27 anos. Pois em menos de dois anos ela n\u00e3o s\u00f3 assumiu o comando da vin\u00edcola, como&nbsp;<em>converteu<\/em>&nbsp;o seu produto \u2013 o champagne \u2013 na bebida da celebra\u00e7\u00e3o, do amor, do poder, do charme, do dinheiro e da ere\u00e7\u00e3o&#8230; (tanto que se levanta a ta\u00e7a para brindar!)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E do triunfo! Pergunto: algu\u00e9m j\u00e1 viu algu\u00e9m derrotado, tra\u00eddo ou na fossa, beber champagne?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continuando&#8230; e para turbinar as vendas do seu emblem\u00e1tico espumante&nbsp;<em>champenois<\/em>&nbsp;, Mme. Ponsardin se transformou numa m\u00e1quina de neg\u00f3cios: comandou pessoalmente a primeira exporta\u00e7\u00e3o de centenas de caixas para o Czar da R\u00fassia, que gostou e encomendou outras centenas de caixas. E, no embalo, exportou para todo o ocidente com potencial de compra &#8212;&nbsp;<strong>inclusive para o Brasil.&nbsp;<\/strong>Em 1826 chegaram ao Rio de janeiro as primeiras garrafas de Veuve Clicquot, encomendadas por carta escrita de pr\u00f3prio punho pelo imperador D. Pedro I.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E at\u00e9 hoje ele (em franc\u00eas champagne \u00e9 masculino) est\u00e1 estrategicamente presente nos pontos de circula\u00e7\u00e3o com potencial de compra e consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Detalhe: Nicole Barbe- Ponsardin (a Veuve Ckicquot) morreu em 29 de Julho de 1866, aos 89 anos, deixando uma das marcas mais famosas do segmento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia cronol\u00f3gica, interrompe-se o ciclo franc\u00eas e entra a brava portuguesa, D. Ant\u00f3nia Adelaide Ferreira (1811-1896), nascida e criada na R\u00e9gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 o destino! Dona Ant\u00f3nia (1811-1896) naufragou num&nbsp;<em>rabelo<\/em>&nbsp;(aquelas barca\u00e7as que singram o Rio Douro) junto com o marido &#8211; s\u00f3 que ele morreu e ela sobreviveu gra\u00e7as \u00e0s sete saias, que lhe serviram de boia. Mas n\u00e3o se salvou sozinha: salvou o vinho do Porto e os parreirais que escalam aquela paisagem b\u00edblica! &nbsp;Porque assumiu o comando da Casa Ferreirinha e durante o ataque da phyloxera, \u201co fungo assassino\u201d que devastou as vinhas do Douro, pagou do bolso durante anos a sobreviv\u00eancia\/manuten\u00e7\u00e3o dos seus empregados da vinha, at\u00e9 que a ci\u00eancia dominou a praga e a vin\u00edcola pode voltar a colher a uva sadia, para produzir o vinho fortificado e os excelentes vinhos de mesa que produz e exporta at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltemos \u00e0 Fran\u00e7a e aos \u00faltimos dois casos emblem\u00e1ticos do s\u00e9culo 19 e quase final do 20.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira vi\u00fava, Louise Pommery (1819-1890), promoveu a primeira pesquisa de opini\u00e3o com os consumidores de seu champagne e constatou que o p\u00fablico masculino \u2013 o grande comprador \u2013 sobretudo os ingleses, preferiam bebidas secas (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o do Porto). Desenvolveu, ent\u00e3o, o primeiro&nbsp;<strong>champagne brut<\/strong>. E para diferenciar a marca mundo afora, convidou artistas pl\u00e1sticos para desenhar os seus r\u00f3tulos. Criou, tamb\u00e9m, caves subterr\u00e2neas, hoje 18kms percorridos por milhares de enoturistas que visitam a vin\u00edcola, anualmente, em Reims.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima da s\u00e9rie, a \u00faltima vi\u00fava, a&nbsp;<em>midi\u00e1tica<\/em>&nbsp;Elizabethy Bollinger (1899-1977), a Lily, que enfrentou duas grandes guerras (a segunda j\u00e1 \u00e0 frente da sua Maison) e fez do seu champagne um ponto de equil\u00edbrio entre a tradi\u00e7\u00e3o e a modernidade. Ela passeava de bicicleta diariamente pelos seus vinhedos \u2013 mas sempre muito bem composta \u2013 e tornou-se ela e o seu champagne \u201cperonagens\u201d de revistas e jornais. E mais: os champagnes safrados Grand Ann\u00e9e recebem desde a Ra\u00ednha Victoria o \u201cby appointment\u201d da Fam\u00edlia Real inglesa e borbulhou nas ta\u00e7as do James Bond em alguns dos seus filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00eanteses: d\u00e1 para \u201cconcluir\u201d que o champagne \u00e9 tamb\u00e9m um elixir da longa vida? Vejam que todas morreram com mais de 70 anos, em outros tempos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bom, e hoje? Hoje, a mulher \u00e9 uma consumidora exigente, conhecedora do que quer &#8211; e do que&nbsp;<strong>n\u00e3o quer<\/strong>&nbsp;&#8211; mas, e sobretudo, uma aliada na luta pela qualidade do circuito do vinho: o produto certo, o pre\u00e7o justo, o jogo limpo. Sim! e gra\u00e7as a elas temos o \u201cby the glass\u201d, &nbsp;porque foi gra\u00e7as \u00e0 modera\u00e7\u00e3o feminina que os bares, os restaurantes, supermercados chiques, etc, bolaram a degusta\u00e7\u00e3o nesse formato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, na outra ponta, as mulheres operam com a habitual efic\u00e1cia que lhes \u00e9 caracter\u00edstica o mercado do vinho, atuando como en\u00f3logas, sommeli\u00e8res, jornalistas especializadas, autoras de colunas, blogs, livros, sites, confrarias (s\u00f3 delas) e\u2026 donas de vin\u00edcolas. Al\u00e9m de excelentes \u201cc\u00famplices\u201d (ah! cherchez la femme!) nas degusta\u00e7\u00f5es, lan\u00e7amentos, viagens enol\u00f3gicas, harmoniza\u00e7\u00f5es e aonde mais seja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a nossa homenagem e a nossa comovida sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 MULHER. E uma prece para que Baco nunca as desampare &#8212; nem a n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do vice-presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ, Reinaldo Paes Barreto. 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