{"id":34612,"date":"2025-02-26T12:14:32","date_gmt":"2025-02-26T15:14:32","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=34612"},"modified":"2025-02-27T08:05:35","modified_gmt":"2025-02-27T11:05:35","slug":"34612","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2025\/02\/26\/34612\/","title":{"rendered":"A cerveja e o ar-condicionado"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, ambos muito agrad\u00e1veis, mas e da\u00ed? Explico: foi gra\u00e7as \u00e0 cerveja que o engenheiro alem\u00e3o Carl Von Lide inventou o ar-condicionado. E isso porque para ser produzida (e apreciada como devido), a cerveja precisa ser refrigerada, especialmente na fase de matura\u00e7\u00e3o, quando a sua temperatura deve ficar em torno de 0\u00baC. Ora, como no ver\u00e3o europeu (onde j\u00e1 existiam as grandes cervejarias do s\u00e9culo XIX) isso era praticamente imposs\u00edvel, embora j\u00e1 funcionassem geladeiras nos EUA desde 1866, o criativo Von Linde desenvolveu um m\u00e9todo original de arrefecimento, que foi batizado de t\u00e9cnica de Linde, para a liquefa\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de ar. E isso foi em 1894 a pedido da cervejaria Guinness, irlandesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ele recorreu ao princ\u00edpio da contra-corr\u00eancia, atrav\u00e9s do qual o ar \u00e9 sugado para uma m\u00e1quina que o ir\u00e1 comprimir, pr\u00e9-arrefecer e, por fim, descomprimir. Hoje, aperfei\u00e7oados, os ares-condicionados s\u00e3o compostos por um condensador, um evaporador, um ventilador, al\u00e9m de um conjunto de serpentinas resfriadas dentro do aparelho por uma subst\u00e2ncia, R-22, \u00e0 base de cloro, fl\u00faor e carbono. O ar sugado do ambiente passa pelo condensador, que promove a troca do calor pelo frio, percorre esse circuito das serpentinas e \u00e9 \u201cexpulso\u201d, j\u00e1 refrigerado, para o ambiente externo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, \u00f3timo, mas a prop\u00f3sito: o que \u00e9 a cerveja, afinal? \u00c9 o resultado da fermenta\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica do mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular&nbsp;a cevada.&nbsp;Mas outros cereais maltados ou n\u00e3o maltados s\u00e3o igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Al\u00e9m disso,&nbsp;como a \u00e1gua \u00e9 o seu principal elemento, a origem dessa \u00e1gua e as suas caracter\u00edsticas t\u00eam um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ingrediente muito importante \u00e9 o l\u00fapulo (*), uma trepadeira da fam\u00edlia Cannabaceae, a mesma da maconha, mas que n\u00e3o possui as enzimas necess\u00e1rias para sintetizar canabinoides. Apesar deste parentesco, o l\u00fapulo n\u00e3o nos conduz ao mesmo estado \u201codara\u201d. Embora, como muito bem observou o nosso presidente-m\u00e9dico, Josier Vilar, \u00e9 a presen\u00e7a do l\u00fapulo que explica, ent\u00e3o, porque a cerveja provoca um certo torpor e sonol\u00eancia, j\u00e1 que a gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica por si s\u00f3 n\u00e3o justificaria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1688\" height=\"1125\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lupulo.jpeg.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34619\" style=\"width:340px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lupulo.jpeg.jpg 1688w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lupulo.jpeg-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lupulo.jpeg-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lupulo.jpeg-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/lupulo.jpeg-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1688px) 100vw, 1688px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O l\u00fapulo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do l\u00fapulo, dezenas de&nbsp;estirpes de fermentos naturais,&nbsp;ou cultivados, s\u00e3o usados pelos cervejeiros, o que resulta nas duas fam\u00edlias principais de cervejas: as&nbsp;<strong><em>lagers<\/em><\/strong>, de baixa fermenta\u00e7\u00e3o, com aroma suave, e as&nbsp;<strong><em>ales<\/em>,<\/strong> de alta fermenta\u00e7\u00e3o e sabor frutado, apresentando uma colora\u00e7\u00e3o que varia do dourado ao marrom escuro. Mas todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus,&nbsp;porque&nbsp;estupidamente&nbsp;gelado s\u00f3 chope. E o chope \u00e9 a vers\u00e3o \u201cprimo de bermuda\u201d dessa nobre irm\u00e3 do vinho, s\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 pasteurizado. Al\u00e9m disso, o chope \u00e9 significativamente mais carbonatado do que a cerveja. E n\u00e3o pedigree hist\u00f3rico!<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo: Shakespeare fez 14 men\u00e7\u00f5es \u00e0 palavra \u201cale\u201d e cita cinco vezes a palavra \u201cbeer\u201d ao longo de sua obra teatral (cerca de 40 pe\u00e7as). O que nos leva a duas conclus\u00f5es: uma \u00e9 que no tempo do poeta de Romeu e Julieta (1564 a 1616) a cerveja j\u00e1 era uma bebida popular no Reino Unido. E a outra \u00e9 que al\u00e9m de g\u00eanio, o bardo de Stratford-Upon-Avon gostava de uma \u201cloura\u201d quase que hereditariamente: o pai dele era o mais pr\u00f3spero comerciante de \u201cales\u201d da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>To beer or not to beer&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(*) A adi\u00e7\u00e3o do l\u00fapulo \u00e0 f\u00f3rmula da cerveja, introduzida pelos monges nos anos 700 d.C., serviu n\u00e3o apenas para \u201cpuxar\u201d o sabor para o amargo, mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5005\" style=\"width:340px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-600x400.jpg 600w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da presid\u00eancia do INPI<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":34617,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-34612","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}