{"id":3453,"date":"2019-04-25T22:18:00","date_gmt":"2019-04-26T01:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3453"},"modified":"2020-03-02T23:19:54","modified_gmt":"2020-03-03T02:19:54","slug":"ce-de-educacao-discute-logica-do-ensino-superior-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2019\/04\/25\/ce-de-educacao-discute-logica-do-ensino-superior-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"CE de Educa\u00e7\u00e3o discute L\u00f3gica do Ensino Superior no s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cVivemos um momento de muita dificuldade para enxergarmos o que ser\u00e1 o Ensino Superior no Brasil\u201d, com essas palavras, o Consultor em Aprendizagem, Doc\u00eancia e Gest\u00e3o Universit\u00e1ria Alexandre Mendes Nicolini abriu sua palestra para o Conselho Empresarial de Educa\u00e7\u00e3o da ACRJ, no dia 16 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova l\u00f3gica do Ensino Superior no s\u00e9culo XXI foi o assunto da sua apresenta\u00e7\u00e3o, na qual Nicolini &#8211; que possui experi\u00eancia de 10 anos de pesquisa sobre gest\u00e3o de universidades &#8211; comentou sobre o panorama do Ensino Superior, apresentando os desafios, caminhos e tend\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando falamos da escolaridade de jovens com idade entre 20 e 24 anos, vemos que o Brasil est\u00e1 na 33\u00aa posi\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de jovens universit\u00e1rios, de acordo com dados divulgados pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico ou Econ\u00f4mico (OCDE). Como vamos nos manter como a 8\u00aa maior economia do mundo nessa posi\u00e7\u00e3o?\u201d, questionou Nicolini.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados apresentados por ele, desde 1980 houve uma inclus\u00e3o muito grande de pessoas no Ensino Superior. \u201cFomos de pouco mais de um milh\u00e3o de pessoas para sete milh\u00f5es em 2012, o que \u00e9 um progresso not\u00e1vel. Mas \u00e9 absolutamente insuficiente\u201d. De acordo com pesquisa do MEC\/Inep, quase 50% desses universit\u00e1rios est\u00e3o na regi\u00e3o Sudeste. \u201cMas n\u00e3o somos o \u00fanico lugar onde h\u00e1 desenvolvimento, muito pelo contr\u00e1rio. A regi\u00e3o que mais se desenvolve \u00e9 a Nordeste, onde ainda temos poucos universit\u00e1rios\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma predisposi\u00e7\u00e3o dos mais jovens de permanecerem nas salas de aulas, enquanto os mais velhos optam cada vez mais por fazer EAD, ou Ensino a Dist\u00e2ncia, como apontam os dados apresentados por Nicolini. \u201cAl\u00e9m disso, temos no Rio uma concentra\u00e7\u00e3o excessiva dos universit\u00e1rios na Regi\u00e3o Metropolitana, que centraliza 90% dos estudantes de ensino superior. A\u00ed come\u00e7amos a explicar o porqu\u00ea do resto do estado n\u00e3o se desenvolver. Falta inclusive gente capaz de promover o desenvolvimento nessas regi\u00f5es.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Rio de Janeiro tem 25% da popula\u00e7\u00e3o na faixa de idade entre 15 e 29 anos. S\u00e3o cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas em idade universit\u00e1ria. Por\u00e9m, apenas 500 mil cursam o Ensino Superior. \u201cIsso d\u00e1 bem menos do que 15% da popula\u00e7\u00e3o jovem na universidade, se voc\u00ea levar em conta que a idade universit\u00e1ria est\u00e1 entre 18 e 25 anos\u201d, definiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Nicolini, o problema n\u00e3o \u00e9 apenas educacional, mas principalmente social. \u201cDos jovens entre 15 e 17 anos, 65% s\u00f3 estudam. Quase 19% estudam e trabalham. Quando voc\u00ea passa para a idade universit\u00e1ria, entre 18 e 24 anos, o percentual de pessoas que s\u00f3 estudam cai para cerca de 14%. Uma redu\u00e7\u00e3o assustadora. Os que estudam e trabalham permanecem numa m\u00e9dia parecida, com uma pequena queda para quase 15%. Mas h\u00e1 um salto significativo dos que apenas trabalham: de 6,5% para 47,3%\u201d. Segundo a avalia\u00e7\u00e3o do consultor, as pessoas desistem de estudar e passam a trabalhar antes de chegarem na universidade. \u201cIsso vai se aprofundar na idade entre 25 e 29 anos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o problema, segundo ele, come\u00e7a antes. Entre os 8,4 milh\u00f5es de jovens matriculados no Ensino M\u00e9dio, apenas 50,2% se formam. Mesmo assim, apenas 10% dos que conclu\u00edram a escola demonstram o n\u00edvel de conhecimento esperado, de acordo com avalia\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. \u201cPor mais que estejamos recebendo estudantes no Ensino Superior, a qualidade deste estudante \u00e9 profundamente question\u00e1vel. Infelizmente a forma\u00e7\u00e3o que oferecemos a ele no ensino Superior tamb\u00e9m \u00e9 profundamente question\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A evas\u00e3o do ensino m\u00e9dio tamb\u00e9m \u00e9 assustadora. \u201cNo Rio de Janeiro, por exemplo, tivemos o n\u00famero de matriculados caindo, de 635 mil em 2009 para 573 mil em 2017, com o n\u00famero de concluintes estacionado. \u201cTivemos um ligeiro decr\u00e9scimo na popula\u00e7\u00e3o de adolescentes, mas n\u00e3o justificaria essa quantidade de estudantes evadindo do ensino m\u00e9dio. T\u00ednhamos espa\u00e7o para aumento do n\u00famero de matriculados, mas n\u00e3o \u00e9 o que aconteceu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nicolini apontou o que acredita ser a raz\u00e3o do problema. \u201cO Ensino Superior brasileiro foi formatado apenas para a elite. Os professores de institui\u00e7\u00f5es de primeira linha, que se dizem propensas a receber estudantes de classes mais pobres, n\u00e3o acreditam no potencial do estudante. Eles apenas os aceitam. N\u00e3o \u00e0 toa a evas\u00e3o no ensino superior \u00e9 muito alta: 33% na rede privada e 22% na rede p\u00fablica, por baixo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios da Universidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs institui\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o entenderam que o papel delas \u00e9 fazer com que o estudante aprenda, al\u00e9m de saber avaliar se ele aprendeu. Se elas fizessem isso j\u00e1 ter\u00edamos meio caminho andado\u201d. &nbsp;Segundo ele, h\u00e1 uma vis\u00e3o muito \u201cmecanicista\u201d do processo de aprendizado. \u201cAs universidades sempre acreditaram que expondo os estudantes ao conte\u00fado eles aprenderiam automaticamente. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Temos que, primeiro, organizar o trabalho para que ele possa aprender. Al\u00e9m disso, nunca notamos que o resultado da avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 o reconhecimento da sociedade\u201d. Para ele, como as institui\u00e7\u00f5es nunca deram import\u00e2ncia para avalia\u00e7\u00e3o, estamos formando indiv\u00edduos com forma\u00e7\u00e3o comprometida, com a concep\u00e7\u00e3o equivocada de que eles possuem um bom diploma nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele apresentou ainda algumas das quest\u00f5es que necessitam de uma vis\u00e3o atenta dos profissionais de Educa\u00e7\u00e3o, pois ser\u00e3o cruciais nos pr\u00f3ximos anos. Por exemplo, 60% das ocupa\u00e7\u00f5es profissionais ficar\u00e3o obsoletas at\u00e9 2065, de acordo com a OCDE. Qual ser\u00e1 o impacto disso nos cursos universit\u00e1rios? Al\u00e9m disso, novas ocupa\u00e7\u00f5es surgem sem propostas de novos cursos que possam cobrir essa demanda, acarretando um atraso nos projetos educacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante tamb\u00e9m enfrenta, segundo o trabalho de Nicolini, desafios de aprendizagem. Ele aponta que os cursos ensinam fragmentos epistemol\u00f3gicos, e n\u00e3o necessariamente profiss\u00f5es reais, enquanto os EADs trazem para si as mesmas fragilidades do ensino presencial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tend\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o trabalho de Nicolini, algumas tend\u00eancias nos curr\u00edculos educacionais v\u00eam surgindo, buscando atender essas mudan\u00e7as. Como por exemplo a necessidade dos curr\u00edculos se reorganizarem em fun\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de trabalho, cursos da mesma \u00e1rea compartilharem de compet\u00eancias comuns, em vez de disciplinas, e a necessidade da organiza\u00e7\u00e3o curricular dar origem a possibilidades, e n\u00e3o limit\u00e1-las. J\u00e1 outras tend\u00eancias se apresentam no campo da aprendizagem, como a universidade deixando de ser a \u00fanica fonte de saberes para se tornar uma delas, o professor se tornando um facilitador da aprendizagem, em vez de um transmissor de saberes, etc..<\/p>\n\n\n\n<p>As provas, nesses novos caminhos, deveriam se tornar um processo cient\u00edfico de coleta de dados, com a Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o atuando na gera\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos megadetalhados, propondo um \u201crecall\u201d de estudantes ao se identificar lacunas no desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim da apresenta\u00e7\u00e3o, o Presidente do Conselho Empresarial de Educa\u00e7\u00e3o, Wladymir Soares de Brito, agradeceu a participa\u00e7\u00e3o de Alexandre Mendes Nicolini, que concluiu sua palestra ressaltando a import\u00e2ncia de colocarmos \u201co emprego, a universidade, a ci\u00eancia e a tecnologia no horizonte. Isso vai fazer com que as pessoas se engajem mais, e deixem de procurar ocupa\u00e7\u00f5es alternativas, como o crime.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVivemos um momento de muita dificuldade para enxergarmos o que ser\u00e1 o Ensino Superior no Brasil\u201d, com essas palavras, o Consultor em Aprendizagem, Doc\u00eancia e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3454,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-3453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3453\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}