{"id":34165,"date":"2025-02-07T15:42:57","date_gmt":"2025-02-07T18:42:57","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=34165"},"modified":"2025-02-10T15:42:54","modified_gmt":"2025-02-10T18:42:54","slug":"gastronomia-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2025\/02\/07\/gastronomia-de-rua\/","title":{"rendered":"Gastronomia de rua"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>E no caso de um quiosque &#8211; no entorno da orla mar\u00edtima do Rio, ou de uma de suas lagoas &#8211; os cuidados e as demandas s\u00e3o outros: o som (ao vivo ou eletr\u00f4nico) h\u00e1 que chegar aos ouvidos em volume aceit\u00e1vel; o espa\u00e7o de conv\u00edvio \u00e9 indiscriminado, mas n\u00e3o pode ser prom\u00edscuo; n\u00e3o h\u00e1 requinte, mas h\u00e1 que haver higiene e infraestrutura dos servi\u00e7os e, sobretudo, o ar-livre tem que compensar o n\u00e3o-abrigo de um ambiente fechado e refrigerado pela vista da paisagem, pela informalidade, pelo visual das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, vamos nos entender: enquanto a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma urg\u00eancia org\u00e2nica, a gastronomia \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o dos sentidos, eu quase diria, um \u201cluxo do paladar\u201d. E ela pode ser contextualizada com pompa e circunst\u00e2ncia em um restaurante estrelado, ou degustada com igual prazer na simplicidade de uma tasca &#8211; ou a c\u00e9u aberto &#8211; em um quiosque carioca, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como tudo come\u00e7ou? Com as carrocinhas de comida, h\u00e1 mais de duzentos anos, no tempo do Brasil-Col\u00f4nia. E Debret pintou alguns quadros da \u00e9poca, com escravas preparando panel\u00f5es a c\u00e9u aberto, com caldos frios e quentes, arrozes com camar\u00f5es e mariscos, galinhas, porcos, tudo depois misturado com feij\u00e3o, farinha e muita cebola. E doces de frutas em calda, compotas, goiabadas, etc.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"591\" height=\"443\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/debret-edited.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34222\" style=\"width:350px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/debret-edited.jpeg 591w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/debret-edited-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Comida de rua pintada por Debret<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas j\u00e1 no s\u00e9culo XX, o Rio oferecia um outro tipo de alimento, mais pr\u00e1tico de fazer e mais f\u00e1cil de comer: o cachorro quente da carrocinha Jonn\u2019s, na Praia da Barra da Tijuca, sacada pioneira do rec\u00e9m-chegado cearense Jo\u00e3o Barreto, hoje uma lenda quando se fala em quiosques da orla do Rio. Tanto que no ano passado foi homenageado pela Associa\u00e7\u00e3o Comercial com o Pr\u00eamio Mau\u00e1 de Empres\u00e1rio do Ano (2024), gra\u00e7as \u00e0 iniciativa de outro vitorioso vision\u00e1rio, o m\u00e9dico e empres\u00e1rio Josier Vilar, atual presidente da bicenten\u00e1ria entidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"555\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/comida-de-rua-edited-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34219\" style=\"width:350px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/comida-de-rua-edited-1.jpeg 740w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/comida-de-rua-edited-1-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A primeira carrocinha Jonn\u2019s<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Observa\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>1: Aquela solit\u00e1ria carrocinha de 1962 \u201cse multiplicou\u201d em 309 quiosques modernos a partir do Projeto Rio Orla, equipados com todo o conforto, e inaugurou uma era que acrescentou gastronomia e conv\u00edvio \u00e0 \u201ccultura de praia\u201d da Cidade. Esses espa\u00e7os-quiosques hoje oferecem conforto, com m\u00fasica ao vivo, toda a estrutura sanit\u00e1ria e hidr\u00e1ulica e, para saborear, de petiscos saborosos e originais ou refei\u00e7\u00f5es completas, harmonizadas com champagne, espumantes, bons vinhos, drinques criativos ou sucos e a tradicional \u00e1gua-de-coco. E para comer, de simples tira0gostos a ostras, tartares, frutos do mar, ceviches, massas e tudo o que um restaurante moderno pode apresentar. E o mais importante: tornaram-se, tamb\u00e9m, espa\u00e7os de comemora\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rios e at\u00e9 casamentos, alguns com cem pessoas a bordo!<\/p>\n\n\n\n<p>2: No s\u00e9culo XVIII (e at\u00e9 hoje), em lugares frios, como na Inglaterra, e outros, o correspondente \u00e0 essa gastronomia informal eram (e s\u00e3o) os sandu\u00edches em ambientes fechados dos quartos ou salas. Sobretudo depois que um aristocrata ingl\u00eas, John Mantagu, conde da cidade de Sandwich, localizada no condado de Kent, e sendo um jogador de poker inveterado, bolou a solu\u00e7\u00e3o de se alimentar sem sair do carteado: dois peda\u00e7\u00f5es de p\u00e3o com uma fatia de carne assada ou rosbife dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Vida que segue!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":34168,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-34165","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34165\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34168"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}