{"id":33149,"date":"2024-11-25T10:44:01","date_gmt":"2024-11-25T13:44:01","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=33149"},"modified":"2024-11-25T15:40:35","modified_gmt":"2024-11-25T18:40:35","slug":"o-vinho-e-o-g20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/11\/25\/o-vinho-e-o-g20\/","title":{"rendered":"O Vinho e o G20"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>O ciclo do vinho, da parreira \u00e0 ta\u00e7a do consumidor, est\u00e1 em tr\u00e2nsito para um quarto realinhamento com o seu (nosso) tempo. O primeiro, foi a sa\u00edda das \u00e2nforas para a garrafa de 75\u00ba ml, com rolhas de corti\u00e7a; o segundo, o pulo verde para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos org\u00e2nicos; o terceiro, um audacioso passo ecol\u00f3gico: a produ\u00e7\u00e3o de biodin\u00e2micos. Este quarto movimento j\u00e1 est\u00e1 em curso e consiste em conectar objetivos interdependentes da cadeia produtiva, de forma a reformular o impacto ambiental produzido pela presen\u00e7a da vinha e do vinho na higiene ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>No vinhedo, por exemplo, cada vez mais o agroempreendedor conectado passou a praticar a chamada \u201cAgricultura de Precis\u00e3o\u201d, que consiste no geoapeamento do parreiral por fileira, no rastreamento gen\u00e9tico das uvas e, sobretudo, na redu\u00e7\u00e3o de defensivos qu\u00edmicos com a utiliza\u00e7\u00e3o do TPC (ThermalPestControl). Al\u00e9m de zelar pelo r\u00edgido controle do desperd\u00edcio h\u00eddrico e da gest\u00e3o de res\u00edduos. E caminhamos para a exig\u00eancia de certificados de carbono neutro, obtidos por meio de projetos de reflorestamento e\/ou pela implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias limpas, como a que recorre \u00e0 energia e\u00f3lica ou solar. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos, na sequ\u00eancia, o produto semifinal e os seus complementos: a garrafa de vidro, a rolha e o r\u00f3tulo. Eles entraram com pesos diferentes no elenco dos atuais vil\u00f5es do meio ambiente. S\u00f3 a garrafa no padr\u00e3o atual, por exemplo, representa cerca de 2\/3 da chamada \u201cpegada do carbono\u201d, a m\u00e9trica que contabiliza a emiss\u00e3o de gases de feito estufa na atmosfera. E isso porque o seu transporte em caminh\u00f5es ou assemelhados, que \u00e9 o mais comum e barato, aumenta a presen\u00e7a de di\u00f3xido de carbono nas ruas e estradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 testadas: no vidro, a utiliza\u00e7\u00e3o de garrafas pesando 300 a 400g, no m\u00e1ximo, em vez das garrafas de 600 a 900, atualmente em circula\u00e7\u00e3o. Ou a utiliza\u00e7\u00e3o de outros materiais, como as embalagens em \u201cbag-in-box\u201d de um e at\u00e9 tr\u00eas litros de vinho. E, na op\u00e7\u00e3o mais descolada, conceitualmente dirigida aos \u201cmillennials\u201d e \u00e0 gera\u00e7\u00e3o Z, vem o vinho em lata, lan\u00e7ado no eixo Rio-SP em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Como veda\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pelo menos tr\u00eas outros tipos de rolha, menos pesadas que as tradicionais. As rolhas de aglomerado de corti\u00e7a, as rolhas sint\u00e9ticas e as rolhas de rosca, em ingl\u00eas \u201cscrew-caps\u201d, que pelo menos para o vinho s\u00e3o isentas do risco de contamina\u00e7\u00e3o por fungos e bact\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro pr\u00f3ximo: as garrafas pets biodegrad\u00e1veis, com materiais recicl\u00e1veis e reciclados na embalagem e nos r\u00f3tulos, que s\u00e3o impressos com tintas \u00e0 base de \u00e1gua e com um design mais despojado, com menos camadas de tinta, lettering minimalista, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Detalhe: Obviamente n\u00e3o estamos incluindo os \u201cvinha\u00e7os\u201d de tr\u00eas e mais d\u00edgitos cada \u2013 em d\u00f3lares \u2013 nessa reciclagem ecol\u00f3gica. Eles ter\u00e3o que ser repensados com outras r\u00e9guas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta o \u00faltimo elo: o consumidor final. Na pessoa f\u00edsica, al\u00e9m de se beneficiar dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, como o controle de suas adegas \u00e0 dist\u00e2ncia (via smartphones), dos pagamentos digitais por criptomoedase ou pix, das dezenas de sites e links com informa\u00e7\u00f5es que incluem a certifica\u00e7\u00e3o ambiental e a novidade dos chatbots&nbsp; (abrevia\u00e7\u00e3o de rob\u00f4 dos&nbsp;chats), esp\u00e9cie de \u201cpersonal sommelier\u201d que ajudam o cliente menos entendido a fazer a escolha que melhor lhe conv\u00e9m ao bolso e \u00e0 boca, ele ter\u00e1 que estar mais atento \u00e0 corre\u00e7\u00e3o do fabricante e distribuidor.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para o comprador de grandes volumes, seja o atacadista seja o megacolecionador, h\u00e1 tamb\u00e9m uma novidade relevante: o controle de falsifica\u00e7\u00f5es pelo acesso ao blockchain. Isto \u00e9, um c\u00f3digo inserido no contrarr\u00f3tulo do vinho que permite verificar se a garrafa e o lote s\u00e3o verdadeiros, se a proced\u00eancia coincide com a origem geogr\u00e1fica escolhida (DOs), com a safra indicada, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O que falta? Um pacto social de todo o universo do vinho, com maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s comunidades do entorno, a\u00ed inclu\u00edda uma pol\u00edtica de respeito aos sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, vale dizer aos direitos trabalhistas na sua amplitude para todos os \u201coper\u00e1rios do vinho\u201d. S\u00f3 assim poderemos assegurar a presen\u00e7a eterna, porque sadia e economicamente relevante desse produto b\u00edblico \u2013 o vinho \u2014 que junto com o linho, o trigo e a azeitona nunca estiveram distantes da marcha humana nestes \u00faltimos cinco s\u00e9culos. Mas, h\u00e1 que agirmos com determina\u00e7\u00e3o e coragem, porque milagre, s\u00f3 o da \u00e1gua para o vinho nas Bodas de Cana\u00e3&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da diretoria do INPI e colunista amador de enogastronomia h\u00e1 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":33169,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-33149","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}