{"id":32656,"date":"2024-10-31T10:43:56","date_gmt":"2024-10-31T13:43:56","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=32656"},"modified":"2024-11-01T17:37:55","modified_gmt":"2024-11-01T20:37:55","slug":"halloween-no-brasil-nao-pegou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/10\/31\/halloween-no-brasil-nao-pegou\/","title":{"rendered":"Halloween: no Brasil n\u00e3o pegou"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, porque o substantivo nem primitivo \u00e9: Halloween \u00e9 a aglutina\u00e7\u00e3o das palavras \u201cAll Hallowws Eve\u201d, ou seja, \u201cV\u00e9spera do Dia de Todos os Santos\u201d. E as datas est\u00e3o juntas talvez at\u00e9 para exorcizar as bruxas do 31 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, porque a origem dessa festa, propositalmente macabra, vem de longe. Ela surgiu com os celtas que habitavam o territ\u00f3rio que compreende, hoje, a Inglaterra e a Irlanda, e aonde h\u00e1 dois s\u00e9culos a maioria das pessoas vivia nos campos, nas florestas e em aldeias. E l\u00e1, a morte era frequente sobretudo das m\u00e3es, de parto. E isso explica o protagonismo da MADRASTA, personagem dos contos dos Irm\u00e3os Grimm, por exemplo, como Branca de Neve, Jo\u00e3o e Maria, etc, nos quais a figura da segunda mulher do pai \u00e9 desenhada sempre pelo estere\u00f3tipo da falsa m\u00e3e, muito perversa. Mas como n\u00e3o \u00e9 pens\u00e1vel que essa orfandade inspirasse uma narrativa com a inten\u00e7\u00e3o de aterrorizar ainda mais as crian\u00e7as, fica bastante claro que o objetivo era o inverso. Provocar uma catarse.<\/p>\n\n\n\n<p>E tudo indica que na sequ\u00eancia, e ainda hoje em dia, sobretudo no Canad\u00e1, Irlanda, UK e nos EUA, a inten\u00e7\u00e3o embora menos freudiana continua com o mesmo vi\u00e9s: \u201cdesmoralizar\u201d o medo dessa representa\u00e7\u00e3o dos monstros da floresta: caveiras, aranhas, ratos, morcegos, vampiros, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda, uma curiosa li\u00e7\u00e3o a tirar dessa cerim\u00f4nia: como a personagem \u201cmadrasta\u201d era a personifica\u00e7\u00e3o da bruxa, cabe a d\u00favida: a fada \u00e9 sempre boa e a bruxa sempre \u00e9 m\u00e1?&nbsp; N\u00e3o necessariamente. Na est\u00f3ria da Bela Adormecida, como em outras, a vil\u00e3 era uma fada que por n\u00e3o ter sido convidada para a festa da princesa Aurora, ficou com tanta raiva (e a raiva \u201centorta o comportamento das pessoas\u201d) que come\u00e7ou a agir como bruxa. O que indica que no <em>contr\u00e1rio sensu<\/em> se uma bruxa se apaixonasse, o amor a faria compreender a bondade e a compaix\u00e3o, e ela se tornaria uma fada. O problema \u00e9 que as pessoas sentem medo das bruxas e n\u00e3o as convidam para o bem &#8212; querer!<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, as raz\u00f5es do mercado, j\u00e1 que os americanos n\u00e3o brincam em servi\u00e7o (nem se divertindo): eles aproveitaram que Outubro \u00e9 o m\u00eas da colheita da ab\u00f3bora (al\u00e9m de ma\u00e7\u00e3s e morangos), e elegeram essa \u201chort\u00edcola\u201d o s\u00edmbolo do Halloween. E mais: para n\u00e3o deixar as \u201cmommys and daddys\u201d de fora, destinaram a elas a tarefa de preparar doces horripilantes: olhos e dedos de bruxa, minhocas-gigantes, ma\u00e7as envenenadas (do amor?), pirulitos embrulhados em fotos de aranhas &#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os marmanjos aproveitam o embalo para encher a caveira (epa!) com drinques que lembram sangue, como na receita de um cl\u00e1ssico coquetel: vinho tinto, ou ros\u00e9, suco de frutas vermelhas, licor de cranberry, e peda\u00e7os de laranja em forma de lua cheia.<\/p>\n\n\n\n<p>E para sustentar que no Brasil \u00e9 a mais fraca das festas importadas, recorro ao escritor e historiador brit\u00e2nico Arnold Toynbee, que dizia que os anglo-americanos t\u00eam a caracter\u00edstica de quando a proposta \u00e9 \u201cse divertir\u201d, o espet\u00e1culo pode ter gra\u00e7a, ou n\u00e3o, eles se esbaldam&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da presid\u00eancia do INPI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":32657,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-32656","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32656\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}