{"id":31759,"date":"2024-10-01T10:55:16","date_gmt":"2024-10-01T13:55:16","guid":{"rendered":"https:\/\/acrj.org.br\/?p=31759"},"modified":"2024-10-01T10:59:30","modified_gmt":"2024-10-01T13:59:30","slug":"31759","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2024\/10\/01\/31759\/","title":{"rendered":"A rolha, parceira do vinho"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n\n\n\n<p>A inven\u00e7\u00e3o da rolha de corti\u00e7a constitui uma das maiores conquistas enol\u00f3gicas de todos os tempos. Ela \u00e9 atribu\u00edda ao monge beneditino franc\u00eas Don P\u00e9rignon (1639-1715), que era o respons\u00e1vel pela vinha e pelos vinhos da Abadia d`Hautvilliers, no norte do pa\u00eds. At\u00e9 \u00e0quela \u00e9poca, as garrafas eram tampadas com estopas embebidas em \u00f3leo ou azeite. E antes, no tempo dos eg\u00edpcios, gregos e romanos, n\u00e3o havia sequer garrafas: o vinho era retirado das pipas por vasilhas de barro e colocado em \u00e2nforas e, de l\u00e1, \u201cpescado\u201d em canecas que eram versadas nas ta\u00e7as dos convidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Um corte no tempo: por volta de 1680, j\u00e1 existiam garrafas de vidro, mas muito finas e fr\u00e1geis, e em v\u00e1rios formatos. A sua fun\u00e7\u00e3o era transportar o vinho das barricas at\u00e9 as mesas. O engenhoso D. P\u00e9rignon teve, ent\u00e3o, a ideia de derreter cera de abelhas no gargalo das garrafas de seus vinhos (elaborados com as uvas da regi\u00e3o) para assegurar-lhes uma melhor veda\u00e7\u00e3o. Ao fim de algumas semanas, no entanto, a maior parte das garrafas explodiu, deixando o monge perplexo. Mas logo compreendeu que o a\u00e7\u00facar contido na cera das abelhas se derretia e provocava uma dupla fermenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"676\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Don-Perignon-676x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31761\" style=\"width:340px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Don-Perignon-676x1024.jpeg 676w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Don-Perignon-198x300.jpeg 198w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Don-Perignon.jpeg 739w\" sizes=\"(max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>D. P\u00e9rignon<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Bingo! Estava descoberto o segredo do chamado m\u00e9todo \u201cchampenois\u201d de produzir espumantes, no caso o Champagne (*) para o qual muito contribuiu, tamb\u00e9m, um outro monge, Don Ruinart (**), que trabalhava junto com D. P\u00e9rignon. e cujo sobrinho, Nicolas, fundou mais tarde, em 1729, a Maison Ruinart. Mas essa dupla fermenta\u00e7\u00e3o dentro da garrafa eleva a press\u00e3o interna a cerca de 5 a 6 atmosferas, iguais a um pneu de caminh\u00e3o. Logo, ele precisava de algo mais resistente para conter toda aquela efervesc\u00eancia. Testou, ent\u00e3o, a rolha de corti\u00e7a (vindas da Espanha) e colocou como \u201ccapuz\u201d uma gaiola de arame. Deu certo. E mais ainda: por sorte dele e nossa, esse per\u00edodo coincidiu com a t\u00e9cnica de vidro soprado, cujos pioneiros foram os artes\u00e3os de Murano, perto de Veneza. Nascia o mais famoso produto vin\u00edcola do planeta, o Champagne (***).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobreiro<\/strong><br><br>O seu nome bot\u00e2nico tem pedigree latino: \u201cQuercus Suber\u201d. E forma um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do continente europeu. Seu plantio se encontra basicamente em Portugal (Alentejo), Espanha e Gr\u00e9cia. S\u00f3 que uma vez cortadas das \u00e1rvores, as \u201ccapas\u201d s\u00e3o submetidas a um longo processo de secagem e tratadas com fungicidas e s\u00f3 depois ficam prontas para serem recortadas e utilizadas nas garrafas. S\u00f3 que para que a casca dessa \u00e1rvore atinja a espessura ideal para a produ\u00e7\u00e3o de rolhas, leva cerca de 25 anos! E uma vez cortada a primeira vez, demora outros 9 anos para ficarem com a espessura desejada, outra vez. Suas virtudes s\u00e3o in\u00fameras: elasticidade, ader\u00eancia, compressibilidade, longevidade, al\u00e9m de ser natural e biodegrad\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/sobreiro-1024x680.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31762\" style=\"width:360px\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/sobreiro-1024x680.jpeg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/sobreiro-300x199.jpeg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/sobreiro-768x510.jpeg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/sobreiro.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Sobreiro com parte da casca retirada<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Brinde: quando a gente abre uma garrafa de vinho, tranquilo ou espumante, quase sempre a rolha \u00e9 mais velha do que o pr\u00f3prio vinho!<\/p>\n\n\n\n<p>(*) Champagne em franc\u00eas \u00e9 masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>(**) Muito mais tarde, em 1729, um sobrinho desse segundo monge, Nicolas, fundou a Maison Ruinart, outra marca de alt\u00edssimo prest\u00edgio, at\u00e9 porque bem mais rara do que os demais champagnes.<\/p>\n\n\n\n<p>(***) Desde 1889, o nome Champagne \u00e9 uma AOC (em franc\u00eas), a mais rigorosa Denomina\u00e7\u00e3o de Origem em vigor no pa\u00eds, que s\u00f3 permite que seja chamado de Champagne o espumante produzido na regi\u00e3o, e em 90% dos casos elaborado com duas uvas tintas, a Pinot Noir e a Pinot Meunier, e a branca, Chardonnay.<\/p>\n\n\n\n<p>Sant\u00e9!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5005\" style=\"width:280px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-600x400.jpg 600w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto-768x512.jpg 768w, https:\/\/acrj.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Assuntos-culturais_vice-Reinaldo-Paes-Barreto.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reinaldo Paes Barreto \u00e9 assessor da Presid\u00eancia do INPI<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Paes Barreto, membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":31760,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12,82],"tags":[],"class_list":["post-31759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-destaque_artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31759"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31759\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}