{"id":3170,"date":"2018-09-18T20:46:00","date_gmt":"2018-09-18T23:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3170"},"modified":"2020-03-01T20:47:52","modified_gmt":"2020-03-01T23:47:52","slug":"mudancas-geopoliticas-para-onde-vamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/09\/18\/mudancas-geopoliticas-para-onde-vamos\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as Geopol\u00edticas &#8211; Para onde vamos?"},"content":{"rendered":"\n<p>Ouvindo os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, sobre suas plataformas pol\u00edtico\/econ\u00f4micas, nota-se&nbsp; que, at\u00e9 agora, nenhum fez qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds com o exterior, como se isso n\u00e3o importasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00f5es que envolvam pol\u00edtica e com\u00e9rcio exterior s\u00e3o, talvez, propositalmente, ignoradas, ou por&nbsp; conveni\u00eancia ou mesmo por ignor\u00e2ncia. O alcance das propostas atinge, apenas, quest\u00f5es conjunturais&nbsp; internas (com exce\u00e7\u00e3o de um candidato).<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo em que vivemos&nbsp; est\u00e1 em acelerada&nbsp; mudan\u00e7a estrutural. A geopol\u00edtica&nbsp; tradicional voltou a fazer parte do planejamento dos pa\u00edses envolvidos, como a de Mahan (poder naval), de Mackinder&nbsp; (doutrina do &#8220;Heartland&#8221;), de Haushofer (espa\u00e7o vital) e de Spykman (&#8220;Rimland&#8221;).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os&nbsp; principais atores est\u00e3o ativos no &#8220;teatro de opera\u00e7\u00f5es&#8221; e aqui nos referimos aos Estados Unidos,&nbsp; R\u00fassia e&nbsp; China, que disputam seus espa\u00e7os vitais e &#8220;projetam&#8221; seus poderes, em constante competi\u00e7\u00e3o, estando a Europa a flutuar&nbsp; entre esses movimentos. Note-se, tamb\u00e9m, a Cor\u00e9ia do Norte que, sendo um pa\u00eds detentor de armamentos nucleares, se fez ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntamente com a quest\u00e3o da Crim\u00e9ia, a&nbsp; R\u00fassia&nbsp; vem desenvolvendo seu eixo de influ\u00eancia estrat\u00e9gica entre Moscou, Damasco, Erbil (regi\u00e3o do Curdist\u00e3o) e Tehran, assim como a&nbsp; &nbsp;aproxima\u00e7\u00e3o com a Turquia, membro da OTAN,&nbsp; se faz notar (o volume de com\u00e9rcio entre estes dois pa\u00edses j\u00e1 \u00e9 maior que o com\u00e9rcio entre a Turquia e os Estados Unidos). Recentemente,&nbsp; inclusive, o presidente daquele pa\u00eds (Turquia), Recep Tayyip Erdogan, identificou Moscou, juntamente com Beijing e Tehran, como alternativas \u00e0 Washington, o que gera consider\u00e1vel apreens\u00e3o, tanto na Europa, como nos Estados Unidos. Some-se a isso, a aproxima\u00e7\u00e3o da R\u00fassia com o Egito (o que poderia causar empecilhos aos Estados Unidos e \u00e0 Europa em rela\u00e7\u00e3o ao Canal de Suez), assim como a aproxima\u00e7\u00e3o com a L\u00edbia, cujos membros de seu governo j\u00e1 se reuniram com representantes russos, por diversas vezes (a L\u00edbia possui uma das maiores reservas de &#8220;light crude&nbsp; oil&#8221;, sendo a 5\u00aa reserva de g\u00e1s natural na \u00c1frica). Esta aproxima\u00e7\u00e3o&nbsp; poder\u00e1 influenciar o fornecimento de energia \u00e0 Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns consideram a R\u00fassia como a pot\u00eancia militar estrat\u00e9gica mais forte do mundo, e a China como a grande pot\u00eancia econ\u00f4mica, a caminho de se tornar um&nbsp; poder militar de consider\u00e1vel propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma alian\u00e7a estrat\u00e9gica entre a R\u00fassia e a China deve ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para o Ocidente,embora esta \u00faltima, aparentemente, atrav\u00e9s de seus representantes, evidencie suas rela\u00e7\u00f5es internacionais com a ret\u00f3rica do &#8220;respeito m\u00fatuo, equidade, justi\u00e7a, coopera\u00e7\u00e3o e benef\u00edcio rec\u00edproco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, a R\u00fassia, China e Mong\u00f3lia iniciaram manobras militares, batizadas de Vostok (2018). Tanto Xi Jinping como Putin prometeram refor\u00e7ar sua parceria devido &#8220;as posi\u00e7\u00f5es unilaterais diante dos problemas globais&#8221;, com clara refer\u00eancia ao governo Donald Trump.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A OTAN, como rea\u00e7\u00e3o, denunciou os &#8220;colossais&#8221; exerc\u00edcios militares (300 mil soldados russos), como um ensaio a um &#8220;conflito em larga escala&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses acordos geoestrat\u00e9gicos ocorrem ap\u00f3s o acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o do poder chin\u00eas ser\u00e1 evidente com a nova &#8220;Rota da Seda&#8221;, que incluir\u00e1&nbsp; 31% do PIB global, 34% do com\u00e9rcio mundial, 65 pa\u00edses, 3 bilh\u00f5es de pessoas da classe m\u00e9dia (at\u00e9 2050), e mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o mundial, influindo em suas id\u00e9ias, religi\u00f5es, pol\u00edticas e com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro giro, a presen\u00e7a da China e da R\u00fassia na Am\u00e9rica Central e do Sul \u00e9 digna de nota. Os chineses est\u00e3o em tratativas para constru\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua de um canal de liga\u00e7\u00e3o entre o Pac\u00edfico e o Atl\u00e2ntico(Grande Canal Interoce\u00e2nico), com capacidade para navios de 18 mil containers, rivalizando com o Canal do Panam\u00e1 (com menor capacidade), o que, geopoliticamente, seria um grande inconveniente aos interesses norte americanos, que tem aquela regi\u00e3o como um verdadeiro &#8220;Mare Nostrum&#8221;. N\u00e3o \u00e9 por acaso a ocorr\u00eancia de violentos confrontos nas ruas de Man\u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O relacionamento&nbsp; da China e da R\u00fassia com o governo de Maduro (Venezuela) tem, tamb\u00e9m,&nbsp; se expandido, inclusive, e, apenas como exemplo, com a implanta\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds de uma f\u00e1brica de fuzis russos AK-47, com capacidade inicial de produ\u00e7\u00e3o de 25.000 unidades por ano (parte dessa produ\u00e7\u00e3o poder\u00e1 vazar pelas fronteiras brasileiras).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os investimentos chineses no Brasil tendem a crescer (energia, infraestrutura e outros), j\u00e1 sendo a China nosso maior parceiro comercial, ultrapassando os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com todo este cen\u00e1rio de mudan\u00e7as e movimentos geoestrat\u00e9gicos, os Estados Unidos, certamente, est\u00e3o apreensivos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o chinesa (e russa) nesta regi\u00e3o do globo, sob sua influ\u00eancia. N\u00e3o foi por mera coincid\u00eancia que o Secretario de Defesa Norte Americano, General Jim Mattis, visitou, recentemente, nosso pa\u00eds, alertando sobre a amea\u00e7a que a presen\u00e7a chinesa poderia trazer ao Brasil, tendo dito, na oportunidade, para se ter &#8220;cuidado&nbsp; com os investimentos e presentes vindos da China&#8221;, nada falou, pelo menos publicamente, em rela\u00e7\u00e3o ao BRICS.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, a visita do Secret\u00e1rio de Defesa \u00e0 Col\u00f4mbia, para encontro com o Presidente Iv\u00e1n Duque M\u00e1rquez, ap\u00f3s sua visita ao Brasil, leva a crer, segundo alguns analistas, na possibilidade de uma interven\u00e7\u00e3o militar, direta ou indireta, na Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste quadro, cujo espectro \u00e9 muito mais amplo que o aqui relatado, como se posicionar\u00e1 o Brasil?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado do pleito de outubro deste ano talvez&nbsp; nos traga a&nbsp; resposta \u00e0 essa indaga\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Eduardo Lessa Bastos<\/strong><br>Advogado e S\u00f3cio de Lessa Bastos Advogados<br>Presidente do Conselho de Pol\u00edtica e Com\u00e9rcio Exterior da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouvindo os candidatos \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, sobre suas plataformas pol\u00edtico\/econ\u00f4micas, nota-se&nbsp; que, at\u00e9 agora, nenhum fez qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds com o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3155,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3170","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}