{"id":3154,"date":"2018-07-31T20:34:00","date_gmt":"2018-07-31T23:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3154"},"modified":"2020-03-01T20:37:05","modified_gmt":"2020-03-01T23:37:05","slug":"a-soberania-como-proposito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/07\/31\/a-soberania-como-proposito\/","title":{"rendered":"A soberania como prop\u00f3sito"},"content":{"rendered":"\n<p>Tivemos recentemente a honra de receber, na reuni\u00e3o do Conselho Empresarial de Pol\u00edtica e Com\u00e9rcio Exterior, Marcio Tadeu Bettega Bergo, General Chefe de Estudos e Pesquisas de Hist\u00f3ria Militar do Ex\u00e9rcito e Presidente do Instituto de Geografia e Hist\u00f3ria Militar do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Na oportunidade, o General Bergo teceu considera\u00e7\u00f5es sobre as fronteiras brasileiras, o conceito e pr\u00e1ticas nas guerras atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em apertada s\u00edntese, abaixo expomos algumas de suas observa\u00e7\u00f5es com o objetivo de ampliar o acesso a informa\u00e7\u00f5es de import\u00e2ncia nacional:<\/p>\n\n\n\n<p>A ocorr\u00eancia de homic\u00eddios no Brasil foi, em 2016, de mais de 62 mil mortes, estando o Rio de Janeiro em 9\u00ba lugar no ranking entre os Estados da Federa\u00e7\u00e3o. Sergipe \u00e9 o primeiro. Essa viol\u00eancia, segundo alguns especialistas, faz o Brasil viver um processo &#8220;descivilizat\u00f3rio&#8221;, custando ao Estado brasileiro, entre 1996 e 2015, R$450 bilh\u00f5es, enquanto em alguns pa\u00edses, como o Jap\u00e3o, por exemplo, os policiais enfrentam um outro problema: falta do que fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00famero brutal equivale, grosso modo, \u00e0 queda de dois avi\u00f5es da ponte a\u00e9rea Rio\/SP por dia, matando todos os seus ocupantes. \u00c9 a nossa trag\u00e9dia particular!<\/p>\n\n\n\n<p>O que se entende por guerra, n\u00e3o \u00e9 um conceito absoluto, pois envolve muitas vari\u00e1veis. O entendimento depende da forma\u00e7\u00e3o intelectual, religiosa, moral ou ideol\u00f3gica de quem o formula, bem como de que guerra est\u00e1 se falando, de que \u00e9poca e de que geografia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Seguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas um sentimento individual moment\u00e2neo de despreocupa\u00e7\u00e3o. \u00c8 um somat\u00f3rio de atividades e benef\u00edcios perenes, di\u00e1rios, abrangentes, que incluem a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es policiais e na Justi\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, o problema n\u00e3o \u00e9 a seguran\u00e7a, mas sim, a inseguran\u00e7a. E quais seriam suas causas?&nbsp; A lista compreende narcotr\u00e1fico, trabalho escravo, jogos de azar clandestinos, tr\u00e1fico de pessoas\/\u00f3rg\u00e3os e animais, contrabando (inclusive de armas), terrorismo, armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa, corrup\u00e7\u00e3o, falsidade e fraudes (previd\u00eancia, licita\u00e7\u00f5es), insurrei\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e comerciais, sequestros e extors\u00f5es, viol\u00eancia urbana, crimes cibern\u00e9ticos, crime organizado em geral, e subdesenvolvimento, pobreza, fome, epidemias, desagrega\u00e7\u00e3o social, analfabetismo, exclus\u00e3o tecnol\u00f3gica, cobi\u00e7a internacional, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os ingredientes causadores de inseguran\u00e7a s\u00e3o in\u00fameros e muitos deles est\u00e3o fortemente presentes em nosso Pa\u00eds, alguns com origem no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pa\u00eds como o Brasil, com 16.885km de fronteira terrestre e 7.367Km de litoral, com extens\u00e3o norte-sul de 4.395km e leste oeste de 4.319km, torna-se um atrativo para as pr\u00e1ticas criminosas. Diz-se que o Brasil n\u00e3o tem problemas de fronteiras, mas sim, nas fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as rotas de coca\u00edna, maconha e outras drogas no Pa\u00eds, por vias hidrovi\u00e1rias, principalmente na regi\u00e3o norte, nas fronteiras com Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia e Peru, o que torna nosso Pa\u00eds uma das principais rotas de escoamento do produto no continente sul-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada de armas em nosso territ\u00f3rio, estas ingressam no Pa\u00eds por via mar\u00edtima (portos no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1) ou terrestre (fronteiras com Venezuela, Col\u00f4mbia, Peru, Bol\u00edvia e Paraguai).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o conceito de \u201cfronteira\u201d envolve, ainda, al\u00e9m dessas chamadas \u201cgeogr\u00e1ficas ou tradicionais\u201d, as fronteiras \u201cmodernas ou metaf\u00edsicas\u201d, que s\u00e3o os ambientes ou contatos econ\u00f4mico-financeiros, comerciais, aeroespaciais, ciberespaciais, culturais e do conhecimento. Nestas difusas fronteiras, \u00e9 bastante dif\u00edcil ou mesmo imposs\u00edvel separar \u201cinterno\u201d de \u201cexterno\u201d. E in\u00fameros conflitos e il\u00edcitos acontecem nestes espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Il\u00edcitos destas \u201ccores\u201d geram uma guerra assim\u00e9trica, onde as disparidades de for\u00e7as s\u00e3o grandes e os contendores ocultos ou dissimulados. Esta \u00e9 caracterizada pelas guerras comerciais entre as na\u00e7\u00f5es (ofensivas comerciais), por ataques financeiros, imposi\u00e7\u00f5es legais, opera\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, a\u00e7\u00f5es cibern\u00e9ticas, fluxos il\u00edcitos de capitais, press\u00f5es sobre recursos naturais\/meio ambiente e outras a\u00e7\u00f5es, tanto \u201ctransmilitares\u201d como \u201cn\u00e3o-militares\u201d. Este tipo de conflito \u00e9 altamente complexo, envolve incont\u00e1veis inimigos, o teatro de opera\u00e7\u00f5es \u00e9 disforme e amplo e os \u201ccombatentes\u201d n\u00e3o est\u00e3o, necessariamente, coordenados entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar um novo rumo ao Brasil, ent\u00e3o, o grande desafio est\u00e1 no campo das ideias, do pensamento humano. H\u00e1 que se moldar um comprometimento de todos com a Na\u00e7\u00e3o, consolidar prop\u00f3sitos de harmonia, boa conviv\u00eancia, estudo, pesquisa e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa proposta se fundamenta em tr\u00eas pilares:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Aceitar e se adaptar ao imut\u00e1vel &#8211; As leis da natureza (a f\u00edsica, a qu\u00edmica, a marcha do tempo etc.) e \u00e0 ess\u00eancia humana;<\/p>\n\n\n\n<p>2. Preparar-se para o imprevis\u00edvel &#8211; As mudan\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas, as cat\u00e1strofes, bem como de onde e quando surgir\u00e1 um conflito;<\/p>\n\n\n\n<p>3. Atuar sobre o que pode ser mudado &#8211; As popula\u00e7\u00f5es, as tecnologias, as obras humanas e as ideias, que evoluem ou involuem.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se, portanto, ir \u00e0s ra\u00edzes dos problemas, atrav\u00e9s da proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, o que se pode denominar de as quatro revolu\u00e7\u00f5es que virariam o Brasil de &#8220;cabe\u00e7a para cima\u201d:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Educacional &#8211; atuar sobre as pessoas, transmitindo-lhes conhecimentos e valores; isso eliminaria 40% das causas do que chamamos de \u201cfatos negativos\u201d (erros, omiss\u00f5es e crimes);&nbsp;<\/li><li>Financeira &#8211; alterar o sistema, suas regras e modos de fiscaliza\u00e7\u00e3o; assim desapareceriam mais 40% das causas; estas duas s\u00e3o medidas proativas;&nbsp;<\/li><li>Judici\u00e1ria &#8211; sancionar os infratores adequadamente, com repara\u00e7\u00e3o e\/ou puni\u00e7\u00e3o; seria o \u201crem\u00e9dio\u201d para os 20% restantes, uma a\u00e7\u00e3o reativa;&nbsp;<\/li><li>Pol\u00edtica &#8211; perseguir a representatividade, for\u00e7ar o comprometimento dos representantes eleitos do povo.&nbsp;&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Para construir o futuro do Brasil, \u00e9 imprescind\u00edvel a defini\u00e7\u00e3o do que queremos. Depois, planejar. E, por fim, agir. Desde j\u00e1! Porque a na\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tra\u00e7ar os seus pr\u00f3prios rumos, os ter\u00e1 ditados por outra na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong> Eduardo Lessa Bastos<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tivemos recentemente a honra de receber, na reuni\u00e3o do Conselho Empresarial de Pol\u00edtica e Com\u00e9rcio Exterior, Marcio Tadeu Bettega Bergo, General Chefe de Estudos e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3155,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3154\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}