{"id":3151,"date":"2018-07-23T20:32:00","date_gmt":"2018-07-23T23:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3151"},"modified":"2020-03-01T20:33:57","modified_gmt":"2020-03-01T23:33:57","slug":"porque-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/07\/23\/porque-cultura\/","title":{"rendered":"Porque cultura"},"content":{"rendered":"\n<p>O projeto sonhado e alinhavado pelo Dr. Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira nascia h\u00e1 trinta de tr\u00eas anos no impulso de dotar o povo brasileiro de uma cidadania qualificada. A cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura do Brasil aconteceu no dia 15 de mar\u00e7o de 1985, no governo do presidente Jos\u00e9 Sarney. Ao longo de sua exist\u00eancia teve duas r\u00e1pidas interrup\u00e7\u00f5es, nos governos de Fernando Collor de Mello e Michel Temer. Apesar das exce\u00e7\u00f5es, se consolidou e se tornou prioridade, atuando de maneira articulada nos diferentes setores da vida p\u00fablica e privada, multiplicando investimentos, viabilizando pol\u00edticas inclusivas e eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada fim de governo, a pertin\u00eancia desse Minist\u00e9rio \u00e9 questionada em decorr\u00eancia de uma vis\u00e3o equivocada da Cultura e de sua aplicabilidade no setor econ\u00f4mico. Essa \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o que coloca a Cultura como uma mera estat\u00edstica de n\u00fameros gerados por gastos e receitas. Quando o que se deve enfatizar s\u00e3o o debate e a an\u00e1lise das quest\u00f5es fundamentais para o fortalecimento da cidadania pelo reconhecimento da import\u00e2ncia das tradi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e do acesso aos produtos culturais. Como um projeto de respeito e promo\u00e7\u00e3o de nossa diversidade cultural, potencial gerador de empregos e recursos. Cultura n\u00e3o pode ser negociada como um bem de consumo qualquer, e sim como o patrim\u00f4nio acumulado de uma popula\u00e7\u00e3o que por gera\u00e7\u00f5es preserva e transmite saberes e fazeres.<\/p>\n\n\n\n<p>Etimologicamente Cultura, vem do latim, colere, cultivar, preparar a terra, plantar, semear, festejar a colheita cantando e dan\u00e7ando. Um processo repetido a cada ano, mantendo os mesmos princ\u00edpios de a\u00e7\u00f5es e festejos&nbsp; combinando tempo, espa\u00e7o e mem\u00f3ria. Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 que mant\u00eam a tradi\u00e7\u00e3o que nos permite contemplar o passado e compartilh\u00e1-lo no presente. Cultura nesse sentido \u00e9 o que nos instiga e nos faz evoluir num cen\u00e1rio din\u00e2mico de conhecimentos, saberes e tradi\u00e7\u00f5es no dom\u00ednio da cria\u00e7\u00e3o, das t\u00e9cnicas e da produ\u00e7\u00e3o como encantamento e magia da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um governo percebe a Cultura como a express\u00e3o ancestral e simb\u00f3lica de tudo, ela se faz cidad\u00e3 e saber\u00e1 valorizar as pessoas e suas formas de vida, pois a cidadania se realiza melhor em ambiente de cuidado e respeito. Deixa de ser somente a administra\u00e7\u00e3o de recursos, um processo mercantilista para se transformar tamb\u00e9m na administra\u00e7\u00e3o de sonhos, de beleza de sentimentos e, assim, a vida passa ser o centro de tudo e n\u00e3o a coisa, como diz nosso poeta, compositor, cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil. Um pa\u00eds \u00e9 constru\u00eddo por indiv\u00edduos que valorizados na sua tradi\u00e7\u00e3o ser\u00e3o agentes multiplicadores de atos criativos em sua dimens\u00e3o regional e nacional e geradores de desenvolvimento e emprego. N\u00e3o mais um ornamento e sim algo b\u00e1sico na vida de todo cidad\u00e3o. \u00c9 essa a cidadania desejada, que desde muito falta no cotidiano desigual, violento, miser\u00e1vel e injusto do nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Inacredit\u00e1vel \u00e9 imaginar que no Brasil,passados 518 anos, ainda se escuta que o pa\u00eds est\u00e1 em processode constru\u00e7\u00e3o. Mesmo compreendendo constru\u00e7\u00e3o como um ben\u00e9fico instrumento de renova\u00e7\u00e3o. O Estado precisa reverter esta percep\u00e7\u00e3o para a de um pa\u00eds que permanentemente \u00e9 capaz de construir, com sua enorme for\u00e7a cultural mecanismo para absorver a diversidade de valores que est\u00e3o reunidos no seu territ\u00f3rio e fortalec\u00ea-los perante aos desafios contempor\u00e2neos impostos pela globaliza\u00e7\u00e3o e pela tecnologia. O universo de valores e saberes que hoje est\u00e3o no centro da economia mundial s\u00e3o os que condicionam o desenvolvimento da inova\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o da economia regional, capaz de fortalecer o homem no seu espa\u00e7o, longe da marginalidade dos grandes centros urbanos, onde reina a viol\u00eancia e o anonimato. Essa sobreviv\u00eancia depende da afirma\u00e7\u00e3o da Cultura como agente gerador da coincid\u00eancia do nosso modo de ser e de fazer como fonte econ\u00f4mica de crescimento regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer \u00e1rea governamental, especialmente a social, h\u00e1 uma demanda permanente de moderniza\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o pode ser entendido como exclus\u00e3o do organograma de um programa governamental. Todo o cidad\u00e3o no Brasil de hoje tem a dimens\u00e3o da crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e administrativa por que passa o pa\u00eds. Mas a crise \u00e9 tamb\u00e9m conceitual, presencia\u2013se a falta de modelos que gerem respostas eficazes e que possam substituir a estagna\u00e7\u00e3o e a descren\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os agentes administrativos n\u00e3o s\u00e3o, muitas vezes, capazes de perceber que a continuidade de a\u00e7\u00f5es acertadas n\u00e3o significa descr\u00e9dito, muito pelo contr\u00e1rio,fortalece o novo com a possibilidade de seguir em outras e novas dire\u00e7\u00f5es, cada vez mais desafiantes dentro da economia cultural. A complexidade cultural que penetra os diversos setores como cinema, televis\u00e3o, teatro, m\u00fasica, artes, patrim\u00f4nio, museus, livro, para citar os chamados cl\u00e1ssicos, \u00e9 hoje confrontada com novas fronteiras que rompem paradigmas e introduzem na produ\u00e7\u00e3o cultural tend\u00eancias e tecnologias contempor\u00e2neas, como videogames, anima\u00e7\u00f5es, consumo e conte\u00fado de internet, que exigem par\u00e2metros legais de direitos autorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2003, o Banco Mundial realizou o primeiro estudo para mensurar o impacto da Cultura. O resultado apontou as atividades culturais respons\u00e1veis por 7% do crescimento do PIB mundial, concorrente das cifras das ind\u00fastrias b\u00e9licas e petrol\u00edferas. De l\u00e1 at\u00e9 hoje, esse n\u00famero vem crescendo, o que levou muitos pa\u00edses a investirem fortemente nos equipamentos culturais de qualidade. No Brasil, infelizmente ainda n\u00e3o h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de toda a potencialidade da atividade cultural como geradora de emprego e investimentos sociais, tanto nos grandes centros urbanos como nas pequenas cidades. Os governos n\u00e3o destinam sequer 1% do or\u00e7amento nacional para pol\u00edticas culturais, como acordo assinado pelo Brasil com a UNESCO. Os \u00edndices n\u00e3o passam de 0,7%, sendo que em 2017 a aplica\u00e7\u00e3o foi de 0,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o governo decidir atuar de forma precisa e articulada na Cultura, multiplicando investimentos que permitam a realiza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, metas e a conclus\u00e3o dos projetos do setor, gerar\u00e1 confian\u00e7a no investidor e poder\u00e1 ver os resultados em propostas de alto retorno social, educativo e econ\u00f4mico. Para tanto, basta ter \u00e0 vontade pol\u00edtica de colocar a Cultura no mesmo patamar da Educa\u00e7\u00e3o e da Sa\u00fade. O governo que assim agir ser\u00e1 vitorioso e colher\u00e1 os frutos desse investimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Vera Lucia Bottrel Tostes<\/strong><br>Muse\u00f3loga, historiadora. Presidente do Conselho Empresarial de Assuntos Culturais da ACRJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto sonhado e alinhavado pelo Dr. Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira nascia h\u00e1 trinta de tr\u00eas anos no impulso de dotar o povo brasileiro de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3152,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}