{"id":3135,"date":"2018-05-26T20:19:00","date_gmt":"2018-05-26T23:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3135"},"modified":"2020-03-01T20:20:44","modified_gmt":"2020-03-01T23:20:44","slug":"manifesto-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/05\/26\/manifesto-carioca\/","title":{"rendered":"Manifesto Carioca"},"content":{"rendered":"\n<p>Este rec\u00e9m nascido mil\u00eanio, adolescente s\u00e9culo e maduro dec\u00eanio v\u00eam de deparar-se com a fadiga do Sistema Representativo. O cidad\u00e3o se expressa em WhatsApp, Twitter, mergulha no Google Earth, nanotecnologia, Bitcoin, uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que transforma nossa vida, o trabalho e a forma como nos relacionamos: \u201c4\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Fechamo-nos em condom\u00ednios, centros comerciais, pequenas aldeias, entretanto, globais. A arte, sempre na vanguarda, deixara, h\u00e1 muito, o cavalete para expressar seu \u201cestranhamento\u201d no cotidiano e convocou o expectador para protagonista. A perspectiva, assim, cedera lugar ao Dada; a Duchamps; ao \u201cPop Art\u201d com Latas Campbell, de Warhol; ao samba\/neoconcreto do \u201cParangol\u00e9\u201d de Oiticica, pulsante cria\u00e7\u00e3o interativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais met\u00e1foras \u2013 no s\u00e9culo 21 \u2013 prenunciam, no ambiente do Direito, da democracia, da teoria geral do Estado, o abandono do discurso para, igualmente, atirar o governante \u00e0 vida real, aos m\u00faltiplos e aleat\u00f3rios fragmentos do humano, cuja colagem em retalhos conforma uma sociedade plural e caleidosc\u00f3pica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o falta tecnologia a permitir ao cidad\u00e3o aprovar diretamente novas leis, via identidade digital, como nas contas banc\u00e1rias; ou a facial, do IPhone X, reservando-se&nbsp;ao \u201cParlamento\u201d o papel de sistematizar e redigir propostas legislativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais de ampliar o protagonismo no Executivo como \u201cconcession\u00e1rio\u201d de quase todos servi\u00e7os p\u00fablicos, fica reservado ao governo regular, fiscalizar, a seguran\u00e7a e a Justi\u00e7a. A arbitragem e a media\u00e7\u00e3o consubstanciam, crescentemente, o espa\u00e7o do ju\u00edzo privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dia conhecemos o \u201cOM.art\u201d, espa\u00e7o livre, urbano, carioca, ecol\u00f3gico, destinado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, \u00e0 transcend\u00eancia, \u00e0 alegoria da vida transmutada em arte, inaugurado com a \u201cRhodislandia\u201d de Oiticica, integrado \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Berna Reale, 40 anos depois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasileiro carece dessa transcend\u00eancia, da l\u00edrica, da po\u00e9tica, para poder lidar com a cotidiana e absurda viol\u00eancia, como sugerira Samuel Wainer a Nelson Rodrigues, para uma nova coluna com a dimens\u00e3o tr\u00e1gica do notici\u00e1rio policial da \u201c\u00daltima Hora\u201d, dando \u00e0 luz \u201cA vida como ela \u00e9\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia urbana e pol\u00edtica deixa perplexo o cidad\u00e3o com tiroteios e assaltos \u00e0 luz do dia, a putrefa\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico e a septicemia f\u00e9tida do aparelho estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>Considera\u00e7\u00f5es morais e personalizadas serviriam apenas para blindar o \u201cOvo da Serpente\u201d, ou seja: o \u201cEstado Paternalista\u201d, que 88 fez substituir ao \u201cEstado Policial Militar\u201d, mas perfilhou seu filho bastardo, o \u201cCapitalismo de Estado, Corporativista\u201d, esdr\u00faxula combina\u00e7\u00e3o do loteamento e da coopta\u00e7\u00e3o, herdeiro&nbsp;do \u201cEstado Novo\u201d, vers\u00e3o Macuna\u00edma do neofascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Da \u201cNova Rep\u00fablica\u201d resta-nos a fal\u00eancia financeira e \u00e9tica do presidencialismo de coopta\u00e7\u00e3o. A transcend\u00eancia s\u00f3 nascer\u00e1 de uma \u201cConstituinte Exclusiva\u201d, com homologa\u00e7\u00e3o popular, que redesenhe o Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, talvez possamos inaugurar nova democracia menos representativa, mais direta, menos coronelista, mais meritocr\u00e1tica, estruturada em voto distrital e campanha de TV, expositiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados formam-se, basicamente, para promover a seguran\u00e7a pessoal, coletiva e jur\u00eddica; \u00e9 preciso assegur\u00e1-las. Devemos, de agora em diante, igualar direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios do servidor p\u00fablico ao privado. Estabilidade, s\u00f3 para militares, Judici\u00e1rio e MP, cinco anos de efetivo e folha constantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Simplificar a tributa\u00e7\u00e3o, cujo peso percentual pode decrescer, com aumento da arrecada\u00e7\u00e3o, se menor que o incremento do produto (base de volume). Servi\u00e7o p\u00fablico eficiente e transparente, com neg\u00f3cios abertos na TV e Internet, ao vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Adeus, Macuna\u00edma, her\u00f3i sem car\u00e1ter! Seja bem-vinda, Constitui\u00e7\u00e3o da \u201c4a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d. Oiticica poderia at\u00e9 chamar voc\u00ea de \u201cConstitui\u00e7\u00e3o Parangol\u00e9\u201d!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>H\u00e9lio Paulo Ferraz<\/strong><br>Vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro<br>Advogado colaborativo e mediador<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este rec\u00e9m nascido mil\u00eanio, adolescente s\u00e9culo e maduro dec\u00eanio v\u00eam de deparar-se com a fadiga do Sistema Representativo. 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