{"id":3130,"date":"2018-04-16T20:15:00","date_gmt":"2018-04-16T23:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3130"},"modified":"2020-03-01T20:16:50","modified_gmt":"2020-03-01T23:16:50","slug":"fraude-corporativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/04\/16\/fraude-corporativa\/","title":{"rendered":"Fraude corporativa"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Os artigos publicados neste site s\u00e3o de inteira responsabilidade de seus autores. As opini\u00f5es neles emitidas n\u00e3o expressam necessariamente o ponto de vista da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 13 anos, a Justi\u00e7a alem\u00e3 constatou que a Siemens, gigante de tecnologia, era parte de uma rede internacional de distribui\u00e7\u00e3o de subornos que inclu\u00eda tamb\u00e9m o Brasil. Calcula-se que o caso acabou custando a uma das empresas de maior prest\u00edgio na Alemanha cerca de 2,5 bilh\u00f5es de euros, ou seja, mais de R$ 8 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De 2005 at\u00e9 os dias de hoje, com o esc\u00e2ndalo mais recente que envolveu a Odebrecht, o maior grupo da constru\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, as formas de combate ao crime v\u00eam se sofisticando e o fraudador v\u00eam tomando maiores cuidados com o passar do tempo e a partir do uso constante da tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, podemos considerar que investiga\u00e7\u00f5es e fraudes corporativas figuram quatro momentos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo como marco importante a lei anticorrup\u00e7\u00e3o (Lei 12.846), que passou a valer a partir de 2013 e que disp\u00f5e sobre a responsabiliza\u00e7\u00e3o administrativa e civil de pessoas jur\u00eddicas pela pr\u00e1tica de atos contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a primeira fase ocorreu antes de essa legisla\u00e7\u00e3o entrar em vigor. Na \u00e9poca em que n\u00e3o havia uma norma jur\u00eddica que desse conta das fraudes, as a\u00e7\u00f5es de combate eram apenas reativas e n\u00e3o preventivas e realizadas por escrit\u00f3rios n\u00e3o especializados em investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a entrada da lei no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, as firmas de investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a se consolidar no mercado. Nesse per\u00edodo, come\u00e7a-se a se pensar em preven\u00e7\u00e3o de fraudes e surgem os primeiros programas de&nbsp;<em>compliance<\/em>&nbsp;nas companhias estrangeiras sediadas no Brasil. Contraditoriamente, as empresas brasileiras ainda estavam resistentes \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da lei 12.846\/2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Num terceiro momento, entre 2014 e os dias atuais, temos como refer\u00eancia o in\u00edcio da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato \u2013 que investiga um esquema bilion\u00e1rio de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras, empreiteiras e pol\u00edticos \u2013 ainda com a\u00e7\u00f5es fortemente reativas, mas com objetivo de estabelecer padr\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o com equil\u00edbrio entre investiga\u00e7\u00f5es internas e externas. Na realidade atual, vimos finalmente programas de&nbsp;<em>compliance<\/em>&nbsp;ganhando corpo e entrando finalmente em fase de maturidade no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, podemos vislumbrar que, no futuro, nas a\u00e7\u00f5es de combate e de resposta a incidentes de fraudes, haver\u00e1 um equil\u00edbrio entre preven\u00e7\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o e o fortalecimento ainda maior da maturidade de&nbsp;<em>compliance<\/em>&nbsp;com as empresas aptas a responder as demandas que surgirem. Podemos apostar que o tema fraude corporativa ir\u00e1 fazer parte permanente da agenda da auditoria externa e da pauta dos comit\u00eas de administra\u00e7\u00e3o e de auditorias das empresas. Sendo assim, a revis\u00e3o de documentos dar\u00e1 lugar ao apoio das ferramentas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o sendo implementada de forma combinada e cruzada com o conhecimento cont\u00e1bil, o que ter\u00e1 um papel importante e ser\u00e1 um diferencial desse processo. Surge aqui a import\u00e2ncia do uso de dados e an\u00e1lises e da intelig\u00eancia artificial como parceiros na identifica\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es suspeitas, rela\u00e7\u00e3o de conflito de interesses, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a um ambiente corporativo cada vez mais complexo e de fraudadores ainda mais especializados com pr\u00e1ticas sofisticadas que v\u00e3o al\u00e9m da troca de mensagens por&nbsp;<em>e-mail&nbsp;<\/em>e pelo&nbsp;<em>whatsapp<\/em>, as investiga\u00e7\u00f5es ter\u00e3o que aprender a navegar nesse universo, para trazer as respostas que se espera, num futuro bem pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"><strong>Marcelo Alcides C. Gomes<\/strong>&nbsp;<br>Diretor Comercial da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os artigos publicados neste site s\u00e3o de inteira responsabilidade de seus autores. As opini\u00f5es neles emitidas n\u00e3o expressam necessariamente o ponto de vista da Associa\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3131,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}