{"id":3128,"date":"2018-04-09T20:13:00","date_gmt":"2018-04-09T23:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3128"},"modified":"2020-03-01T20:14:55","modified_gmt":"2020-03-01T23:14:55","slug":"robusta-e-sincronizada-recuperacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/04\/09\/robusta-e-sincronizada-recuperacao\/","title":{"rendered":"Robusta e Sincronizada Recupera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>A recente volatilidade das bolsas de valores, tanto no exterior quanto no Brasil, provocou temor que a conjuntura de forte crescimento global da economia mundial em 2018 estivesse a ponto de inverter-se, sinalizando risco de retorno da crise mundial de 2008, cujas sequelas mais longas s\u00f3 agora estariam sendo superadas com escopo quase universal.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais plaus\u00edvel, entretanto, \u00e9 que 2018 venha a confirmar as expectativas de robusto crescimento global, sem afastar a hip\u00f3tese de a alta volatilidade dos ativos burs\u00e1teis, vir a tornar-se fen\u00f4meno neo-normal. O crescimento generalizado do PIB de quase todas as na\u00e7\u00f5es parece estar afastando o espectro de uma estagna\u00e7\u00e3o secular, hip\u00f3tese levantada por alguns economistas, entre eles Larry Summers. Em compensa\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos de conviver, por algum tempo, com uma labilidade dos pre\u00e7os burs\u00e1teis, coerente com a resili\u00eancia de incertezas de natureza geopol\u00edtica: estas estar-se-iam fortalecendo desde o surgimento de sentimento generalizado de mal-estar e desencanto com a pol\u00edtica tradicional, realimentado pelo surgimento de nacionalismos potencialmente autorit\u00e1rios. A elei\u00e7\u00e3o de Trump nos Estados Unidos e sua atua\u00e7\u00e3o disruptiva desde sua posse, o Brexit, a ascend\u00eancia de governos extremistas de direita em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa Central entre eles a Pol\u00f4nia, \u00c1ustria e Hungria, al\u00e9m da Turquia, parecem indicar que a Democracia de Direito, a Economia de Mercado, e a complexa mas eficaz estrutura de Governan\u00e7a global pacientemente constru\u00edda desde o fim da 2\u00aa Guerra Mundial sob a lideran\u00e7a dos Estados Unidos. est\u00e3o sendo desafiadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A conjuntura global em curso, de crescimento, ficou clara com a previs\u00e3o do Banco Mundial, no come\u00e7o deste ano de expans\u00e3o m\u00e9dia da economia global de 3,1% em 2018. O n\u00famero pode ser considerado conservador j\u00e1 que progn\u00f3sticos mais recentes, com o do FMI e da OECD projetam expans\u00e3o global, para este ano e o pr\u00f3ximo, de 3,9%. Analisando o comportamento do PIB de todos os pa\u00edses emergentes, isto \u00e9, de 130 pa\u00edses listados, previu por sua vez, recess\u00e3o para apenas dois: a Guinea Equatorial com \u2013 6,0% e a Venezuela com \u2013 4,2%. Surpreendente \u00e9 a dupla que dever\u00e1 crescer acima de 8%: a Eti\u00f3pia com 8,2% e Gana com 8,3%. Acima de 7%, constam na lista apenas 3 pa\u00edses: a \u00cdndia com 7,3% voltando a crescer \u00e0 velocidade superior \u00e0 da China, a Costa do Marfim com 7,2% e Djibouti com 7,0%. J\u00e1 a lista dos acima de 6%, capitaneados por sua dimens\u00e3o exponencial, pela China, inclui mais 12 pa\u00edses, todos da \u00c1sia ou \u00c1frica, v\u00e1rios entre eles ainda pobres: Bangladesh, Benim, But\u00e3o, Camb\u00f3dia, Myanmar, Filipinas, Senegal. Serra Leoa, Laos, Tanz\u00e2nia, Turquemist\u00e3o e Vietnam.&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao Brasil \u00e9 oferecida oportunidade excepcional, a de engatar sua recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica na marcha acelerada da economia mundial que, al\u00e9m do contexto de crescimento generalizado, est\u00e1 nos proporcionando importar defla\u00e7\u00e3o externa, e, assim, refor\u00e7ar a curva de queda de nossa infla\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, os pre\u00e7os das commodities que exportamos voltaram a pre\u00e7os atraentes. Acresce a continuidade de alta liquidez global em grande parte fruto do \u201cquantitative easing\u201d, pol\u00edtica monet\u00e1ria praticada desde fins de 2008 pelos principais bancos centrais dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Zona do Euro e do Jap\u00e3o. Compraram t\u00edtulos de d\u00edvida e outros ativos p\u00fablicos e privados, afim de oferecer ao mercado a liquidez considerada adequada para estimular a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>A volatilidade das bolsas n\u00e3o parece ser, portanto, sinal precursor de crise a vir, ao estilo 2008. Ela se origina, ao contr\u00e1rio nos deslocamentos previstos em fun\u00e7\u00e3o da nova fase de robusta expans\u00e3o global. A partir dos excelentes progn\u00f3sticos para a economia norte-americana, por exemplo, justifica-se, mais cedo do que previsto, aumento dos juros pelo FED, que em 21 de mar\u00e7o os elevou em 0,25% para a faixa entre 1,5 a 1,75%. O movimento j\u00e1 havia sido antecipado pelo mercado, onde os juros dos \u201cTreasuries\u201d de dez anos passaram do yield de 2,04%, no in\u00edcio de setembro de 2017, para quase 2.9%. A mudan\u00e7a na presid\u00eancia do FED, agora chefiado por Powell, economista nomeado por Trump, contribuiu, tamb\u00e9m, para essa nova postura do FED. Ao lado das incertezas geopol\u00edticas, persiste, ainda, preocupa\u00e7\u00e3o com o d\u00e9ficit fiscal dos Estados Unidos resultante da perda de receita decorrente da reforma tribut\u00e1ria, h\u00e1 pouco aprovada. A queda \u00e9 estimada em mais de um trilh\u00e3o de d\u00f3lares anuais, dada a redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do imposto de renda das empresas, que baixaram do n\u00edvel de 35% para 21%, embora o c\u00e1lculo final seja muito complexo, pela elimina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios descontos, como aquele dos juros pagos por empresas quando elas se financiam no exterior e n\u00e3o nos pr\u00f3prios Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescem poss\u00edveis aumentos de despesas com audaciosos projetos: outro trilh\u00e3o e quinhentos bilh\u00f5es de d\u00f3lares, para a moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura do pa\u00eds, constru\u00e7\u00e3o de muro na fronteira com o M\u00e9xico, moderniza\u00e7\u00e3o do poderio militar do pa\u00eds, inclusive do arsenal nuclear. A moderniza\u00e7\u00e3o proposta por Trump, encontrou eco positivo no Congresso, que se disp\u00f4s a aprovar aumento significativo das despesas militares no Or\u00e7amento, em resposta \u00e0 postura do 19\u00ba Comit\u00ea Central do Partido Comunista da China, no fim de fevereiro, em que o Presidente Xi Jinping, al\u00e9m de consolidar o seu pr\u00f3prio poder, reafirmou o que pela primeira vez havia explicitamente declarado em reuni\u00e3o da APEC em novembro passado: a China est\u00e1 pronta a assumir o papel de Grande Pot\u00eancia Mundial, inclusive com a moderniza\u00e7\u00e3o de seu aparelho militar para&nbsp; prepara-lo para qualquer a\u00e7\u00e3o militar que venha se impor pelas circunst\u00e2ncias. Acrescem a declara\u00e7\u00e3o de Putin de que a R\u00fassia havia desenvolvido arma nuclear indetect\u00e1vel, assim como as bravatas da Cor\u00e9ia do Norte e a incerteza sobre a continuidade do acordo de desnucleriza\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3. Estamos testemunhando, o que parece ser o in\u00edcio de nova corrida armamentista, e agora tamb\u00e9m cibern\u00e9tica e comercial, nos quadros de Guerra Fria entre China e Estados Unidos, enquanto a R\u00fassia, em decl\u00ednio demogr\u00e1fico e fragilidade econ\u00f4mica, agarra-se em defender o status de Grande Pot\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade econ\u00f4mica, pol\u00edtica ou social costuma ser prenhe em incertezas, \u00eaxitos e derrotas. Isto n\u00e3o deve tolher, entretanto, nossos pr\u00f3prios esfor\u00e7os de moderniza\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e de inser\u00e7\u00e3o competitiva na arena internacional. Disposi\u00e7\u00e3o paralisante seria um tiro no p\u00e9, pois cada uma daquelas alternativas \u2013 incerteza, \u00eaxito ou derrota &#8211; exige governan\u00e7a adequada para responder \u00e0quelas circunst\u00e2ncias, de forma racional e persistente. Obedecida estrat\u00e9gia coerente, deve mobilizar todos os meios de que puder dispor. O rumo a adotar deve, por sua vez, estar aberto \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica destinada a corrigir equ\u00edvocos encontrados no caminho ou a recorrer a recursos adicionais caso necess\u00e1rios a retomar o fio condutor que leve ao porto almejado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o caminho a trilhar estiver definido, apesar das incertezas externas e das genuinamente nacionais, entre as quais a excessiva polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a paralisia \u00e9 injustific\u00e1vel. Encontramo-nos em situa\u00e7\u00e3o \u00edmpar, a de poder aproveitar conjuntura internacional especialmente favor\u00e1vel, capaz de energizar o processo de nossas indispens\u00e1veis reformas estruturantes, como a da Previd\u00eancia. Esta n\u00e3o pode tardar, dado o alto custo que representa para o pa\u00eds e pela urg\u00eancia em corrigir flagrantes desvios do sistema previdenci\u00e1rio, que ofendem a justi\u00e7a comutativa, a justi\u00e7a distributiva, e a justi\u00e7a intergeracional. S\u00e3o desvios que tendem a se acumular a cada posterga\u00e7\u00e3o da reforma, realidade intoler\u00e1vel, no longo prazo, mas infelizmente agravada pelos dispositivos constitucionais que paralisam quaisquer emendas \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, na vig\u00eancia da Interven\u00e7\u00e3o Federal no sistema de seguran\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro. Esta havia se tornado, por sua vez, imposterg\u00e1vel dada a inseguran\u00e7a generalizada resultante do crescimento galopante de quase todos os \u00edndices de criminalidade cada vez mais ousada e cruel, entre os quais o risco de um surto de rebeli\u00f5es sincronizadas nos pres\u00eddios do Estado, avaliado como iminente, o que for\u00e7ou revide \u00e0 altura, imediato.<\/p>\n\n\n\n<p>Processos de reforma, econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais, ou relativos \u00e0 seguran\u00e7a n\u00e3o precisam incluir desde o in\u00edcio todas as corre\u00e7\u00f5es e melhorias almejadas. Reformas estruturantes, como o adjetivo j\u00e1 revela, n\u00e3o s\u00e3o pontos de chegada a resultado perfeito. S\u00e3o pontos de largada de um processo que, por sua pr\u00f3pria natureza e pela necessidade de modular as dores inerentes a reformas, sem minimizar seus ganhos imediatos, deve prosperar por avan\u00e7os graduais que permitam aproveitar o aprendizado de erros e acertos surgidos em sua trajet\u00f3ria. A constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria confian\u00e7a, pedra angular de qualquer sistema econ\u00f4mico ou pol\u00edtico, proceder\u00e1 de forma mais duradoura, se avan\u00e7ar por conquistas sequenciais. O essencial \u00e9 evitar retrocessos e s\u00f3 tomar medidas de car\u00e1ter final\u00edstico, isto \u00e9, coerentes com a estrat\u00e9gia tra\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossos governantes t\u00eam mostrado not\u00e1vel capacidade em administrar as crises que temos tido que enfrentar \u2013 at\u00e9 mesmo pela frequ\u00eancia delas. N\u00e3o temos revelado, entretanto, a mesma capacidade em aproveitar oportunidades, tanto as surgidas em tempos dif\u00edceis, quanto as t\u00edpicas de tempos de abund\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que resistir, portanto, ao costume ou v\u00edcio, que um grande conhecedor da Am\u00e9rica Latina, Albert Hirschman, identificou como comum entre n\u00f3s \u2013 a fracassomania, isto \u00e9, a falta de autoestima, que nos faz sentir precocemente derrotados, atitude talvez originada de exacerbado sentimento de culpa, derivado de pretensos ensinamentos religiosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 inquestion\u00e1vel que o desempenho da economia mundial se recuperou significativamente e promete, em 2018, robusto crescimento, a economia brasileira por sua vez, superou progn\u00f3sticos alarmantes e reagiu de maneira surpreendentemente r\u00e1pida \u00e0 queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 8,6%, nos 11 trimestres, do 2\u00ba trimestre de 2014 ao 4\u00ba de 2016. O crescimento estimado em 2017 foi de 1%, enquanto o esperado para este ano \u00e9 de 3% a 4%, com infla\u00e7\u00e3o no mesmo n\u00edvel, entre 3 e 4%. Houve, ainda, relevante melhora no \u00edndice de desemprego ampliado (IBGE), com 1,8 milh\u00f5es de vagas l\u00edquidas gerads em 2017, embora o emprego dos trabalhadores com carteira assinada tenha progredido de maneira mais lenta. A exce\u00e7\u00e3o foi o primeiro bimestre deste ano, com a gera\u00e7\u00e3o de 143,1 mil empregos formais, muito embora o Banco Central tenha calculado ligeiro recuo mensal do respectivo PIB mensal, se comparado ao extraordinariamente din\u00e2mico m\u00eas de dezembro de 2017.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Excelente por sua vez tem sido o desempenho recente das contas externas, no contexto de uma recupera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, do com\u00e9rcio internacional que, ap\u00f3s anos de fraqueza, atingiu expans\u00e3o de 4,5% em 2017. O saldo comercial do Brasil em 2017 atingiu recorde hist\u00f3rico de 67 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, com amplia\u00e7\u00e3o tanto das exporta\u00e7\u00f5es em 17,5% alcan\u00e7ando U$ 217,7 bilh\u00f5es, quanto o das importa\u00e7\u00f5es, em 9,5% atingindo 150,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. O saldo comercial no 1\u00ba bimestre de 2018, de 7,6 bilh\u00f5es parece indicar bom resultado, tamb\u00e9m para este ano. A corrente comercial, por sua vez, foi consideravelmente ampliada em 2017, o que se repetiu no primeiro bimestre de 2018. Continuamos a contar, tamb\u00e9m, com folgado n\u00edvel de reservas cambiais, que beiram os 400 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que chega a despertar a cobi\u00e7a dos imediatistas, que logo querem deles se assenhorear para financiar os projetos que possam servi-lhes em termos de popularidade. T\u00ea-las, entretanto, como reserva para enfrentar tempos de liquidez reduzida asseguram-nos tranquilidade externa, al\u00e9m de induzir queda de juros para o Tesouro e as empresas p\u00fablicas e privadas, ao contratar empr\u00e9stimos no mercado externo. A consolida\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de c\u00e2mbio flutuante \u00e9 poderoso fator adicional a afastar risco de crise cambial. O c\u00e2mbio flutuante \u00e9 tanto sinalizador antecedente, quanto fator de pronta resposta operacional a desvios que venham a surgir no front externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a recente gera\u00e7\u00e3o l\u00edquida de novos empregos tenha sido significativa, h\u00e1 os que lamentam que grande parte das vagas geradas tenha ocorrido na economia informal. O fen\u00f4meno \u00e9 natural: no Brasil a informalidade sempre operou como colch\u00e3o de seguran\u00e7a para os mais necessitados, em momentos de escassez. A hora de migrarem para a \u201ccarteira de trabalho\u201d seguir\u00e1 o amadurecimento e a consolida\u00e7\u00e3o das melhorias macroecon\u00f4micas, o que parece j\u00e1 estar come\u00e7ando a ocorrer como o indica o primeiro bimestre deste ano. Vale lembrar, tamb\u00e9m, que s\u00e3o as pr\u00e1ticas informais da economia as que mais prontamente respondem aos sinais do mercado, livres que est\u00e3o dos entraves burocr\u00e1ticos que emperram nosso arcabou\u00e7o legal e regulat\u00f3rio. O mesmo racioc\u00ednio se aplica aos empreendedores e aos t\u00e9cnicos da moderna era digital que preferem a liberdade de empreender e a criatividade de conceber \u00e0 suposta prote\u00e7\u00e3o da \u201ccarteira assinada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno dessa disson\u00e2ncia reflete, por sua vez, o d\u00e9ficit de comunica\u00e7\u00e3o do governo que, em vez de priorizar confian\u00e7a e credibilidade, tem prestado menor aten\u00e7\u00e3o ao papel crucial, tanto do exemplo simb\u00f3lico (\u201crole model\u201d) que inere \u00e0 conduta percebida de seus integrantes, quanto da narrativa com que pretende se comunicar com a popula\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Nas palavras de Jos\u00e9 Roberto Mendon\u00e7a de Barros: \u201co rumo da economia \u00e9 cada vez mais claro, na exata medida em que o rumo da pol\u00edtica \u00e9 cada vez mais incerto\u201d. Conclui: \u201ca recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed, a sustentabilidade, n\u00e3o\u201d. Poder\u00edamos reformular sua feliz observa\u00e7\u00e3o, afirmando que enquanto a economia vem emergindo de in\u00e9dita crise, a pol\u00edtica nela vem submergindo. \u00c9 preocupante que na antev\u00e9spera das elei\u00e7\u00f5es, o Governo os partidos e grupos que defendem a indispens\u00e1vel transi\u00e7\u00e3o de um Capitalismo de Estado obsoleto e de uma Democracia, truncada, para uma verdadeira Democracia de Direito e um regime de liberdade de mercado, competitivo e respons\u00e1vel, n\u00e3o tenham ainda encontrado narrativa politicamente eficaz, e narradores que, possuam a credibilidade, a confian\u00e7a e o talento de comunica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para serem ouvidos e compreendidos. Sem um narrador cr\u00edvel, que preze a verdade, nenhuma narrativa o ser\u00e1. Tanto para o empreendedor privado, quanto para o agente p\u00fablico, a boa reputa\u00e7\u00e3o tornou-se ess\u00eancia de sua atua\u00e7\u00e3o. E ambos podem beneficiar-se da li\u00e7\u00e3o de Maquiavel, que recomendava tornarem-se \u201cpacientes ouvidores do que \u00e9 verdadeiro\u201d, para \u201cinteirar-se da verdade efetiva da coisa, em vez de imagens fantasiosas da mesma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo marcante \u00e9 a insist\u00eancia nos aspectos predominantemente fiscais na defesa da urg\u00eancia e escopo da Reforma da Previd\u00eancia, em vez de priorizar sua dimens\u00e3o \u00e9tica, a luta contra os inaceit\u00e1veis desequil\u00edbrios que inerem ao atual sistema previdenci\u00e1rio, que acentuam as graves desigualdades de tratamento aos aposentados e pensionistas do setor privado, comparado aos do setor p\u00fablico. Estes conseguiram ser contemplados com multiplicadores de 1 a 10 vezes, al\u00e9m das frequentes exce\u00e7\u00f5es de dimens\u00e3o ainda mais acentuada. Segundo um dos economistas que mais conhece o assunto, Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, temos gasto mais de seis vezes per capita com aposentadoria e pens\u00f5es do que com educa\u00e7\u00e3o: 14% do PIB versus 5,4% do PIB. Segundo ele, a Previd\u00eancia, no seu formato atual, transformou-se no mais potente acelerador de desigualdade, em desfavor dos menos favorecidos, amea\u00e7ando o desempenho futuro e a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia do sistema e, portanto, tamb\u00e9m, a dos cidad\u00e3os por ele assegurados. Nas suas palavras, \u201co sistema de aposentadoria do setor p\u00fablico brasileiro \u00e9, provavelmente o maior programa de transfer\u00eancia de renda do pobre para o rico, no mundo\u201d. E o triste \u00e9 que os aquinhados por benef\u00edcios extravagantes, consideram que eles constituam \u201cdireitos adquiridos\u201d inviol\u00e1veis!<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e9tica do presente e a \u00e9tica do futuro, infelizmente foram negligenciadas pela narrativa equivocadamente escolhida, inspirada na \u00e9tica do passado, o que s\u00f3 aos poucos vem sendo corrigido. Acresce que a pr\u00f3pria ideia de Reforma vem sendo constantemente castigada por demandas corporativas exacerbadas, sem que o Governo, tenha sido capaz de cont\u00ea-las com o vigor e consist\u00eancia necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda outro paradoxo, que merece coment\u00e1rio. As melhorias na economia, embora evidentes, n\u00e3o t\u00eam sido percebidas como tal pela popula\u00e7\u00e3o, sendo a queda in\u00e9dita da infla\u00e7\u00e3o, de dois d\u00edgitos ou mais, para o bem comportado desempenho de menos de 3%, em 2017, exemplo paradigm\u00e1tico. Acresce que a recupera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de arrecada\u00e7\u00e3o do Tesouro Nacional, devida \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de acelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica com o aumento da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, queda do desemprego, expans\u00e3o da renda dispon\u00edvel, e infla\u00e7\u00e3o surpreendentemente baixa, t\u00eam afastado o risco de colapso iminente da equa\u00e7\u00e3o fiscal, contribuindo paradoxalmente, para reduzir a preocupa\u00e7\u00e3o com o atraso da Reforma Previdenci\u00e1ria e ainda colocar em d\u00favida o anunciado risco de caos fiscal iminente. A \u00e2nsia provocada por um Armagedon Fiscal, uma vez mitigada no curt\u00edssimo prazo, parece estar confundindo a consci\u00eancia do custo da posterga\u00e7\u00e3o da Reforma. \u00c9 mais uma dificuldade decorrente de percep\u00e7\u00e3o demasiado matem\u00e1tica dos riscos envolvidos, em contraste com avalia\u00e7\u00e3o hol\u00edstica mais severa e informada da realidade. Qualquer adiamento torna a Reforma mais urgente, n\u00e3o s\u00f3 em face do potencial arriscado da inflex\u00e3o do persistente desequil\u00edbrio fiscal, sen\u00e3o tamb\u00e9m para evitar que a Reforma, uma vez adiada, acabe exigindo condi\u00e7\u00f5es, no futuro, bem mais rigorosas, o que exacerbaria as dores de sua implanta\u00e7\u00e3o tardia.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado fiscal prim\u00e1rio de 2017 foi bem mais favor\u00e1vel, segundo an\u00e1lise do IPEA, do que o de 2016, assim como do esperado para o ano. Em rela\u00e7\u00e3o a 2016, o d\u00e9ficit prim\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao PIB caiu dos esperados 2,5% para 1,7% do PIB, tanto pelo aumento real da receita l\u00edquida, quanto pela queda de 1% no gasto prim\u00e1rio. O primeiro bimestre deste ano, por sua vez, testemunhou receitas de R$ 260,7 bilh\u00f5es, alta real de 10,34%, melhor cifra desde 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Imp\u00f5e-se, ainda, observa\u00e7\u00e3o relevante. Ao contr\u00e1rio do que muitos proclamam \u2013 entre os mais incisivos, est\u00e3o os atingidos pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato &#8211; as grandes empresas, escolhidas para configurar no p\u00f3dio privilegiado de \u201cempresas campe\u00e3s nacionais\u201d, sofreram no curto prazo, perdas e limita\u00e7\u00f5es de agir significativas, n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da Lava-Jato, mas sim dos desmedidos desvios de comportamento, da corrup\u00e7\u00e3o que cometeram, sem o m\u00ednimo pudor. A Lava-Jato \u00e9 esfor\u00e7o corajoso de corrigir o n\u00edvel intoler\u00e1vel da corrup\u00e7\u00e3o incorrida em que pese um ou outro exagero que at\u00e9 hoje tem sido contido. No m\u00e9dio e longo prazo, ela promete, se n\u00e3o for desviada por movimento perverso que prega a volta \u00e0 impunidade, por vias escusas,elevar em muito a qualidade \u00e9tica e operacional tanto da gest\u00e3o p\u00fablica quanto da economia de mercado \u2013 ambas conspurcadas pela simbiose esp\u00faria entre governo e grandes empreiteiras que prevaleceu at\u00e9 h\u00e1 pouco. As empresas capturavam pol\u00edticas p\u00fablicas a favor de seus interesses especiais, enquanto o Governo capturava empresas p\u00fablicas ou privadas para engordar custos fantasiosos que acabaram forrando ilicitamente os bolsos dos gananciosos, e financiando, sem escr\u00fapulo, amplo projeto de perpetua\u00e7\u00e3o do Poder de partidos, grupos e quadrilhas pol\u00edticas e empresariais.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramo-nos agora em estrat\u00e9gica encruzilhada que pode nos levar a dois resultados diametralmente opostos. Os caminhos para um ou outro resultado est\u00e3o bem abertos e \u00e0 espera de nossa decis\u00e3o: recupera\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds ou p\u00e2ntano de progressiva mediocridade. Decidir esse dilema e tomar uma ou outra dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 em nossas m\u00e3os! Desejamos continuar vivendo em ilha ideol\u00f3gica, materialmente isolada da pulsa\u00e7\u00e3o do mundo ou preferimos empreender marcha corajosa para a modernidade? Somos um dos pa\u00edses mais fechados ao mundo. Estamos determinados a, desta vez, aproveitar a promissora oportunidade que nos \u00e9 oferecida por cen\u00e1rio internacional benigno e din\u00e2mico, com crescimento robusto, infla\u00e7\u00e3o controlada, liquidez abundante e desafios promissores? Ou preferiremos continuar presos \u00e0 nossa redoma de mediocridade perif\u00e9rica e irrelev\u00e2ncia global, insistindo no debate de temas do s\u00e9culo passado, em vez de encarar os novos desafios do amanh\u00e3 e o potencial para super\u00e1-los?<\/p>\n\n\n\n<p>Urge assumirmos atitude determinada, optar pelo engajamento com o Brasil do Amanh\u00e3, e adotarmos vis\u00e3o de longo prazo, comprometidos com a \u00c9tica do Futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos colher as s\u00e1bias palavras que San Tiago Dantas nos legou em 1963, h\u00e1 mais de 50 anos, pouco antes de nos deixar para sempre: \u201cCreio que nenhum projeto nacional \u00e9 v\u00e1lido, nenhuma pol\u00edtica interna autossustent\u00e1vel, se n\u00e3o lograr inserir o Pa\u00eds no rumo hist\u00f3rico de seu tempo, e superpor harmonicamente o nacional e o universal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desenhar tal pol\u00edtica de sincroniza\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o e o tempo globais, temos de levar em conta que, al\u00e9m de conviver com conjuntura internacional em trajet\u00f3ria c\u00edclica prop\u00edcia, o mundo se encontra no umbral de nova etapa de moderniza\u00e7\u00e3o, com surpreendentes saltos cient\u00edficos, tecnol\u00f3gicos e culturais \u2013 entre eles a quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial, a nanotecnologia, os avan\u00e7os da medicina, \u201cbig data\u201d, a intelig\u00eancia artificial, a internet das coisas, a explos\u00e3o digital, \u2013 que prometem progressos&nbsp; at\u00e9 h\u00e1 pouco inimagin\u00e1veis. A nova realidade \u201cin fieri\u201d parece oferecer tanto melhorias que podem ser descritas como revolucion\u00e1rias, quanto problemas a enfrentar e dificuldades e armadilhas a superar n\u00e3o despiciendas, que n\u00e3o deixar\u00e3o de nos desafiar, exigindo esfor\u00e7os herc\u00faleos no caminho para a nova era.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao texto de San Tiago que parece ter sido escrito ontem e n\u00e3o h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo: \u201cQue pensar de uma na\u00e7\u00e3o que no limiar de uma nova era de prosperidade mundial, como esta em que o mundo est\u00e1 penetrando, dependesse, para o equacionamento r\u00e1pido e eficaz de seus problemas e para a ado\u00e7\u00e3o oportuna de suas solu\u00e7\u00f5es, de esperar a lenta matura\u00e7\u00e3o das aspira\u00e7\u00f5es coletivas, ou a emerg\u00eancia de novas elites&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Teremos daqui a poucos meses, a oportunidade de, nas elei\u00e7\u00f5es que se aproximam, votar para a renova\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a do Executivo, da totalidade dos Deputados da C\u00e2mara Federal, dos Governadores, das Assembleias Estaduais e de dois ter\u00e7os do Senado.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos que amamos o povo brasileiro e que queremos para ele, isto \u00e9, para n\u00f3s, melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e, sobretudo, ambiente sustent\u00e1vel pol\u00edtico, econ\u00f4mico, social e \u00e9tico, isto \u00e9, a certeza de um futuro melhor para nossos filhos, netos e gera\u00e7\u00f5es a vir, temos a grave responsabilidade de nos engajar, de cora\u00e7\u00e3o e mente, em solu\u00e7\u00f5es racionais e vi\u00e1veis para atingirmos a plena frui\u00e7\u00e3o das oportunidades quase in\u00e9ditas que, hoje, nos oferecem caminhos promissores.<\/p>\n\n\n\n<p>A in\u00e9rcia, a mediocridade, a fracassomania s\u00f3 nos empobrecem. Tanto quanto a eloqu\u00eancia vazia.\u00a0 A indigna\u00e7\u00e3o face \u00e0 tanta corrup\u00e7\u00e3o, desperd\u00edcio e descaminhos \u00e9 leg\u00edtima. J\u00e1 o \u00f3dio \u00e9 est\u00e9ril. Optemos por um futuro melhor mais justo e generoso para todos os brasileiros, sem distin\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00f3s a eles\u201d. Lutemos para alcan\u00e7\u00e1-lo, com determina\u00e7\u00e3o, \u00e9tica, compet\u00eancia, senso de oportunidade e de dire\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de muito amor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size\"> <strong>Marc\u00edlio Marques Moreira<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recente volatilidade das bolsas de valores, tanto no exterior quanto no Brasil, provocou temor que a conjuntura de forte crescimento global da economia mundial&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2934,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-3128","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}