{"id":3113,"date":"2018-03-05T20:02:00","date_gmt":"2018-03-05T23:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acrj2020.profissional.ws\/?p=3113"},"modified":"2020-03-01T20:04:12","modified_gmt":"2020-03-01T23:04:12","slug":"recuperacao-dos-portos-do-rio-e-de-sepetiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acrj.org.br\/index.php\/2018\/03\/05\/recuperacao-dos-portos-do-rio-e-de-sepetiba\/","title":{"rendered":"Recupera\u00e7\u00e3o dos portos do Rio e de Sepetiba"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Prefeitura do Rio vem revivendo a Zona Portu\u00e1ria nos \u00faltimos anos. Era injustific\u00e1vel o abandono, por tantos anos a fio, de uma \u00e1rea t\u00e3o importante para o desenvolvimento urbano. Precisamos, no entanto, refletir sobre outra obra que acalentar\u00e1 um sonho da classe empresarial fluminense: o reerguimento do Porto do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a \u00e9poca da extra\u00e7\u00e3o de ouro e diamante de Minas Gerais, o Porto do Rio se tornou o mais importante da Am\u00e9rica Latina. Depois do esgotamento dos recursos, iniciaram-se as exporta\u00e7\u00f5es do caf\u00e9 Rio-Zona. Durante muitos anos, o produto era transportado de trem, por meio de uma malha de bitola estreita da Estrada de Ferro Leopoldina, com uma rede de tr\u00eas mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A queda da produ\u00e7\u00e3o cafeeira teve um marco em 1952, quando a C\u00e2mara dos Vereadores do Rio criou um imposto municipal que incidia sobre as exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 via Zona Portu\u00e1ria. Nessa altura, o produto era transportado pelas rodovias, e o tributo serviria para compensar os gastos com as vias. Assim, o caf\u00e9 exportado pelo Rio perdeu o poder de competi\u00e7\u00e3o com o que escoava por outros portos, como o de Santos e o de Vit\u00f3ria. A sa\u00edda mais pr\u00f3xima para os produtores do estado seria o Porto de Niter\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Porto do Rio era, aos poucos, liquidado. Ao mesmo tempo, bancos encerravam atividades no Rio, e setores industriais e da constru\u00e7\u00e3o civil reduziam drasticamente suas atividades. A produ\u00e7\u00e3o cafeeira da regi\u00e3o de caf\u00e9 Rio-Zona foi erradicada por uma subven\u00e7\u00e3o do governo. E concomitantemente, a malha ferrovi\u00e1ria da antiga Estrada de Ferro Leopoldina foi completamente inutilizada. N\u00e3o sobrou sequer a Estrada de Ferro Pr\u00edncipe do Gr\u00e3o-Par\u00e1, primeira linha f\u00e9rrea do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De 1960 a 1980, a participa\u00e7\u00e3o fluminense no PIB nacional caiu de 24% para 8,5%. A classe empreendedora saiu em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de futuro. Mas pode retornar. H\u00e1 muito o que fazer. O ressurgimento da atividade portu\u00e1ria \u00e9 fundamental e ter\u00e1 reflexos imediatos em outras atividades, como a banc\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio investimento do Estado, por ser autofinanci\u00e1vel. Depende apenas de coragem e vontade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o cafeeira do Sul de Minas Gerais produz, atualmente, cerca de 20 milh\u00f5es de sacas por ano, todas direcionadas por via rodovi\u00e1ria para exporta\u00e7\u00e3o pelo Porto de Santos. O produtor mineiro poderia encontrar uma solu\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria para reduzir custos. Enquanto isso, se assiste a um fant\u00e1stico desperd\u00edcio da \u00e1rea portu\u00e1ria do Rio. O mesmo ocorre com o modern\u00edssimo Porto de Sepetiba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Ferrovia Centro Atl\u00e2ntica (FCA) come\u00e7a em Angra dos Reis, passa pelo sul de Minas Gerais, Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia, Pirapora e termina em Aracaju, e j\u00e1 prev\u00ea uma extens\u00e3o at\u00e9 Macei\u00f3, Recife e Jo\u00e3o Pessoa. \u00c9 uma malha de mais de oito mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o de todas essas localidades poderia ser escoada pelo Porto do Rio e de Sepetiba se fosse constru\u00eddo um pequeno ramal de 120 quil\u00f4metros de bitola estreita entre Barra Mansa e Japeri, onde termina a linha suburbana de trens do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O poder de conceder o trecho \u00e9 do governo do Estado do Rio, pois se trata de uma liga\u00e7\u00e3o entre duas cidades fluminenses. As vantagens s\u00e3o muitas: milh\u00f5es de empregos ao longo da malha ferrovi\u00e1ria, descongestionamento do Rodoanel de S\u00e3o Paulo e do Porto de Santos, redu\u00e7\u00e3o de custos para o cafeicultor mineiro, o uso a pleno vapor do modern\u00edssimo Porto de Sepetiba, o alcance da ind\u00fastria fluminense a in\u00fameros mercados consumidores no pa\u00eds e um extraordin\u00e1rio relacionamento entre as lideran\u00e7as econ\u00f4micas dos estados que pode consolidar um dos mais importantes blocos pol\u00edticos do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Ruy Barreto<\/strong><br>Empres\u00e1rio e Grande Benem\u00e9rito da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Artigo publicado pelo Jornal O Dia &#8211; 04\/03<\/strong><br><a href=\"https:\/\/odia.ig.com.br\/opiniao\/2018\/03\/5519024-recuperacao-dos-portos-do-rio-e-de-sepetiba.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clique aqui para ler o artigo na \u00edntegra<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Prefeitura do Rio vem revivendo a Zona Portu\u00e1ria nos \u00faltimos anos. 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